Cinco. O número que nenhuma seleção africana havia colocado no placar em um único jogo de Copa do Mundo foi atingido pelo Senegal nesta edição de 2026, com uma goleada por 5 a 0 sobre o Iraque que transcendeu o resultado e entrou para os livros de história do futebol continental. Não foi apenas uma vitória — foi uma declaração de força que nenhum predecessor havia conseguido fazer em quase um século de torneio.
Papa Gueye e os Leões que romperam um teto histórico
O protagonista da noite teve nome e sobrenome: Papa Gueye. O meia senegalês foi o grande destaque individual de uma atuação coletiva que demoliu o Iraque e produziu a maior goleada já registrada por uma seleção africana em Mundiais. Antes dele, o recorde pertencia a Marrocos, que bateu o Haiti por 4 a 2 nesta mesma edição — e antes dos marroquinos, à Argélia, que goleou a Coreia do Sul pelo mesmo placar de 4 a 2 na Copa de 2014. Gueye e seus companheiros superaram ambas as marcas com um único jogo.
A vitória garantiu ao Senegal a classificação como um dos oito melhores terceiros colocados da fase de grupos. Com os cinco pontos somados, os senegaleses ocupam a quinta posição entre os melhores terceiros — e, como faltam apenas três vagas para completar esse grupo de oito, a classificação já está matematicamente confirmada.
"Senegal foi a primeira seleção africana a marcar cinco gols em um jogo da competição", registrou o Lance!, descrevendo o feito como um marco inédito para o continente.
O que para o torcedor argentino é uma goleada de Copa — algo que remete ao mítico 6 a 0 na Sérvia em 2006 — para o torcedor senegalês representa uma ruptura de paradigma: a prova de que o futebol africano não apenas compete, mas domina quando está em seu melhor nível.
A quarta Copa e os capítulos que o Senegal já escreveu no torneio
A Copa de 2026 é apenas a quarta participação do Senegal em Mundiais, mas a trajetória do país no torneio é de rara densidade histórica. A estreia veio em 2002 — e que estreia: uma vitória por 1 a 0 sobre a França, então campeã mundial em exercício, logo na primeira rodada. Invictos na fase de grupos, os Leões da Teranga eliminaram a Suécia nas oitavas e chegaram às quartas de final, igualando a melhor campanha de uma seleção africana até aquele momento. Só a Turquia, com um gol de ouro, interrompeu a saga.
Depois vieram os anos de ausência: 2006, 2010 e 2014 ficaram sem a presença senegalesa. O retorno em 2018 foi marcado por um episódio que ainda hoje provoca debate — a eliminação pelo critério de fair play após empate em todos os números com o Japão. Em 2022, o Senegal avançou às oitavas ao superar Catar e Equador na fase de grupos, mas foi derrotado pela Inglaterra. Agora, em 2026, a goleada sobre o Iraque sugere uma seleção mais madura, mais cirúrgica.
A classificação senegalesa contrasta com a situação dramática de outros grupos da fase inicial. Enquanto os Leões da Teranga construíam sua marca histórica, o Grupo L vivia uma tensão paralela em Filadélfia.
Croácia e Gana decidem uma vaga na Filadélfia
No Lincoln Financial Field, em Filadélfia, Croácia e Gana se enfrentam neste sábado (27), às 18h (horário de Brasília), pela terceira e última rodada do Grupo L — o primeiro duelo direto entre as duas seleções na história das Copas. A Inglaterra lidera a chave com quatro pontos, seguida por Gana, também com quatro, mas com saldo de gols inferior. A Croácia aparece em terceiro com três pontos, enquanto o Panamá, com zero, já está matematicamente eliminado.
O técnico croata Zlatko Dalić carrega a pressão de quem viu sua seleção ser goleada por 4 a 2 pela Inglaterra na estreia, se recuperou com uma vitória por 1 a 0 sobre o Panamá — gol de Budimir — e agora depende de si para avançar. A dúvida de Dalić recai exatamente sobre o ataque: Budimir, autor do gol da classificação parcial, disputa vaga com Petar Musa, que foi titular nas rodadas anteriores. A provável escalação aponta para Livakovic; Stanišić, Šutalo, Pongračić e Gvardiol; Modrić e Kovačić; Pašalić, Baturina e Perišić; Budimir.
Do outro lado, Carlos Queiroz comanda um Gana ainda invicto e que não sofreu gols na competição. O goleiro titular Benjamin Asare, que assumiu a posição após a lesão de Lawrence Ati-Zigi, deve ser mantido entre os titulares. A estratégia ganesa é conhecida: velocidade pelas laterais e transições rápidas, com Jordan Ayew e Antoine Semenyo explorando os espaços nas costas da defesa adversária.
"A partida promete equilíbrio, já que as duas seleções ainda brigam pela classificação. A Croácia leva vantagem pela maior experiência em jogos de pressão", avaliou o Netflu, ressaltando o histórico europeu nas fases decisivas.
No mesmo horário, Panamá e Inglaterra se enfrentam em Nova Jersey — o que torna o cenário ainda mais intrincado. A Inglaterra pode terminar a rodada como líder do grupo ou ver a chave ser decidida nos detalhes de saldo e gols marcados. Para o Senegal, porém, o olhar já está no mata-mata. Os Leões da Teranga aguardam seus próximos adversários na segunda fase — e chegam a ela com o peso de cinco gols anotados, um recorde continental, e a confiança de quem sabe que 2002 não foi um acidente.










