Sábado, 9 de maio de 2026. Aos 45 minutos do segundo tempo, Kevin Serna empurrou a bola para o fundo da rede e impediu que o Fluminense saísse do Maracanã com uma derrota para o Vitória. O placar final foi 2 a 2. Quatro jogos sem vencer. Três pontos perdidos que custariam a vice-liderança do Brasileirão.

O que aconteceu no vestiário antes de o jogo virar

O Fluminense entrou em campo com a vantagem de jogar em casa e com a expectativa de encostar no Flamengo, segundo colocado com os mesmos 27 pontos. Até o intervalo, o cenário parecia administrável: o time abriu o placar e controlava as ações. No segundo tempo, o roteiro se repetiu — o mesmo que vem se repetindo há semanas.

Com pelo menos duas chances claras desperdiçadas logo após o intervalo, o Fluminense não transformou superioridade em gol. O Vitória, sem criar volume ofensivo expressivo, virou o marcador. A incapacidade de matar jogos não é novidade: é um padrão documentado nesta temporada, que já custou pontos em partidas anteriores da Libertadores e do próprio Brasileirão.

O que aconteceu no vestiário antes de o jogo virar Serna salva o Flu nos acrésci
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Serna quebrou um jejum de 76 dias sem marcar — o último gol havia sido na semifinal do Carioca, em 22 de fevereiro. O colombiano, contratado em 2024 por aproximadamente 3,5 milhões de euros segundo dados do Transfermarkt, tem valor de mercado estimado atualmente em 4 milhões de euros. Ele é reserva, mas tem sido o recurso de emergência mais acionado pelo técnico Luis Zubeldía nos momentos críticos.

"Um pouco triste. Queríamos a vitória aqui em casa. É normal que a torcida fique um pouco chateada com o resultado. Sabemos que nós somos muito fortes e não podemos errar. O resultado positivo era importante para manter a confiança para o time, ainda mais nesta fase tão importante, de Copa do Brasil e Libertadores", disse Serna ao SporTV.

Zubeldía na coletiva e o diagnóstico que a torcida já conhecia

O técnico argentino Luis Zubeldía foi vaiado durante a partida. Gritos de "burro" ecoaram nas arquibancadas do Maracanã — e, na coletiva posterior, ele não tentou desviar do assunto.

"Quando os resultados não acontecem e não se joga ou ganha como esperam, as consequências já sabemos. Sempre os torcedores estão no direito de apoiar ou reprovar, para isso pagam o ingresso", declarou o treinador.

A admissão pública é rara no futebol brasileiro, onde técnicos costumam blindar o elenco com narrativas de processo. Zubeldía foi além e identificou o problema com precisão cirúrgica: o nervosismo nos momentos decisivos derruba o padrão técnico da equipe.

"Analisando o jogo, me parece que até o empate a equipe tinha o controle do jogo, tinha situações de gol. Jogamos várias partidas que não matamos o jogo. Hoje tivemos poucas situações, o rival passou na frente. Jogar com esse nervosismo não é fácil. Com um golpe, em 10 minutos vira tudo", analisou.

O diagnóstico é correto. O problema é que ele já foi dado antes. A sequência atual — quatro jogos sem vitória — inclui partidas em competições distintas, o que amplia o impacto institucional da crise. No Brasileirão, o Fluminense está em terceiro com 27 pontos, empatado com o Flamengo. O São Paulo aparece logo atrás, com 24.

O custo financeiro e institucional de não vencer em casa

Quatro jogos sem vencer têm preço. No modelo de receita do futebol brasileiro atual, renda de bilheteria, cotas de TV e bônus de classificação estão diretamente atrelados a desempenho. O Fluminense, que ainda carrega dívidas relevantes do período pré-Libertadores 2023, não tem margem para desperdiçar pontos que valem posicionamento em tabela — e, consequentemente, cotas maiores ao final da temporada.

A dependência de Serna como válvula de escape também levanta questões sobre o planejamento do elenco. O atacante colombiano tem contrato até dezembro de 2026, e seu valor de mercado de 4 milhões de euros representa um ativo razoável para um eventual negócio na janela de julho. Usá-lo como bombeiro recorrente nos acréscimos é uma forma de consumir capital humano sem retorno tático estruturado.

O levantamento feito pelo SportNavo sobre os últimos quatro jogos do Fluminense mostra que o time sofreu ao menos um gol após os 75 minutos em três deles — um padrão de queda física e mental que não se resolve com ajustes pontuais de escalação.

Para efeito de comparação histórica: o Fluminense de 1997, que terminou rebaixado para a Série B pela primeira vez na história, também acumulou uma sequência de quatro jogos sem vencer no primeiro semestre — e o clube levou mais seis rodadas para reagir. A situação atual não é a mesma em termos de tabela, mas o padrão comportamental dentro de campo tem similaridades que os mais velhos da torcida reconhecem.

Zubeldía tentou contextualizar a crise: o Fluminense está em terceiro no Brasileirão e ainda depende de si mesmo para avançar na fase de grupos da Libertadores, mesmo ocupando a lanterna do seu grupo. O argumento é matematicamente correto. O problema é que argumentos matemáticos não vencem jogos.

A próxima decisão já tem data marcada. Na terça-feira, 13 de maio, às 21h30, o Fluminense recebe o Operário no Maracanã pela Copa do Brasil. O jogo de ida terminou empatado, o que significa que qualquer resultado que não seja vitória tricolor pode eliminar o clube da competição. Perder a Copa do Brasil neste estágio representaria não apenas redução de receita — os valores de premiação chegam a R$ 5 milhões por fase —, mas também o estreitamento das frentes competitivas em que o elenco pode se apoiar para justificar o investimento da temporada.