Bateu. Jannik Sinner venceu Andrey Rublev por 6-2 e 6-4 em 1h32 no Stadio Centrale, em Roma, e chegou à 32ª vitória consecutiva em Masters 1000 — superando os 31 de Novak Djokovic, que havia sido igualado dois dias antes. A narrativa que circulou na semana foi a de um recorde perseguido. Os números contam outra história.

O recorde que Sinner não estava caçando

A percepção popular é a de um atleta em modo caçador, contando vitórias. A realidade estatística é mais fria: Sinner perdeu apenas dois sets nos 32 jogos desta sequência. Nesta partida específica, registrou apenas 5 erros não forçados no primeiro set e manteve 69% de aproveitamento com o primeiro serviço no set inicial — abaixo do seu padrão habitual acima de 75%, mas suficiente para não dar a Rublev sequer uma chance real de break no parziale de abertura.

"Não jogo para os recordes — jogo para escrever a minha história e procuro sempre fazer o meu melhor", disse Sinner após a vitória, repetindo o que já havia declarado ao longo da semana.

A striscia de 32 vitórias abrange cinco torneios diferentes: Paris (2025), Indian Wells, Miami, Montecarlo e Madrid (2026), com Roma em construção. Djokovic construiu sua sequência de 31 entre 2010 e 2011. Antes deles, Thomas Muster chegou a 35 vitórias seguidas em 1995, e Rafael Nadal atingiu 32 em 2008 — exatamente o número que Sinner acaba de alcançar. A diferença é que Sinner ainda está jogando.

O que os dados da partida contra Rublev realmente mostram

Rublev entrou em quadra apostando na estatística. "Estou contente de enfrentá-lo porque vence há tanto tempo que talvez o dia da derrota seja justamente contra mim", declarou o russo antes do jogo. O head-to-head entre os dois, porém, já sinalizava o desfecho: Sinner havia vencido 7 dos 10 confrontos diretos da carreira, incluindo os últimos encontros em superfícies rápidas e saibro.

O segundo set expôs a única fissura real de Sinner no torneio: com 46% de primeiro serviço, o italiano sofreu o primeiro break concedido nos Internazionais d'Italia 2026, saindo de 4-1 para 4-3. A reação foi imediata — ele fechou o set em 6-4, servindo um ace para abrir o game decisivo. Dez vitórias consecutivas em quartas de final de Masters 1000, sem derrota nessa fase desde Montreal 2024, quando justamente Rublev o eliminou.

Sinner e Panatta — a comparação que Roma precisava fazer

Há outro recorde nesta semifinal que merece contexto histórico. Sinner se torna apenas o segundo italiano a alcançar duas semifinais no Foro Itálico, ao lado de Adriano Panatta, que o fez em 1976 e 1978. Desde Guga em Roland Garros no ano 2000, nenhum tenista do circuito ATP havia acumulado tantas referências históricas em uma única semana de torneio. A comparação com Panatta, no entanto, é mais simbólica do que técnica: o tênis de 1978 e o de 2026 são esportes com o mesmo nome e regras completamente distintas em termos de físico e tática.

"Em termos numéricos, não foi nem a melhor partida de Sinner — e ainda assim Rublev não teve resposta", registrou a cobertura do Il Fatto Quotidiano, sintetizando o que os dados confirmam.

A leitura mais precisa desta sequência de 32 vitórias não é a de um recordista em busca de marcas. É a de um número 1 do mundo que transformou os Masters 1000 em uma rota de máquina — perdendo sets em apenas dois dos 32 jogos, com Carlos Alcaraz fora de combate até a temporada no saibro por lesão no pulso direito. Na sexta-feira, 15 de maio, Sinner enfrenta o vencedor de Medvedev x Landaluce pela semifinal dos Internazionais d'Italia. Uma vitória o colocaria na final em busca do sexto Masters 1000 consecutivo — o único título da categoria que ainda falta ao seu palmarès.