A água estava fria na Barragem do Bezerro, em José de Freitas, interior do Piauí, quando a atleta que chegou ao bloco de largada carregando a faixa do Maranhão cruzou a linha de chegada dos 4km juvenil à frente de todas as rivais. Era 12 de março, e Sofia Duailibe encerrava aquele fim de semana com três medalhas de ouro e uma de prata — o tipo de resultado que transforma uma promessa em nome obrigatório de qualquer conversa sobre o futuro das águas abertas brasileiras.
O que a 3ª etapa em José de Freitas revelou sobre Sofia Duailibe
Na 3ª etapa da Copa Brasil de Águas Abertas 2026, disputada nos dias 11 e 12 de março na Barragem do Bezerro, Sofia varreu a categoria Juvenil: ouro nos 1,5km, ouro nos 2,5km e ouro nos 4km. A sequência já seria notável por si só, mas o que elevou a performance a outro patamar foi a prata nos 4km da categoria Geral Feminina — ou seja, a atleta juvenil terminou à frente de competidoras de categorias superiores na prova mais longa do dia. Com esses quatro pódios, Sofia chegou a 10 pódios acumulados na Copa Brasil 2026, marca que a coloca sozinha no topo entre as atletas da sua faixa etária no circuito nacional.

"Estou muito feliz pelos resultados que conquistei nessa etapa da Copa Brasil, agora é intensificar a preparação para os próximos desafios. Agradeço aos meus patrocinadores e apoiadores, que são fundamentais para que eu siga evoluindo e representando o Maranhão no cenário nacional da natação", afirmou Sofia Duailibe após as provas em José de Freitas.
A atleta compete pela Atlef/Nina e tem suporte do governo do Estado do Maranhão e do Centro Elétrico via Lei de Incentivo ao Esporte, além do Colégio Literato e da Expert Distribuidora. A estrutura de apoio é relevante porque águas abertas exige logística intensa — deslocamentos constantes, diferentes condições de água e clima, e um calendário que, em 2026, já levou Sofia a competir no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Piauí, Maranhão, Alagoas e Distrito Federal nos primeiros cinco meses do ano.
Sete medalhas em maio e a sequência que comprova consistência
Se José de Freitas foi o pico de regularidade individual, maio de 2026 foi o mês que demonstrou resistência física e mental. Entre os dias 5 e 7 de maio, Sofia disputou a 5ª etapa da Copa Brasil e o Campeonato Brasileiro de Águas Abertas, ambos realizados em São Luís — sua cidade, o que adicionou pressão extra à competição. O resultado: bronze no revezamento juvenil misto do Brasileiro, ouro juvenil e geral nos 1,5km da Copa Brasil, e ouro juvenil com prata na categoria geral nos 4km. Cinco medalhas em três dias.
Dois dias depois, nos dias 9 e 10 de maio, Sofia viajou para Maragogi (AL) para a 6ª etapa da Copa Brasil. Com desgaste acumulado de uma semana de competições de alto nível, a maranhense ainda assim conquistou duas pratas na categoria Juvenil, nos 2,5km e nos 4km. O total de maio: sete medalhas em 13 dias — uma cadência que, para efeito de comparação, supera o número de pódios que boa parte das nadadoras adultas do circuito nacional conquista em toda uma temporada da Copa Brasil.
A sequência de Brasília completou o ciclo. Na 13ª edição da Copa Brasil de Águas Abertas, realizada no Iate Clube de Brasília, Sofia somou mais dois pódios: prata nos 4km e bronze nos 2,5km da categoria Juvenil. Resultados que, isolados, já seriam expressivos — dentro do contexto de um calendário comprimido, tornam-se indicadores de um nível físico e técnico fora da curva para uma atleta juvenil.
Da temporada de 2025 ao posto de referência nacional em 2026
A trajetória de Sofia Duailibe não é uma revelação súbita. Em 2025, ela encerrou a Copa Brasil de Águas Abertas com dois títulos individuais de prestígio: melhor atleta juvenil do ano e atleta mais eficiente da categoria Geral Feminino — uma combinação que nenhuma outra nadadora do circuito havia conquistado simultaneamente naquela edição. A temporada de 2026 começou exatamente de onde 2025 terminou.
Em fevereiro, na etapa de abertura da Copa Brasil em Porto Alegre, Sofia venceu os 1,5km e os 4km juvenis e ainda subiu ao pódio como prata na categoria Geral Feminina nas mesmas distâncias — quatro pódios logo na estreia do ano. Na 2ª etapa em Itajaí (SC), foram duas pratas nos 1,5km e 2,5km juvenis. A progressão de resultados ao longo das etapas — de pratas em Itajaí para três ouros em José de Freitas — indica não apenas constância, mas uma curva ascendente de desempenho que se sustenta em diferentes condições de água, distância e nível de concorrência.
O padrão técnico de Sofia chama atenção especialmente pela versatilidade entre distâncias. Dominar os 1,5km exige velocidade de largada e gestão de ritmo em percurso curto; os 4km demandam resistência aeróbica, controle de hidratação e leitura de corrente. Atletas que competem com consistência nos dois extremos de distância dentro de um mesmo fim de semana são raras no circuito juvenil nacional — e Sofia faz isso repetidamente, em etapas consecutivas.
O calendário da Copa Brasil de Águas Abertas ainda tem etapas pela frente em 2026, e Sofia Duailibe chega às próximas disputas como a atleta juvenil com mais pódios no circuito na temporada. A construção que ela apresentou até aqui — etapa por etapa, distância por distância — lembra menos uma escalada esportiva e mais a estrutura de uma composição musical que vai adicionando camadas: cada nova etapa não repete a anterior, acrescenta.










