Éder Militão será operado esta semana na Finlândia pelo cirurgião Lasse Lempainen, considerado o maior especialista do mundo em lesões musculares do tipo, e o tempo de recuperação estimado em quatro meses encerra qualquer esperança de vê-lo na Copa do Mundo de 2026. A estreia do Brasil está marcada para 13 de junho, contra Marrocos, no MetLife Stadium, em Nova Jersey — e a convocação do técnico Carlo Ancelotti acontece no dia 18 de maio. O problema é que esta é a segunda ruptura no mesmo músculo, o bíceps femoral da perna esquerda: Militão já havia ficado quatro meses afastado após lesão similar em dezembro do ano passado, o que torna o prognóstico ainda mais delicado e a ausência, irreversível.
Uma lacuna que pesa na história recente da Seleção
Para entender a dimensão do problema, basta revisitar os últimos dois ciclos mundialistas. No Catar, em 2022, Militão foi titular em cinco dos sete jogos do Brasil e formou com Marquinhos a dupla central mais segura que a Seleção apresentou desde a parceria Lúcio-Juan na campanha do pentacampeonato, em 2002. Antes de Lúcio, foi Aldair quem cumpriu esse papel ao lado de Marcio Santos, na Copa de 1994. A linha de continuidade mostra que o Brasil sempre precisou de um segundo zagueiro de elite para cobrir as costas de seu líder defensivo — e hoje esse líder é Marquinhos, 30 anos, capitão do PSG com mais de 90 partidas pela Seleção.
"A lesão é séria, mas minha vontade de voltar ao campo é maior do que qualquer obstáculo", declarou Militão em publicação nas redes sociais após o diagnóstico ser confirmado pelo Real Madrid.
A frase revela determinação, mas não altera a matemática do calendário: com o último jogo do Real Madrid previsto para 24 de maio, contra o Athletic Bilbao, e a cirurgia acontecendo agora, Militão não terá condições físicas sequer de participar de um treino coletivo antes da estreia brasileira.
Os nomes que estão na mesa de Ancelotti
Segundo apuração do SportNavo, três perfis distintos dividem a preferência da comissão técnica para ocupar a vaga ao lado de Marquinhos. O primeiro é o próprio Thiago Silva, 40 anos em setembro, que encerrou seu ciclo no Chelsea em 2024 e hoje defende o Fluminense. O ídolo do Maracanã disputou quatro Copas do Mundo — 2010, 2014, 2018 e 2022 — e acumula mais de 110 convocações pela Seleção. A favor dele joga a experiência insubstituível em momentos decisivos; contra, o desgaste físico de um atleta que sofreu ao menos três lesões musculares graves nos últimos 24 meses.
Lucas Beraldo, 21 anos, é o nome que agrada a uma corrente mais moderna da comissão técnica. O zagueiro do PSG — curiosamente, mesmo clube do capitão Marquinhos — chegou ao futebol europeu em janeiro de 2024 e rapidamente conquistou espaço no time titular parisiense. Na temporada atual, acumula mais de 30 partidas, sendo dezoito como titular na Ligue 1. Sua velocidade e capacidade de sair jogando pelos pés são atributos raros em zagueiros brasileiros da nova geração.

Murilo, 27 anos, do Nottingham Forest, representa o meio-termo: experiente o suficiente para não ser uma aposta, mas ainda em seu melhor momento físico. O defensor foi peça fundamental no surpreendente desempenho do Forest na Premier League 2024-25, disputando mais de 25 partidas e liderando estatísticas de cortes no elenco inglês. Murilo já foi convocado por Fernando Diniz e por Dorival Júnior, o que lhe garante algum histórico no sistema nacional.
Forças e fragilidades de cada candidato
A análise exclusiva do SportNavo aponta que Beraldo tem o perfil técnico mais adequado ao futebol de posse que Ancelotti costuma exigir — o italiano construiu sua reputação justamente em sistemas que pedem zagueiros confortáveis com a bola nos pés, como ficou evidente nas temporadas de Ramos e Varane no Real Madrid. Murilo, por sua vez, oferece robustez física e vocação defensiva mais agressiva, qualidades que podem ser decisivas em jogos de Copa do Mundo contra equipes que exploram bolas aéreas — como o próprio Marrocos, adversário da estreia, que tem média de 6,8 bolas longas por jogo ofensivo.
"O Beraldo tem tudo para ser o zagueiro da Seleção pelos próximos dez anos. Mas uma Copa do Mundo exige mais do que talento — exige maturidade sob pressão", avaliou o ex-zagueiro Aldair em entrevista ao canal Seleção SporTV, em março deste ano.
Thiago Silva permanece como opção de emergência, especialmente se Ancelotti optar por convocar um terceiro zagueiro experiente como seguro de vida. O veterano disputou 838 minutos na Copa de 2022, sem sofrer gol nos duelos em que foi titular ao lado de Militão — dado que nenhum torcedor brasileiro deveria ignorar ao debater sua inclusão no grupo.
Quem deve ser o titular ao lado de Marquinhos
Com a convocação marcada para 18 de maio, Ancelotti terá até aquela data as últimas rodadas das ligas europeias para avaliar a forma dos candidatos. Murilo reúne hoje o conjunto mais equilibrado de atributos para iniciar ao lado de Marquinhos: tem 27 anos — a idade de pico para zagueiros, segundo estudos de performance da UEFA —, está em boa fase no Nottingham Forest e já conhece o sistema de seleção. Beraldo é a revelação e deve estar na lista dos 26, mas provavelmente como segundo ou terceiro nome na hierarquia. Thiago Silva, se convocado, cumpriria o papel histórico de referência dentro do grupo — assim como Roberto Carlos e Cafu fizeram em 2006, quando não eram mais os titulares incontestáveis, mas ainda agregavam caráter e liderança. O Brasil estreia na Copa do Mundo contra Marrocos em 13 de junho, no MetLife Stadium, e volta a campo pelo Grupo C contra Haiti e Escócia antes da fase eliminatória — tempo mais do que suficiente para o novo par de zagueiros encontrar entrosamento, desde que a escolha seja feita com clareza já na convocação de maio.









