Aos 18 minutos do segundo tempo no Molineux Stadium, Xavi Simons caiu de forma desajeitada na linha lateral, colocou a mão no joelho direito e não voltou a se levantar. Os exames confirmaram o diagnóstico no domingo seguinte: ruptura do ligamento cruzado anterior. Com recuperação estimada entre 8 e 10 meses, o meia do Tottenham está fora da Copa do Mundo, prevista para começar em junho.

"Eles dizem que a vida pode ser cruel e hoje parece mesmo assim. Minha temporada chegou a um fim abrupto e estou apenas tentando processar isso. Honestamente, estou de coração partido. Representar meu país neste verão, simplesmente acabou", escreveu Simons nas redes sociais.

No ciclo eliminatório, Simons disputou seis partidas pela Holanda, marcou dois gols e deu uma assistência. Os números são modestos em volume, mas a função que ele exercia no sistema de Ronald Koeman vai muito além da estatística bruta.

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O papel de Simons no esquema de Koeman

A Holanda costuma operar em um 4-3-3 com variações para um 4-2-3-1 em fases de construção. Simons atuava como o meia de ligação entre as linhas — o chamado número 10 funcional — com liberdade para se posicionar entre as linhas adversárias e receber de costas para o gol.

Suas principais funções táticas eram:

O papel de Simons no esquema de Koeman Sem Xavi Simons, como a Holanda vai cria
O papel de Simons no esquema de Koeman Sem Xavi Simons, como a Holanda vai cria
  • Recepção em espaços entre a linha de pressão adversária e o bloco defensivo
  • Condução rápida para ativar a transição ofensiva
  • Pivô curto para liberar as chegadas de Memphis Depay e Cody Gakpo pelas alas
  • Compactação no setor central durante a fase defensiva, pressionando a saída de bola adversária

Com a bola, Simons completava média superior a 85% de passes em jogos pela seleção, com frequência alta de passes progressivos — aqueles que avançam pelo menos 10 metros em direção ao gol adversário. Essa capacidade de progredir com bola e sem bola é o que mais escasseia no plantel holandês atual.

Os candidatos para assumir a posição

A análise do SportNavo aponta três nomes com perfis distintos que Koeman pode acionar, cada um com implicações táticas diferentes para o sistema.

Tijjani Reijnders — o mais completo disponível

O meia do AC Milan tem sido um dos jogadores mais consistentes da Europa nesta temporada. Reijnders opera bem como meia-atacante num 4-2-3-1, mas sua vocação é mais de caixa a caixa do que de criador puro entre linhas. Ele acrescenta volume físico e recuperação de bola, mas não replica a mobilidade em espaços reduzidos que Simons oferecia.

Donyell Malen — solução heterodoxa

Utilizado como atacante pelo Borussia Dortmund, Malen pode ser recuado para o corredor direito ou para a meia-esquerda num sistema assimétrico. A vantagem é sua capacidade de driblar em espaços curtos; a desvantagem é o volume de distribuição — seu índice de passes por 90 minutos é significativamente inferior ao de Simons.

Ryan Gravenberch — adaptação de função

O meia do Liverpool tem sido utilizado por Arne Slot numa posição mais profunda, como número 6 ou box-to-box. Adiantá-lo para a função criativa implicaria reorganizar o pivô duplo da Holanda, provavelmente com Jerdy Schouten assumindo maior responsabilidade de marcação.

Impacto sistêmico e o dilema de Koeman

O problema central não é apenas substituir um jogador — é substituir uma função que estava costurada ao sistema. Simons era o ponto de conexão entre o pivô duplo e os três atacantes. Sem ele, a Holanda corre o risco de criar um vazio de ligação no terço médio.

Koeman tem duas rotas táticas principais:

  1. Manter o 4-3-3, com Reijnders na meia-direita e aceitar menor criatividade entre linhas, apostando mais na largura de Gakpo e na profundidade de um ponta direita a definir
  2. Migrar para um 4-2-3-1 mais estruturado, com Malen ou outro jogador de característica de armação atuando atrás do centroavante, ainda que sacrificando equilíbrio defensivo

A segunda opção exigiria que os dois volantes — o pivô duplo — assumissem maior responsabilidade de compactação e cobertura, o que aumenta a exigência física e torna o meio-campo mais vulnerável a contra-ataques.

A Holanda integra o Grupo A da Copa do Mundo ao lado de Argentina, Peru e Senegal. O primeiro jogo ocorre em 13 de junho. Koeman terá as partidas de preparação em maio para testar ao menos uma das configurações antes do torneio — pouco tempo para internalizar mudanças estruturais num sistema que foi construído em torno de Simons nos últimos dois anos.