A lesão de Estêvão coloca em xeque não apenas a participação do atacante do Chelsea na Copa do Mundo de 2026, mas força Carlo Ancelotti a repensar toda a estrutura ofensiva da Seleção Brasileira. O jovem de 18 anos, artilheiro da equipe nacional com cinco gols desde a chegada do técnico italiano em julho de 2025, sofreu ruptura quase total do músculo posterior da coxa direita e pode ficar afastado por até seis meses.
O cenário lembra outros momentos traumáticos da história da Seleção. Em 1998, Romário chorou publicamente ao ser cortado por lesão muscular às vésperas da Copa da França. Quatro anos depois, em 2002, Emerson assistiu à estreia contra a Turquia com o braço na tipoia após se machucar nos treinos preparatórios. Daniel Alves perdeu a Copa de 2018 por lesão ligamentar no joelho, enquanto Coutinho foi cortado em 2022 por problemas musculares.
Raphinha assume protagonismo na ponta direita
Com Estêvão fora de combate, Raphinha desponta como o principal candidato a ocupar a ponta direita no esquema de Ancelotti. O atacante do Barcelona acumula 23 jogos pela Seleção desde 2021, com seis gols marcados, e já demonstrou versatilidade tática ao atuar tanto nas laterais quanto centralizado.
A movimentação de Raphinha para a direita abriria espaço para Vinicius Júnior consolidar-se na ponta esquerda, função onde o jogador do Real Madrid se destacou na conquista da Champions League de 2024. O esquema ainda permitiria a entrada de Matheus Cunha como meia-atacante, posição que o atleta do Wolverhampton vem ocupando com sucesso na Premier League.
João Pedro ganha força como referência central
A ausência de Estêvão também fortalece a candidatura de João Pedro como centroavante titular. O atacante do Brighton marcou 20 gols na temporada 2023-24 da Premier League e representa uma opção mais física no ataque brasileiro, contrastando com o perfil mais técnico de outros candidatos como Igor Jesus, do Botafogo.
"O futuro da Seleção", definiu Ancelotti ao se referir a Endrick após a derrota para a França em março passado.
Endrick, ex-Palmeiras que atualmente defende o Lyon, emerge como alternativa surpresa. Aos 18 anos, o atacante marcou sete gols e distribuiu sete assistências em 17 jogos pelo clube francês, além de ter causado boa impressão no último amistoso contra a Croácia, onde sofreu pênalti e deu assistência em apenas 14 minutos de jogo.
Rayan representa a aposta no futuro
Outro nome que ganhou destaque nas especulações é Rayan, do Bournemouth. O jovem de 19 anos, revelado pelo Vasco, foi convocado pela primeira vez em 2025 e recebeu elogios públicos de Ancelotti. Na Premier League, o atacante soma três gols e duas assistências em 15 aparições, números modestos mas que refletem seu processo de adaptação ao futebol inglês.
Segundo análise do SportNavo, a escolha de Ancelotti pode definir não apenas a formação tática, mas a filosofia da Seleção para o Mundial. A opção por nomes experientes como Raphinha e João Pedro sugere busca por estabilidade, enquanto a convocação de Endrick ou Rayan indicaria aposta na renovação geracional.
Convocação em maio definirá substituto
A decisão final será conhecida em 18 de maio, data marcada para o anúncio da lista definitiva de convocados. Ancelotti terá 26 vagas à disposição e já conta com sete atacantes praticamente garantidos: Vinicius Jr. e Gabriel Martinelli para a ponta esquerda, além de Luiz Henrique como opção versátil.
A situação de Éder Militão oferece perspectiva mais otimista. O zagueiro do Real Madrid, diagnosticado com lesão no bíceps femoral da perna esquerda, deve se recuperar entre três e quatro semanas, prazo que permite sua participação no Mundial. A ausência confirmada fica por conta de Rodrygo, que rompeu o ligamento cruzado anterior e só retornará em 2027.
O Brasil estreia na Copa do Mundo no dia 13 de junho, às 19h, contra Marrocos no MetLife Stadium, em Nova Jersey, com a responsabilidade de conquistar o hexacampeonato após 24 anos sem títulos mundiais.










