Vinte e nove anos. Esse número parece pequeno escrito assim, em dois dígitos. Mas quando você coloca em perspectiva — 1997, o ano em que o Stuttgart levantou a Copa da Alemanha pela última vez, o mundo ainda discutia a morte de Lady Di e ninguém sabia o que era um smartphone — a magnitude do jejum começa a pesar. Neste sábado, 23 de maio, às 15h (de Brasília), no Olympiastadion de Berlim, o Stuttgart tem a chance de enterrar esse número de uma vez por todas. Do outro lado do gramado: o Bayern de Munique, campeão da Bundesliga com 89 pontos e fome de dobradinha.
O número que define o Stuttgart antes mesmo do apito inicial
Seria injusto chamar de maldição — mas é uma maldição em escala doméstica. Desde aquela Copa da Alemanha de 1997, o Stuttgart passou por rebaixamentos, retornos, campanhas de Champions League e reconstruções completas de elenco. Chegou a finais europeias, formou jogadores que foram estrelas em outros clubes, mas a taça nacional ficou em branco. Nesta temporada 2025/2026, a equipe comandada por Sebastian Hoeness garantiu vaga na próxima Champions League e chegou à final passando por Braunschweig (4 a 4 nos pênaltis), Mainz (2 a 0), Bochum (2 a 0) e Holstein Kiel (3 a 0). A semifinal contra o Freiburg foi no fio da navalha: empate no tempo normal, classificação na prorrogação com gols de Deniz Undav e Tiago Tomas. Não foi bonito. Foi necessário.
O Bayern, por sua vez, chegou aqui com a elegância de quem já tem o troféu mais pesado na mão. Vincent Kompany construiu uma campanha impressionante na Bundesliga — 89 pontos, apenas uma derrota em toda a temporada, 122 gols marcados. Na Copa, despachou Wehen (3 a 2), Colônia (4 a 1) e RB Leipzig (2 a 0). Na semifinal, eliminou o Bayer Leverkusen fora de casa por 2 a 0, com gols de Harry Kane e Luís Díaz. Segundo o próprio Kompany, em declarações à imprensa alemã na véspera da final, o grupo está preparado para fechar o ciclo com chave de ouro.
"Queremos terminar essa temporada da forma que ela merece — com mais um título", disse Kompany, ressaltando que a equipe está focada apesar do cansaço acumulado após a campanha na Champions League.
Como o Stuttgart pode desmontar a máquina de Kompany em Berlim
A escalação de Hoeness aposta em velocidade e transição. Ermedin Demirovic e Deniz Undav formam uma dupla de ataque que incomoda linhas altas — e o Bayern, com Upamecano e Tah na zaga, não é imune a erros individuais. O meia El Khannouss vai operar entre as linhas, tentando criar os espaços que Kane e Musiala normalmente exploram no lado bávaro. O goleiro Alexander Nübel, ex-Bayern, vai encarar o ex-clube pela primeira vez em uma grande decisão — detalhe que Berlim não vai deixar passar.
O lado bávaro tem Jamal Musiala como principal criador e Kane como referência de área. Michael Olise, pela direita, pode ser o diferencial em jogadas individuais. Kompany deve escalar a equipe titulada: Urbig; Stanisic, Upamecano, Tah, Laimer; Kimmich, Pavlovic; Olise, Musiala, Díaz; Kane. Não há espaço para experimentos em uma final.
"Sabemos que o Bayern é favorito. Mas finais têm lógica própria", declarou o técnico Sebastian Hoeness, segundo a imprensa alemã, reforçando que o grupo acredita na virada histórica.
O Bayern não conquista a Copa da Alemanha desde a temporada 2019/2020. Seis anos sem o troféu nacional — uma eternidade para o padrão bávaro. Kompany quer mudar isso agora.
O que Berlim vai testemunhar no Olympiastadion neste sábado
O Olympiastadion carrega história pesada nas suas arquibancadas. Foi palco de Olimpíadas, de finais de Copa do Mundo, de noites que entraram para o livro. Neste sábado, o cenário é outro: de um lado, uma máquina que quer confirmar a dominância absoluta de uma temporada histórica. Do outro, uma equipe que carrega quase três décadas de espera nas costas.
E então a pergunta que Berlim vai tentar responder: existe força suficiente nessa camisa vermelha e branca do Stuttgart para quebrar um ciclo que já dura mais do que a carreira de qualquer jogador em campo?
A arbitragem da final fica a cargo de uma equipe com os assistentes Sascha Thielert e Eduardo Beitinger. A transmissão no Brasil será pelo Xsports, ESPN e Disney+. O apito inicial está marcado para as 15h de Brasília. Se o Stuttgart vencer, encerra 29 anos de silêncio. Se o Bayern levantar a taça, confirma a maior dobradinha do clube desde a era Guardiola. Das duas formas, Berlim vai ver história.










