Duas cenas que gelaram a espinha de treinadores e torcedores ocorreram com intervalo de poucos dias: Xavi Simons saindo de maca após torção no tornozelo na partida entre Wolves e Tottenham, pela Premier League, e Kylian Mbappé pedindo substituição aos 35 minutos do segundo tempo no confronto do Real Madrid contra o Betis, com desconforto no músculo posterior da coxa esquerda. Com a Copa do Mundo a menos de 50 dias de distância, Holanda e França assistem, apreensivas, à janela de recuperação de suas duas principais peças encolher a cada dia que passa.

As lesões e o que se sabe até agora

No caso de Mbappé, o técnico do Real Madrid Álvaro Arbeloa foi objetivo após o empate cedido nos acréscimos contra o Betis:

"Ele sentiu um desconforto e vamos ver nos próximos dias como vai evoluir."
A equipe médica merengue identificou sobrecarga muscular na coxa esquerda, mas exames mais detalhados em Madrid ainda precisavam confirmar a gravidade. O Real, que somava 74 pontos e acumulava apenas uma vitória nas últimas seis partidas, viu a noite piorar duplamente: perdeu Mbappé e cedeu o empate.

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Xavi Simons, por sua vez, sofreu torção no tornozelo e deixou o gramado em maca durante a vitória do Tottenham sobre o Wolverhampton. A cena provocou reação imediata de torcedores holandeses nas redes sociais — um deles resumiu o sentimento coletivo:

"Agora o Xavi Simons se lesionou. Está tudo contra nós."
Outro chegou a rogar preces para que não fosse uma ruptura de ligamento cruzado anterior, lesão que interromperia qualquer chance de participação no Mundial.

O peso histórico das lesões pré-Copa

Quem acompanha o futebol há décadas sabe que lesões em véspera de Copa do Mundo não são raridade — são uma constante que periodicamente reescreve roteiros. Em 1962, o Brasil perdeu Pelé ainda na fase de grupos, após a partida contra a Tchecoslováquia, e precisou improvisar com Amarildo, que marcou dois gols na campanha do bicampeonato. Em 2002, Ronaldo havia sofrido convulsão às vésperas da final da Copa de 1998 e apareceu em campo num estado físico debatido até hoje — quatro anos depois, com dois gols na final contra a Alemanha em Yokohama, silenciou os céticos.

A Holanda tem razões adicionais para se preocupar. Em 2010, na final contra a Espanha em Joanesburgo, Arjen Robben entrou debilitado por problemas físicos acumulados e perdeu a decisão por 1 a 0, no prolongamento, gol de Andrés Iniesta. A Laranja Mecânica conhece o custo de chegar ao torneio sem seus principais nomes em plena condição. Xavi Simons, aos 22 anos, acumula 19 participações em gols pela seleção holandesa nas Eliminatórias e na Liga das Nações — números que o colocam como engrenagem insubstituível no esquema de Ronald Koeman.

A análise do SportNavo sobre as últimas quatro edições da Copa do Mundo mostra que, em média, cada seleção finalista perdeu ao menos um jogador de impacto direto por lesão entre os 45 dias anteriores ao início do torneio e a fase de grupos. Isso reforça que o monitoramento médico nessa janela é tão decisivo quanto qualquer preparação tática.

O que está em jogo para França e Holanda

A França estreia na Copa do Mundo no dia 16 de junho contra o Senegal, tendo ainda Iraque e Noruega no grupo. Mbappé chega ao torneio como o principal nome do ataque francês desde a Copa de 2018, quando a equipe conquistou o tetracampeonato em Moscou batendo a Croácia por 4 a 2. Em 2022, no Qatar, foi artilheiro do torneio com oito gols, incluindo hat-trick na final contra a Argentina — derrota nos pênaltis após 3 a 3 no tempo regulamentar. Uma ausência de Mbappé seria, numericamente, a maior perda ofensiva francesa desde a aposentadoria de Thierry Henry, artilheiro dos Blues com 51 gols em 123 jogos.

Para a Holanda, o cenário sem Simons obrigaria Koeman a repensar estruturalmente o meio-campo. A seleção holandesa não vence uma Copa do Mundo — foram três finais perdidas, em 1974 para a Alemanha Ocidental (2 a 1), em 1978 para a Argentina (3 a 1 na prorrogação) e em 2010 para a Espanha. O elenco atual, com Virgil van Dijk, Cody Gakpo e o próprio Simons, é considerado o mais completo desde a geração de Robben e Van Persie, vice-campeã em 2010.

Os substitutos possíveis e a corrida contra o relógio

Caso Mbappé não se recupere a tempo, Didier Deschamps teria em Marcus Thuram — 14 gols pelo Inter de Milão na temporada — e Ousmane Dembélé as alternativas mais imediatas. O Real Madrid, por sua vez, tem interesse em poupar o francês da reta final da La Liga, onde o clube soma 74 pontos e mantém a segunda colocação com 11 pontos de folga para o Villarreal, terceiro colocado. Essa margem pode ser o fator que determina uma recuperação tranquila em vez de forçada.

No caso de Simons, o Tottenham — que briga contra o rebaixamento na 17ª posição da Premier League — torce para que a torção no tornozelo seja de baixa complexidade. Os exames realizados nos próximos dias definirão se o meia-atacante chega ao Mundial em forma ou se Koeman precisará acionar Tijjani Reijnders, do AC Milan, como substituto de peso no esquema holandês. A França estreia no dia 16 de junho; a Holanda tem calendário igualmente apertado. O prazo para recuperação existe — mas não comporta contratempos adicionais.