Diz-se que times com melhor campanha na fase classificatória chegam à final com vantagem decisiva. A Ferroviária tinha exatamente esse trunfo: podia empatar no jogo de volta para levantar o troféu. Na noite desta quarta-feira (13/05), na Arena Fonte Luminosa, em Araraquara, o Juventus desmontou essa lógica com um cabeceio de zagueiro aos 47 minutos do segundo tempo — e o motivo pelo qual esse gol importa vai além do placar de 2 a 1.
Como o Juventus chegou à decisão precisando vencer
O jogo de ida, realizado na última quinta-feira na Rua Javari, terminou sem gols: 0 a 0 num duelo travado, onde nenhuma das equipes quis se expor. O empate branco transferiu toda a pressão para o Moleque Travesso — precisava de vitória por qualquer placar, enquanto a Ferroviária jogava por mais um 0 a 0 ou qualquer empate. Esse cenário já eliminava a vantagem estatística de ter o melhor aproveitamento: a Locomotiva precisava apenas não perder.
Com a missão estabelecida, o Juventus começou o jogo de volta com objetividade. Logo aos 4 minutos, o equatoriano Elkin Muñoz bateu falta direta, a bola passou por cima da barreira e foi direto ao fundo das redes: 1 a 0 para os visitantes. O gol precoce forçou a Ferroviária a sair do plano conservador e buscar o empate — exatamente o que o Juventus precisava para trabalhar os espaços.
A virada da Ferroviária e a resposta de Passarelli
O segundo tempo foi da Locomotiva. A pressão do time da casa era constante, e o goleiro Passarelli, do Juventus, se tornou protagonista com defesas que seguraram o placar por mais de 30 minutos. Aos 36', porém, a insistência teve recompensa: em cobrança de escanteio ensaiada, a bola foi rolada rasteira para Vitor Barreto, que de chapa finalizou com categoria para empatar em 1 a 1. Araraquara festejou — e o título parecia encaminhado para a Ferroviária.
O empate colocava a Locomotiva na posição que queria desde o início da série.
Foi então que Thomás Kayc, zagueiro, protagonizou o que em qualquer roteiro de ficção científica soaria como inverossímil. Aos 47 minutos, numa jogada aérea dentro da área, o defensor cabeceou com precisão para fazer 2 a 1 e transformar a Arena Fonte Luminosa no cenário mais silencioso de Araraquara naquela noite. A cena lembra a sequência final de Rocky — não o mais talentoso, não o favorito, mas o que ficou de pé até o último segundo.
O que o título revela sobre a campanha do Moleque Travesso
A conquista não foi construída apenas na final. Ao longo da competição, o Juventus demonstrou consistência ofensiva e capacidade de manter resultados fora de casa, virtude que ficou evidente ao segurar a Ferroviária no jogo de ida e ao buscar o placar em Araraquara mesmo sob pressão. Elkin Muñoz, o equatoriano que abriu o placar na volta, foi um dos destaques técnicos da campanha — jogador com mobilidade e precisão em bola parada que deu ao time alternativas além do jogo combinado.
Passarelli, por sua vez, encerrou a final como o jogador com mais intervenções decisivas em campo. As defesas no segundo tempo, quando a Ferroviária empurrava o Juventus para o empate, foram determinantes para que o gol de Thomás Kayc tivesse valor de título. No fim, ainda houve confusão com expulsões dos dois lados — Albano e Eduardo receberam cartão vermelho — e uma bola na trave do Juventus nos acréscimos, num final de jogo que resumiu toda a tensão da série.
O acesso ao Paulistão A1 e o que vem pela frente
Com o título do Paulistão A2 de 2026, o Juventus garante presença no Paulistão A1 de 2027. A Ferroviária, apesar da derrota na final, também está classificada para a elite estadual do ano que vem — os dois finalistas asseguram o acesso automaticamente. Para a Locomotiva, a sequência imediata é o Brasileirão Série C, com jogo marcado para domingo (17), às 16h, na Arena Fonte Luminosa, contra o Brusque.
O Juventus, por sua vez, tem pela frente a Copa Paulista, que começa em julho. O Moleque Travesso integrará o Grupo 3 ao lado de Osasco Sporting e Paulista de Jundiaí, entre outros. A Copa Paulista servirá como laboratório para testar o elenco antes da grande estreia no Paulistão A1 de 2027 — competição que o clube não disputava na elite há anos e para a qual chega com o moral de um título conquistado nos acréscimos, longe de casa, contra um adversário que só precisava não perder.









