Éder Militão está fora da Copa do Mundo de 2026. A confirmação veio através do jornalista espanhol Miguel Ángel Díaz, da rádio COPE, e foi corroborada pelo Real Madrid na última quinta-feira: o zagueiro precisará de cirurgia no bíceps femoral da perna esquerda, a mesma região que o tirou de campo em dezembro de 2024, quando rompeu o músculo em partida contra o Celta de Vigo. O tempo estimado de recuperação é de quatro meses, tornando inviável qualquer chance de presença na estreia do Brasil, marcada para 13 de junho contra Marrocos, no MetLife Stadium, em Nova Jersey.

"Éder Militão terá que ser submetido a uma cirurgia devido a uma nova lesão nos isquiotibiais da perna esquerda. O brasileiro sofreu uma reabertura da cicatriz da lesão inicial, ocorrida em dezembro contra o Celta. Infelizmente, ele perderá a Copa do Mundo", escreveu Díaz em sua conta no X.

A lesão aconteceu na terça-feira (21), durante a partida do Real Madrid diante do Alavés, e representa a segunda intervenção cirúrgica de Militão na mesma estrutura muscular em menos de seis meses. O clube merengue, que tem o último jogo da temporada previsto para 24 de maio contra o Athletic Bilbao, descartou antecipar o retorno do defensor justamente pelo histórico de recidiva. Com a convocação do técnico Carlo Ancelotti para a seleção brasileira agendada para 18 de maio, o nome de Militão simplesmente não entrará na lista dos 26.

Uma ausência que pesa na história recente

Militão não é apenas mais um nome de zagueiro. Desde que firmou posição no Real Madrid, tornou-se peça de uma das defesas mais vencedoras da última década europeia, sendo titular nas conquistas da Champions League de 2021-22 e 2023-24. Pela seleção brasileira, acumulou mais de 30 partidas com a camisa amarela, formando dupla de zaga com Marquinhos em eliminatórias e Copa América. Sua ausência cria um vácuo que remete, em termos de impacto sistêmico, à saída de Lúcio às vésperas da Copa de 2010, quando o capitão da zaga era figura central no esquema de Dunga.

A análise do SportNavo sobre o histórico defensivo do Brasil nas últimas três Copas revela um padrão preocupante: em 2014, a seleção sofreu 14 gols em sete partidas, incluindo o traumático 7 a 1 diante da Alemanha no Mineirão; em 2018, foram 8 gols sofridos em cinco jogos; em 2022, o time caiu nas quartas com um gol de Croácia no tempo extra. A solidez defensiva sempre foi o nó mais difícil de desatar pela comissão técnica brasileira, e perder Militão agudiza esse problema.

Os candidatos a fechar a zaga ao lado de Marquinhos

Marquinhos, capitão do Paris Saint-Germain, é o único nome inegociável da zaga brasileira. Aos 30 anos, o defensor paulistano acumula mais de 80 partidas pela seleção e já demonstrou capacidade de liderar linhas defensivas tanto no 4-4-2 quanto no 3-5-2. A questão é quem estará ao seu lado. Três nomes dominam o debate.

Bremer, da Juventus, foi revelação da Serie A italiana quando defendia o Torino, com média de 3,2 desarmes por jogo na temporada 2021-22, e chegou a ser eleito o melhor zagueiro do campeonato italiano. Mas uma ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho direito, sofrida em outubro de 2024, também colocou o seu nome em zona de incerteza para o Mundial. Sua recuperação avança, e a Juventus projeta retorno ainda no primeiro semestre de 2025, mas o timing até junho é apertado.

Uma ausência que pesa na história recente Sem Militão, quem fecha a zaga do Bras
Uma ausência que pesa na história recente Sem Militão, quem fecha a zaga do Bras

Gabriel Magalhães, do Arsenal, vive o melhor momento da carreira. Aos 27 anos, o defensor paranaense é titular absoluto de Mikel Arteta e acumula desempenhos consistentes na Premier League e na Champions League. Marcou 7 gols em todas as competições nesta temporada, número que reforça sua capacidade de ser ativo no jogo aéreo ofensivo — um ativo valioso em cobranças de escanteio e faltas. Pela seleção, ainda carece de sequência, mas tem o perfil técnico exigido.

Murillo, do Nottingham Forest, é a opção mais jovem e surpreendente. Aos 22 anos, o defensor teve uma temporada consistente na Premier League, com a camisa do Forest, e já recebeu convocações para a seleção principal. Seu jogo de posicionamento chamou atenção de observadores europeus e pode ser a carta coringa de Ancelotti para uma Copa que exige frescor físico em três jogos por semana.

A decisão que cabe a Ancelotti em 18 de maio

O técnico italiano terá de definir os 26 convocados em 18 de maio, menos de quatro semanas antes da estreia contra Marrocos. O Brasil está no Grupo C, que também inclui Haiti e Escócia, adversários teoricamente manejáveis, mas que exigem uma fase de grupos sem tropeços para não repetir o drama de 2022, quando o time passou em primeiro mas com sinais táticos preocupantes.

Os candidatos a fechar a zaga ao lado de Marquinhos Sem Militão, quem fecha a za
Os candidatos a fechar a zaga ao lado de Marquinhos Sem Militão, quem fecha a za

A história das Copas do Mundo mostra que substituições forçadas por lesão nem sempre são desastre — em 1994, o Brasil foi campeão mesmo sem Renato Gaúcho, cortado por lesão, e com Mazinho e Aldair formando uma zaga improvisada que se revelou sólida. A diferença é que, desta vez, conforme levantamento do SportNavo, a seleção chegará ao Mundial com ao menos dois dos seus três principais zagueiros titulares em processo de recuperação cirúrgica. A convocação de 18 de maio dirá com qual combinação Ancelotti aposta para proteger o gol de Ederson no estádio MetLife e, quem sabe, chegar à final em Nova Jersey no dia 19 de julho.