"Perder Passerini é perder referência, pivô e linha de pressão alta ao mesmo tempo." A frase circula nos bastidores do Gigante de Alberdi desde que o árbitro exibiu o cartão vermelho para Lucas Passerini no confronto contra o Talleres. A ausência do centroavante titular não é uma questão de elenco — é uma questão de sistema.
O que a expulsão de Passerini desestrutura no Belgrano
Passerini exercia função de pivô fixo no esquema do Belgrano: segurava a bola nas costas da defesa adversária, criava linha de pressão alta e liberava Emiliano Rigoni e Lucas Zelarayán para triangulações em meia-distância. Sem ele, o espaço entre as linhas que esses dois ocupavam perde o referencial vertical.
A provável escalação divulgada aponta: Thiago Cardozo; Agustín Falcón, Lisandro López, Leonardo Morales e Adrián Spörle; Adrián Sánchez e Santiago Longo; Emiliano Rigoni, Lucas Zelarayán e Francisco González Metilli; Nicolás Fernández. A entrada de Fernández no lugar de Passerini sinaliza manutenção do 4-2-3-1, mas com perfil de atacante mais móvel.
Uvita como solução — e o risco que isso representa
Franco Jara, o "Uvita", se perfila para ser titular nesta terça-feira, 12 de maio, às 19h, no Gigante de Alberdi. O atacante tem característica oposta à de Passerini: prefere a profundidade em diagonal, atua melhor em transições ofensivas do que como pivô de apoio. Isso muda o ponto de saída das jogadas.
Na avaliação do SportNavo, a adaptação exige que Zelarayán recue alguns metros para compensar a perda de sustentação no centro do ataque. O meio-campo de dois — Sánchez e Longo — precisará de maior compactação para não deixar corredores abertos na transição defensiva.

Há uma leitura alternativa, contudo: Uvita em velocidade pode explorar exatamente a linha defensiva do Unión de Santa Fe, que avançou agressivamente sobre o Independiente Rivadavia em Mendoza. Uma defesa alta é vulnerável ao espaço nas costas — e esse é o habitat natural de Jara.
O Unión vem em forma e o Belgrano não pode subestimar
O "Tatengue" chegou às quartas de final do Apertura com uma das vitórias mais expressivas da fase: derrubou o Independiente Rivadavia em Mendoza, resultado que redefiniu as expectativas em torno do time de Santa Fe. A compactação defensiva do Unión e a velocidade nas saídas em contra-ataque são as marcas táticas dessa campanha.
O confronto, portanto, coloca dois sistemas em tensão: o Belgrano que perdeu seu referencial de jogo posicional e o Unión que prospera justamente quando o adversário não encontra o equilíbrio entre ataque e cobertura. A ausência de Passerini pode ser exatamente o desequilíbrio que o Tatengue precisa para se instalar no jogo.
- Belgrano sem Passerini: pivô ausente, transição ofensiva reconfigurada
- Uvita (Jara): perfil de velocidade e diagonal, menos apoio de costas
- Unión: vem de batacaço em Mendoza, defesa compacta e saída rápida
- Zelarayán: tende a recuar para criar, abrindo espaço para Rigoni avançar
A síntese tática é esta: a expulsão de Passerini não destrói o Belgrano, mas exige uma releitura de funções que raramente é resolvida em 48 horas de treino. Não há tragédia — há contabilidade. E o Unión sabe fazer as contas.
O vencedor desta quarta avança à semifinal do Apertura argentino. Se Uvita confirmar titularidade e o Belgrano conseguir adaptar o sistema, a questão que permanece é concreta: caso o time da casa avance, o próximo adversário chegará sabendo exatamente como pressionar a ausência de um pivô fixo — e como o Belgrano responde a essa leitura na semifinal?








