114 a 95. O placar do AT&T Center na noite de terça-feira (28) encerrou a temporada de estreia de Tiago Splitter como técnico na NBA. O Portland Trail Blazers perdeu o Jogo 5 da primeira rodada dos playoffs para o San Antonio Spurs e foi eliminado com a série em 4 a 1. A derrota dói, mas os números da temporada contam uma história diferente.
A temporada que ninguém esperava de Portland
Splitter terminou a temporada regular com 42 vitórias e 40 derrotas — melhor campanha dos Blazers desde 2021. Para um time que passou os últimos anos em reconstrução, chegar aos playoffs na primeira temporada do técnico brasileiro é um resultado que vai além do óbvio. O catarinense de 40 anos virou história antes mesmo dos playoffs: foi o primeiro técnico brasileiro a comandar um time na pós-temporada da NBA.
Nos playoffs, Portland mostrou resiliência. No Jogo 2, os Blazers venceram os Spurs em San Antonio. No Jogo 4, chegaram a abrir 15 pontos de vantagem antes da virada dos anfitriões, que contaram com o retorno de Victor Wembanyama após lesão. Esses momentos mostram que o time de Splitter não foi passivo — ele criou problemas reais para o favorito da série.

O que travou Portland na decisão
No Jogo 5, a eliminação ficou clara já no primeiro quarto. Julian Champagnie, praticamente ignorado pelo esquema defensivo dos Blazers, acertou três bolas de três consecutivas e colocou os Spurs com dez pontos de vantagem em apenas três minutos. Splitter pediu tempo, mas sem efeito. Ao intervalo, a diferença já era de 20 pontos — 65 a 45.
A bola de três foi o grande problema dos visitantes. No primeiro tempo, Portland converteu apenas 17% dos arremessos de longa distância, contra 40% dos Spurs. Deni Avdija foi o único que conseguiu pontuar com consistência no ataque dos Blazers. No terceiro quarto, Splitter tentou colocar Vit Krejci e Sidy Cissoko, mas as mudanças não surtiram efeito no placar.
O último quarto trouxe um momento de esperança. Com Avdija no banco, Portland encaixou uma sequência de 11 a 0 e reduziu para nove pontos de diferença. O técnico do Spurs, Mitch Johnson, pediu tempo para reorganizar o time. Foi De'Aaron Fox no ataque e Wembanyama na defesa — seis bloqueios no total — que sufocaram a reação e garantiram os 114 a 95 finais.
Splitter técnico e a régua dos estreantes
Na avaliação do SportNavo, Splitter entregou uma das melhores estreias de técnico na NBA nos últimos anos considerando o contexto da franquia. Portland não era candidato a nada antes da temporada. Chegar aos playoffs com saldo positivo de dois jogos e arrancar vitórias contra um dos times mais jovens e talentosos da liga coloca o catarinense numa posição respeitável no mercado de treinadores da NBA.
A trajetória de Splitter dentro das quadras tem peso nessa leitura. Ele foi draftado pelo próprio Spurs em 2007, na 26ª posição, estreou na liga em 2010 e foi campeão da NBA em 2014 — o primeiro brasileiro a conquistar o título. Lesões no quadril e nas panturrilhas encerraram a carreira em 2018, após passagens por Atlanta Hawks e Philadelphia 76ers. A volta à NBA como técnico tem simbologia óbvia: foi justamente o San Antonio que o eliminou.
"Splitter fez partidas muito duras nos playoffs, sem, contudo, conseguir fechar bem as partidas e garantir os resultados", avaliou a ESPN Brasil após a eliminação.
O que vem pela frente
Os Spurs enfrentam nas semifinais de conferência o vencedor da série entre Denver Nuggets e Minnesota Timberwolves. Para Portland, começa agora o trabalho de offseason. O elenco tem peças jovens, com Deni Avdija como referência ofensiva, e Splitter tem base para construir algo mais sólido na próxima temporada.
O contrato do técnico com os Blazers segue vigente. Segundo apuração do SportNavo, a franquia avaliou positivamente o trabalho de Splitter ao longo da temporada e não há pressão interna por mudança no comando. Com o Draft de 2026 no horizonte e mais uma temporada de desenvolvimento do elenco, Portland volta às quadras em outubro com o objetivo claro de ir além da primeira rodada.









