Antes mesmo de a bola rolar na Arena MRV no último domingo (26), Hulk já havia deixado o estádio. O atacante de 39 anos, relacionado para o duelo contra o Flamengo pelo Brasileirão, saiu do vestiário horas antes do apito inicial após uma reunião com a diretoria do Atlético-MG que tornou pública a tensão acumulada entre as partes. O clube mineiro levou 4 a 0 — com dois gols de Pedro, além de Gonzalo Plata e Arrascaeta — e perdeu também, naquela tarde, o principal referencial ofensivo de sua história recente.

A decisão nos bastidores da Arena MRV

O diretor atleticano Paulo Bracks confirmou a versão oficial após a partida, mas os bastidores revelam uma ruptura mais profunda do que um simples ajuste tático.

"Fomos procurados ontem por um clube brasileiro. O estafe do jogador conversou com esse clube. Foi feita hoje à tarde uma reunião nossa com o estafe do atleta e não houve uma decisão. Viemos para o jogo, e aqui no vestiário, horas antes da partida, em comum acordo entre as partes, decidiu-se que ele não faria o 13º jogo, o que inviabilizaria ele de ter qualquer transferência nacional nessa janela", explicou Bracks.
A lógica da regra dos 12 jogos para transferências dentro da janela nacional foi usada como justificativa técnica, mas o pano de fundo é político: semanas antes, a diretoria voltou a sugerir a aposentadoria de Hulk durante conversas sobre renovação contratual — o mesmo gatilho que já havia irritado o jogador no início de 2026. Rafael Menin, um dos donos da SAF, chegou a se despedir do atacante antes do confronto contra o Flamengo.

A jornalista Joanna de Assis, do Grupo Globo, detalhou que as partes chegaram a esboçar um rascunho de contrato por mais um ano, mas a insistência da diretoria atleticana no tema da aposentadoria destruiu o clima de negociação. Hulk interpretou a nota oficial divulgada pelo clube sobre sua ausência como um decreto de saída. A reunião definitiva entre Fluminense, Atlético-MG e o estafe do jogador estava marcada para a segunda-feira (28).

O peso dos números em cinco temporadas

Qualquer análise do impacto da saída de Hulk precisa passar pela régua dos dados. Desde 2021, o atacante acumulou 309 participações em gols pelo Galo em seis temporadas, com 140 tentos e 55 assistências. A temporada de estreia, em 2021, foi a mais produtiva: 36 gols e 13 assistências em 68 jogos, totalizando 49 participações. Em 2023, foram 30 gols e 14 assistências em 59 partidas. Mesmo em 2025, considerado um ano abaixo do padrão, o centroavante somou 21 gols e 8 assistências em 61 jogos — quase 30 participações ofensivas.

A decisão nos bastidores da Arena MRV Sem Hulk, Atlético-MG enfrenta vazio no
A decisão nos bastidores da Arena MRV Sem Hulk, Atlético-MG enfrenta vazio no

Em 2026, os números indicam queda: 5 gols e 3 assistências em 22 jogos, com 1.560 minutos em campo. São 8 participações em gols, ritmo que projeta cerca de 18 a 20 ao final da temporada — compatível com um jogador desconfortável dentro e fora de campo. Na avaliação do SportNavo, o problema não é apenas a produção atual, mas a ausência de qualquer substituto com perfil semelhante no elenco atleticano para suprir esse volume ofensivo imediatamente.

Elenco sem resposta para o vazio no centro do ataque

O Atlético-MG não tem, no elenco atual, um centroavante com o mesmo peso físico e experiência de Hulk para assumir a titularidade. Eduardo Vargas, que dividiu espaço com o camisa 7 em momentos pontuais, não tem o mesmo nível de presença na área. O técnico Cuca — ou quem quer que esteja no comando — terá de adaptar o sistema ofensivo para uma configuração sem um pivô fixo, o que historicamente não beneficia o estilo de construção de jogadas do clube.

O timing é especialmente delicado. O Atlético-MG tem compromisso pela Copa Sul-Americana contra o Cienciano, do Peru, e precisa equilibrar a disputa nacional com o calendário continental. Sem Hulk, a missão de manter sequência competitiva nas duas frentes exige reforço imediato na posição. A diretoria atleticana, conforme apurou o SportNavo, ainda não tem nome concreto mapeado para substituição dentro da janela de transferências vigente.

O que esperar nas próximas semanas

A derrota por 4 a 0 para o Flamengo jogou o Atlético-MG para baixo na tabela do Brasileirão, e a ausência de Hulk no clássico — independente do desfecho da negociação — já produziu consequência esportiva imediata.

"Hulk ficou surpreso com a nota divulgada pelo Atlético-MG sobre a sua ausência", revelou a jornalista Joanna de Assis, indicando que o atacante enxergou o comunicado como um sinal definitivo de encerramento do ciclo.
Se a transferência para o Fluminense se concretizar nos próximos dias, o Galo precisará acionar o mercado com urgência para não iniciar o confronto contra o Cienciano já desfalcado de seu principal artilheiro histórico recente. O próximo jogo do Atlético-MG pelo Brasileirão está previsto para o fim de semana, e a definição sobre Hulk deve acontecer antes disso — tornando as próximas 48 horas decisivas para o planejamento ofensivo do clube mineiro pelo restante de 2026.