O Foro Italico já havia guardado a melhor partida das quartas para o final do dia. Em 2h23 de tênis de altíssimo nível no saibro romano, uma jogadora entrou perdendo por um set e saiu com passagem para a semifinal — foi Elina Svitolina, décima colocada do ranking WTA, que derrubou Elena Rybakina, número 2 do mundo, por 2/6, 6/4 e 6/4.

O set perdido que não definiu a partida contra Rybakina

O primeiro set foi dominado pela cazaque com autoridade. Rybakina, campeã em Roma em 2023, impôs seu saque potente e seus winners de fundo de quadra para fechar a parcial em 6/2. Eram os números esperados de uma jogadora que, nesta temporada 2025/2026, figura entre as três mais eficientes no aproveitamento do primeiro serviço no circuito WTA.

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A virada de Svitolina no segundo set não foi fruto de improviso. A ucraniana ajustou a posição de recepção, passou a devolver com mais profundidade e forçou Rybakina a erros não forçados que não são comuns em seu repertório. O 6/4 no segundo set foi construído ponto a ponto, com a consistência de uma jogadora que já acumulou 22 títulos WTA ao longo da carreira.

O terceiro set repetiu o placar de 6/4 e confirmou a tendência: quando Svitolina encontra o ritmo no saibro europeu, ela se torna uma adversária de altíssimo nível tático. Nos últimos três anos, a ucraniana possui uma das maiores taxas de aproveitamento em sets decididos no circuito — dado que o levantamento do SportNavo sobre seu histórico em torneios de nível 1000 confirma.

"Foi uma partida muito difícil. Eu sabia que precisava mudar alguma coisa depois do primeiro set e consegui fazer isso", declarou Svitolina ao deixar a quadra central do Foro Italico.

O que os números dizem sobre Svitolina no saibro europeu

Contextualizar a vitória exige olhar para o histórico. Svitolina chegou a Roma como décima do ranking, mas sua trajetória no saibro europeu vai muito além de uma posição no ranking em determinada semana. A ucraniana possui três títulos em Roland Garros na combinação de simples e duplas ao longo da carreira, e seu melhor resultado no Grand Slam parisiense foi a semifinal em 2017.

Contra Rybakina especificamente, o head-to-head antes desta partida estava equilibrado, com a cazaque levando vantagem em confrontos diretos recentes. A virada desta quarta-feira, portanto, tem peso estatístico além do resultado isolado — é uma reversão de tendência num confronto onde Rybakina havia dominado os últimos cruzamentos.

Rybakina, por sua vez, chega ao fim das quartas de final com um dado preocupante para Roland Garros: este foi seu segundo set perdido consecutivo numa quadra de saibro em 2026, sinal de que a adaptação ao piso mais lento ainda não está consolidada na temporada atual. A campeã de Wimbledon 2022 segue sendo uma força no circuito, mas o saibro permanece seu ponto de maior vulnerabilidade relativa.

"Ela jogou muito bem no segundo e no terceiro sets. Não consegui encontrar meu nível depois do primeiro set", reconheceu Rybakina em entrevista pós-jogo.

Svitolina diante de Swiatek — o que a história do confronto revela

A semifinal colocará Svitolina diante de Iga Swiatek, a polonesa que domina o saibro feminino com uma regularidade que não se via desde Serena Williams em quadras rápidas. O head-to-head entre as duas é amplamente favorável à polonesa, que venceu a maioria dos confrontos diretos, incluindo partidas decisivas em Grand Slams.

Os números de Swiatek em Roma são especialmente intimidadores: a polonesa possui histórico de títulos no Foro Italico e uma eficiência em sets no saibro que raramente cai abaixo de 70% na temporada de terra batida. Para Svitolina, o desafio não é apenas vencer um set — é sustentar o nível físico e tático por dois ou três sets contra a adversária mais completa do circuito feminino atual.

O dado mais relevante para a semifinal é a capacidade de Svitolina de manter a profundidade nos golpes de fundo de quadra. Contra Rybakina, ela acertou consistentemente nas diagonais e neutralizou o poder de saque da cazaque. Contra Swiatek, o desafio é diferente: a polonesa constrói pontos com variação de ritmo e topspin acentuado que exige resposta rápida de posicionamento.

A semifinal entre Svitolina e Swiatek está programada para esta quinta-feira no Foro Italico, com a vencedora garantindo vaga na final do WTA 1000 de Roma — torneio que distribui pontos fundamentais para a corrida ao número 1 do mundo antes de Roland Garros, que começa em 25 de maio. Svitolina entra como azarã nos dados históricos do confronto — mas os 2h23 desta quarta-feira mostraram que ela ainda sabe como virar partidas quando o contexto exige.