Se a Copa do Mundo começasse hoje, o Canadá entraria em campo sem seu jogador mais reconhecido internacionalmente. Alphonso Davies, capitão da seleção canadense e lateral-esquerdo do Bayern de Munique, está fora do amistoso desta segunda-feira contra o Uzbequistão, no Commonwealth Stadium, em Edmonton — e a ausência transforma um teste de rotina em uma das perguntas mais urgentes da preparação canadense para o Mundial. A resposta começa às 22h (de Brasília).

O Canadá anfitrião que precisa crescer além de Davies

Nenhuma seleção anfitriã chega a uma Copa do Mundo carregando mais expectativa do que pressão — e o Canadá, inserido no Grupo A ao lado de Catar, Bósnia e Suíça, sabe que o momento histórico exige mais do que simbolismo. Desde que Jesse Marsch assumiu o comando em 2024, a equipe construiu uma das sequências mais sólidas de sua história recente: apenas uma derrota nos últimos nove amistosos disputados, com resultados expressivos como empates diante de Colômbia e Equador, vitórias sobre País de Gales e Venezuela, e uma semifinal de Copa América encerrada nos pênaltis contra o Uruguai — o que rendeu ao treinador americano a renovação de contrato até 2030.

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O amistoso contra o Uzbequistão é, tecnicamente, apenas o segundo confronto oficial entre as duas seleções em nível sênior. Mas o contexto o eleva: trata-se do primeiro de dois testes finais antes do Mundial, com o segundo marcado para 5 de junho, em Montreal, diante da Irlanda. A partida em Edmonton também carrega um significado simbólico — a cidade não receberá jogos da Copa, e o duelo funciona como uma espécie de despedida da seleção para a torcida local.

A escalação que revela a profundidade canadense

Com Davies ausente, Marsch mantém o esquema sem abrir mão da intensidade. A provável formação coloca Richie Laryea na lateral-esquerda, posição que Davies ocupa como titular absoluto. No meio-campo, a presença de Stephen Eustáquio — um dos jogadores mais completos da geração — e de Ismael Koné garante equilíbrio entre marcação e criação. Na frente, Jonathan David e Cyle Larin formam dupla de ataque com histórico goleador consistente em nível europeu. O goleiro Maxime Crépeau completa a espinha dorsal, com Alistair Johnston, Derek Cornelius e Joel Waterman na defesa.

A ausência do camisa 19 não é novidade absoluta para Marsch. Ao longo do ciclo preparatório, o técnico já testou variações táticas que redistribuem a responsabilidade ofensiva pelo lado esquerdo, evitando a dependência excessiva de um único jogador. Tayshaun Laryea, irmão de Richie, e Ali Ahmed — escalado como meia pelo lado — têm sido alternativas trabalhadas nos treinos. Como registrado pelo SportNavo ao longo da preparação canadense, a filosofia de Marsch privilegia a coletividade sobre a dependência individual.

"A equipe passou por uma transformação significativa desde o Qatar", segundo análises que acompanham o ciclo canadense — e os resultados recentes sustentam essa leitura.

O adversário que Cannavaro moldou para a Copa

Do outro lado, o Uzbequistão de Fabio Cannavaro chega a Edmonton com seis partidas de invencibilidade. A última derrota da equipe asiática foi justamente para o Uruguai, por 2 a 1 — resultado que, pelo nível do adversário, foi recebido com elogios à competitividade uzbeque. Cannavaro, campeão mundial como jogador em 2006 com a Itália, construiu no Uzbequistão um time organizado taticamente, com Eldor Shomurodov como referência ofensiva e Abdukodir Khusanov como pilar defensivo. O time está no Grupo K da Copa, ao lado de Portugal, RD Congo e Colômbia, e encerra sua preparação em 8 de junho contra a Holanda.

O Canadá anfitrião que precisa crescer além de Davies Sem Davies, como o Canadá
O Canadá anfitrião que precisa crescer além de Davies Sem Davies, como o Canadá
"Estamos prontos para testar nosso nível contra seleções de alto padrão", disse Cannavaro em coletiva antes da viagem a Edmonton, sinalizando que o amistoso não será jogado em ritmo de treino.

O histórico recente favorece o Canadá: os canadenses venceram o confronto anterior entre as duas seleções, e as casas de apostas projetam vitória da equipe anfitriã com odds de 1,80. A combinação de fator casa, maior rodagem internacional dos jogadores canadenses e o desgaste de viagem da delegação uzbeque coloca o favoritismo do lado de Marsch.

O que este amistoso define para o Grupo A

A Copa do Mundo começa em menos de duas semanas, e cada dado que emerge deste amistoso alimenta a análise tática dos adversários do Grupo A. Suíça e Bósnia já monitoram como o Canadá funciona sem Davies — especificamente, quão vulnerável fica o lado esquerdo defensivo e quão dependente do jogo centralizado de Eustáquio fica a criação. Se Laryea ou Ahmed conseguirem replicar a amplitude que Davies oferece, Marsch terá respondido à questão mais delicada de sua preparação.

O próximo compromisso do Canadá está marcado para 5 de junho, em Montreal, contra a Irlanda — último ensaio antes da estreia no Mundial. O aproveitamento canadense nos amistosos sob Marsch, de oito vitórias ou empates em nove jogos, é o número que o técnico quer ver crescer nesta segunda-feira em Edmonton.