O vestiário da seleção colombiana respirou diferente na sexta-feira. O centroavante que saiu mancando do jogo contra a RD Congo, o ombro enfaixado, o semblante fechado — esse mesmo jogador entrou no treino de reconhecimento do gramado em Kansas City sem qualquer sinal de limitação. Luis Suárez, 28 anos, artilheiro da temporada europeia pelo Sporting, está disponível para enfrentar Portugal neste sábado, às 20h30 (horário de Brasília), pelo Grupo K da Copa do Mundo.
A narrativa que os números derrubam
Circulou nas últimas 48 horas uma leitura confortável sobre este jogo: a Colômbia depende de James Rodríguez para criar e de Luis Díaz para desequilibrar. Suárez seria o centroavante de referência, o pivô, o jogador que segura a bola enquanto os outros dois brilham. Um coadjuvante glorioso. Essa narrativa é conveniente. E está errada.
Trinta e oito gols em uma temporada pelo Sporting não é número de coadjuvante. Para ter dimensão: a diferença entre os 38 gols de Suárez e os 5 que ele marcou em 14 convocações pela seleção colombiana é quase a distância entre Recife e Fortaleza — perto no mapa, mas com mundos diferentes de contexto entre elas. No clube, ele é o sistema. Na seleção, ele opera dentro de um ecossistema que inclui James criando e Díaz explodindo pela esquerda. Mas isso não o torna menos decisivo. Torna o problema para Portugal mais complexo.
O técnico Néstor Lorenzo deve manter o time que venceu a RD Congo, com Daniel Muñoz na lateral direita, Jefferson Lerma e Jhon Arias no meio-campo ao lado de Gustavo Puerta — que está prestes a acumular apenas sua nona convocação pela seleção. A linha ofensiva com James, Suárez e Díaz permanece intacta.

"Suárez está bem. Treinou com o grupo e está à disposição", segundo informações do entorno da comissão técnica colombiana divulgadas antes do último treino.
O que o Sporting revelou que a seleção ainda não mostrou
Em Lisboa, Suárez foi o motor. Movimentação constante, finalização precisa, capacidade de aparecer nos dois lados da área — não apenas no ponto do pênalti. Os 38 gols na temporada 2025/2026 cobriram todas as competições: Liga Portugal, Conference League, Copa de Portugal. Gols de cabeça, de pé direito, de pé esquerdo. Gols em jogos grandes.
Na seleção, os números são mais modestos: 5 gols em 14 jogos. Mas o contexto importa. A Colômbia de Lorenzo não foi construída para ter um centroavante como protagonista absoluto. James Rodríguez comanda o ritmo. Díaz desequilibra individualmente. Suárez existe para converter o que os dois constroem — e para abrir espaços que os dois exploram quando ele não tem a bola. É uma função diferente, não uma função menor.
Portugal terá que decidir quem marca quem. Renato Veiga deve jogar na zaga no lugar do lesionado Tomás Araújo. A missão de conter Suárez vai recair sobre uma dupla central que ainda está se ajustando ao torneio. Enquanto isso, Cristiano Ronaldo, de 41 anos, chega ao duelo com 10 gols em Copas do Mundo — o primeiro jogador da história a marcar em seis edições diferentes — e 145 gols no total pela seleção portuguesa. Portugal precisa vencer para garantir a liderança do Grupo K.
O duelo dentro do duelo em Kansas City
Quando Nuno Mendes, Vitinha e João Félix montarem o bloco ofensivo português, a Colômbia vai responder com uma das linhas de três mais perigosas desta Copa. O problema de Lorenzo era ter Suárez em dúvida. Esse problema foi resolvido.
"Ele é o tipo de jogador que, quando está em campo, muda a forma como o adversário se posiciona", disse uma fonte próxima à comissão técnica colombiana, em matéria do SportNavo publicada antes da partida.
A escalação provável da Colômbia tem Vargas no gol; Muñoz, Sánchez, Lucumí e Mojica na defesa; Puerta, Arias e Lerma no meio; e James Rodríguez, Suárez e Díaz no ataque. Do outro lado, Diogo Costa; Cancelo, Rúben Dias, Veiga e Mendes; Vitinha, Bruno Fernandes e Neves; Pedro Neto, Ronaldo e Félix.
A bola rola às 20h30 deste sábado. Quem vencer lidera o Grupo K. Quem perder ainda pode avançar, mas com o caminho mais tortuoso. E no centro de tudo, um centroavante que chegou à Copa com o ombro machucado e sai do hotel de concentração com 38 gols na temporada como cartão de visita — pronto para mostrar que o Sporting não foi o único palco onde ele pode ser decisivo.










