Chegou. Jannik Sinner pisou no Foro Italico neste sábado, despachou o austríaco Sebastian Ofner em 6/3 e 6/4 — em pouco mais de 1h30 — e registrou sua 29ª vitória consecutiva em torneios Masters 1000, igualando a sequência que Roger Federer construiu em 2006. Os números colocam o italiano na terceira posição histórica da série, inaugurada em 1990. Acima dele, existe apenas um nome: Novak Djokovic.

A régua histórica que Sinner precisa superar

Para entender o que está em jogo, o contexto numérico é indispensável. Federer chegou a 29 vitórias seguidas em Masters 1000 em 2006 — marca que resistiu quase duas décadas antes de Sinner alcançá-la neste sábado em Roma. Djokovic, contudo, está em outro patamar: o sérvio detém as duas maiores sequências da história, com 31 vitórias consecutivas em 2011 e outras 30 entre 2013 e 2014. Sinner precisa de mais duas vitórias para igualar a segunda maior sequência do sérvio e de três para bater o recorde absoluto. O caminho passa pelos próximos jogos em Roma — onde o italiano ainda não tem título — e eventualmente por Roland Garros.

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O que torna a comparação ainda mais reveladora é o contexto geracional. Quando Federer construiu sua sequência em 2006, o tênis vivia a transição entre a dominância suíça e a chegada de Rafael Nadal no saibro. Quando Djokovic estabeleceu o recorde em 2011, ele inaugurou uma era de hegemonia que durou mais de uma década. Sinner, aos 24 anos, parece estar construindo a terceira grande era — e os dados do SportNavo confirmam que a curva ascendente do italiano é a mais acentuada que o circuito masculino viu desde a consolidação de Djokovic.

49 vitórias em 50 jogos contra o top 10 revelam um padrão assustador

A sequência em Masters 1000 não é um fenômeno isolado. Nos últimos 50 confrontos contra tenistas do top 10, Sinner venceu 49. A única derrota foi diante de Djokovic na semifinal do Australian Open 2026, quando o sérvio venceu em cinco sets. Fora essa exceção, o italiano acumula 9 vitórias consecutivas sobre Alexander Zverev (3º do ranking), 13 sobre Alex de Minaur (8º) e duas seguidas sobre Carlos Alcaraz (2º). Contra Felix Auger-Aliassime, Ben Shelton, Taylor Fritz e Daniil Medvedev, o aproveitamento é de 100% nos últimos confrontos.

O que o jogo de sábado contra Ofner evidenciou não foi apenas o resultado, mas a eficiência com que Sinner opera sob pressão mínima: 82% de pontos ganhos com o primeiro serviço, 19 winners, apenas 16 erros não forçados e nenhum break point concedido. O que para um torcedor do Atlético de Madrid seria dominância tática absoluta, para um seguidor do Boca Juniors seria algo mais visceral — mas a leitura estatística é a mesma: um atleta que raramente permite ao adversário sequer formular uma ameaça.

"É uma sensação incrível estar de volta. Na primeira partida, o mais importante é não perder. O nível virá com o tempo. Estou muito feliz por estar aqui. Todo ano, quando venho aqui, reflito um pouco sobre o ano que passou, sendo italiano, e muita coisa pode mudar em um ano", disse Sinner após a vitória sobre Ofner no Foro Italico.

O Career Golden Masters e o território exclusivo de Djokovic

A sequência de vitórias consecutivas é apenas uma das fronteiras que Sinner persegue em 2026. Na semana passada, em Madri, o italiano se tornou o primeiro tenista da história a vencer cinco Masters 1000 consecutivos — Paris, Indian Wells, Miami, Monte Carlo e Madri. Agora, ele mira o Career Golden Masters: conquistar todos os nove torneios da categoria ao longo da carreira. Desde o início da série, em 1990, apenas Djokovic completou esse ciclo. Sinner ainda não tem o título de Roma — o último italiano a vencer no Foro Italico foi Adriano Panatta, em 1976 — e também busca outros títulos que ainda faltam em sua coleção.

A temporada 2026 já registra 31 vitórias e apenas 2 derrotas para o número 1 do mundo. Uma delas foi justamente para Djokovic no Australian Open, o que torna o head-to-head entre os dois um dos dados mais relevantes da perseguição ao recorde. Sinner ainda não bateu o sérvio em 2026, mas a sequência de 9 vitórias sobre Zverev e o domínio absoluto sobre o restante do top 10 indicam que o único obstáculo real ao recorde de vitórias consecutivas em Masters 1000 é o próprio Djokovic — ou um dia ruim numa quadra de saibro.

"Estive extremamente tenso desde o início da partida. Para mim, significa muito ter esse tipo de partida, especialmente contra um jogador do Top 10", disse Nikoloz Basilashvili após eliminar Ben Shelton no mesmo dia em que Sinner construía história em Roma — uma declaração que resume o peso que qualquer confronto contra um top 10 carrega neste circuito.

O que os próximos jogos em Roma definem para Roland Garros

Na terceira rodada, Sinner enfrenta o australiano Alexei Popyrin — único tenista que já derrotou o italiano no saibro, em Madri em 2021, embora o head-to-head atual favoreça Sinner por 2 a 1. Uma vitória sobre Popyrin levaria o italiano à marca de 30 consecutivas em Masters 1000, igualando a segunda maior sequência de Djokovic. Avançar ainda mais no torneio significaria entrar em Roland Garros com um momentum estatístico sem precedentes na era pós-Djokovic.

Chegou — e desta vez, diferente de 2025, quando caiu na final diante de Carlos Alcaraz neste mesmo torneio, Sinner parece ter chegado com o recorde na mira e um nível de jogo que os números de Roma já começam a confirmar.