Dois sustos, uma virada e uma vantagem confortável na série. O Jogo 4 entre Minnesota Timberwolves e Denver Nuggets, disputado no Target Center em Mineápolis, terminou 112 a 96 para os mandantes e abriu um placar de 3-1 na série de playoffs. Mas o número que mais preocupa a torcida de Minnesota não está no placar: são as duas lesões que retiraram Anthony Edwards e Donte DiVincenzo da partida antes do intervalo.

O que aconteceu dentro de quadra

O primeiro baque chegou ainda no primeiro tempo, quando DiVincenzo rompeu o tendão de Aquiles direito — lesão que, historicamente, exige entre 9 e 12 meses de recuperação, encerrando na prática a temporada do ala-armador. O segundo foi ainda mais impactante: Edwards sofreu uma queda feia após disputa com Cameron Johnson e saiu com dores no joelho esquerdo, sem retornar ao jogo. O intervalo marcou 54 a 50 para Denver, e a sensação era de catástrofe iminente.

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O que veio no segundo tempo foi uma das reações coletivas mais impressionantes dos playoffs. Ayo Dosunmu, Naz Reid e Julius Randle assumiram as rédeas ofensivas e viraram o placar no terceiro quarto, fechando o período em 82 a 78. No último quarto, com Aaron Gordon limitado por dores na panturrilha — ele chegou a deixar a quadra antes de retornar —, os Wolves apenas administraram e ampliaram. A partida ainda teve a ejeção de Nikola Jokic por confusão generalizada envolvendo Jaden McDaniels, mas o episódio não mudou o resultado.

O peso estatístico da ausência de Edwards

Entender o tamanho do problema exige olhar para os números. Na temporada regular de 2025/26, Edwards operou com usage rate próximo a 33%, sendo o principal criador ofensivo de Minnesota em situações de isolamento e pick-and-roll. Seu true shooting percentage ficou acima de 58%, combinando eficiência no arremesso de meia-distância com uma frequência alta na linha de lance livre. Nenhum outro jogador do elenco atual replica esse perfil.

A análise do SportNavo mostra que, nos últimos cinco jogos de playoffs em que Edwards esteve abaixo de 20 pontos ou ausente, Minnesota perdeu quatro. O uso de Randle e Dosunmu como dupla criadora pode suprir volume, mas não replicar a capacidade de Edwards de criar vantagem no um contra um — o que força os Nuggets a dobrarem a marcação em penetrações, liberando arremessadores de três pontos. Sem Edwards forçando esse colapso defensivo, a equipe perde o seu principal mecanismo de geração de espaço.

Segundo informações apuradas nas últimas horas, a franquia ainda aguarda exames mais detalhados para definir o diagnóstico oficial sobre o joelho esquerdo de Edwards. A gravidade da lesão, portanto, permanece incerta — mas qualquer grau de comprometimento articular pode inviabilizar o Jogo 5, marcado para Denver.

O que Minnesota pode fazer sem o astro

A boa notícia é que o elenco dos Wolves tem mais profundidade do que sugere a dependência histórica de Edwards. Naz Reid encerrou o Jogo 4 com uma das melhores partidas de sua carreira nos playoffs, enquanto Randle — adquirido durante a temporada — operou como verdadeiro primeiro opção ofensiva no segundo tempo. Dosunmu, antes reserva, acumulou responsabilidade de ball-handler e correspondeu com eficiência no espaçamento e na tomada de decisão.

O que aconteceu dentro de quadra Timberwolves lideram 3-1, mas lesões de
O que aconteceu dentro de quadra Timberwolves lideram 3-1, mas lesões de

O contexto histórico também oferece algum consolo: equipes que abrem 3-1 em séries de playoffs da NBA convertem em classificação em mais de 96% dos casos, segundo o próprio histórico da liga. Minnesota, portanto, pode até perder o Jogo 5 em Denver sem comprometer matematicamente a série. Mas a identidade tática do time muda estruturalmente sem Edwards — e Nikola Jokic, mesmo ejetado no Jogo 4, médias de 27,1 pontos, 14,2 rebotes e 9,3 assistências nesta pós-temporada, é o tipo de jogador que explora qualquer lacuna de liderança adversária.

Thunder e o outro lado do Oeste

Enquanto os Wolves gerenciam crises, o Oklahoma City Thunder segue em cruzeiro controlado na outra série da conferência. A equipe de Mark Daignault derrotou o Phoenix Suns por 121 a 109 no Jogo 4, com Shai Gilgeous-Alexander registrando mais uma atuação de alto nível — o armador acumula médias de 34,7 pontos, 8 assistências e 4,3 rebotes nos playoffs, de acordo com dados do Flashscore. A vitória foi construída com superioridade em rebotes (43 a 39), menos turnovers (8 contra 11 de Phoenix) e aproveitamento de 49% nos arremessos de quadra.

A série contra o Suns também registrou baixa importante: Jalen Williams saiu com dores na coxa esquerda no terceiro quarto e não retornou. Mesmo assim, o Thunder manteve o domínio, o que reforça a solidez do sistema coletivo de Oklahoma City — e serve como parâmetro para o que Minnesota tentará construir na ausência de Edwards. Na avaliação do SportNavo, SGA está a caminho de seu 22º jogo com ao menos 30 pontos nos playoffs desde 2023/24, consolidando sua posição como o jogador mais decisivo da liga nesta temporada, premiação que já conquistou formalmente antes do início da pós-temporada.

O Jogo 5 entre Timberwolves e Nuggets acontece em Denver, no Ball Arena, nos próximos dias. Minnesota entra com vantagem histórica irrefutável, mas com dois desfalques de peso e a incógnita sobre o estado físico de Edwards — cuja presença ou ausência determinará se os Wolves fecham a série como favoritos ou se abrem espaço para uma das maiores viradas da história recente dos playoffs.