"Miles off." Duas palavras, em inglês, que Lance Stroll usou para resumir o estado atual do regulamento técnico que a Fórmula 1 planeja implementar em 2026 — e que já causam ondas nos bastidores do paddock. O piloto canadense da Aston Martin não papou mosca: na véspera do GP de Miami, deixou claro que, na sua visão, os carros da nova era ainda estão muito aquém do necessário para entregar uma competição de alto nível.
A crítica que veio de dentro do paddock
Stroll não está sozinho nessa avaliação. A Aston Martin figura entre as equipes que formalmente solicitaram ajustes ao regulamento antes da temporada de 2026 entrar em vigor. O piloto de 26 anos foi direto ao ponto ao comentar o pacote técnico vigente, afirmando que a Fórmula 1 ainda precisa percorrer um longo caminho até que os novos carros atinjam o padrão esperado.
"Ainda estamos muito longe do ideal. Há muito trabalho a ser feito antes de chegarmos onde precisamos estar", disse Stroll ao ser questionado sobre o estado do regulamento técnico de 2026.
O foco das preocupações recai principalmente sobre o novo sistema de energia, que combina motor de combustão interna com uma unidade elétrica substancialmente mais poderosa do que a atual — algo em torno de 350 kW de potência elétrica, contra os cerca de 120 kW do layout atual. Essa redistribuição de força muda radicalmente a dinâmica de curva e a filosofia aerodinâmica dos projetos.

Miami como campo de teste para as primeiras mudanças
O GP de Miami, que acontece no circuito de 5,41 km no Hard Rock Stadium, ganhou um papel adicional neste calendário: será o palco onde a F1 aplica o primeiro pacote de refinamentos ao regulamento técnico de 2026. As mudanças foram negociadas entre os stakeholders — equipes, FIA e a própria Formula One Management — após uma rodada de reuniões técnicas que reuniu representantes de todas as dez equipes do grid.
A análise do SportNavo apurou que as alterações iniciais concentram-se nos parâmetros de gerenciamento de energia durante a corrida, especialmente na forma como o sistema híbrido pode ser acionado nas zonas de frenagem — um ponto que gerou debate intenso entre engenheiros da Red Bull, Mercedes e justamente da Aston Martin nas últimas semanas.
"É um primeiro passo, mas ainda há muito para refinar. Miami vai nos mostrar se estamos indo na direção certa", afirmou uma fonte técnica próxima à equipe de Silverstone, conforme apurado pelos meios especializados.
O que muda na conta do campeonato
Do ponto de vista estratégico, qualquer alteração no regulamento de energia afeta diretamente as simulações de pit stop e a gestão de pneus ao longo de uma corrida. Em 2024, a Aston Martin sofreu queda de desempenho acentuada ao longo da temporada — saindo de 6 pódios nas primeiras 8 etapas para apenas 1 nos 14 GPs seguintes — e parte desse colapso foi atribuída à dificuldade em gerenciar a degradação dos compostos Pirelli em contextos de alto download aerodinâmico. Se o novo regulamento mantiver essa característica, equipes como a Aston Martin correm risco de repetir o padrão.
No campeonato de construtores atual, a equipe verde-britânica soma pontos modestos se comparada ao ritmo que esperava para 2025, o que torna as definições técnicas para 2026 ainda mais urgentes. Cada décimo negociado agora nos documentos da FIA pode equivaler a segundos de gap no calendário de 24 etapas que se aproxima.
Perspectivas concretas para Silverstone e além
O prazo para a próxima rodada de revisões ao regulamento de 2026 está marcado para antes do GP da Grã-Bretanha, em julho, quando as equipes poderão apresentar novos dados de simulação baseados nas corridas de Miami e nas etapas seguintes. A Aston Martin, que opera sua fábrica a poucos quilômetros do circuito de Silverstone, tem interesse direto em que as regras finais favoreçam projetos de alta eficiência aerodinâmica — filosofia que o diretor técnico Dan Fallows vem desenvolvendo desde que chegou à equipe em 2022. O GP de Miami começa neste domingo com largada programada para as 16h locais (21h no horário de Brasília).








