A entrada dos 20 clubes da Série A na quinta fase da Copa do Brasil sempre gera expectativa, mas os números das últimas cinco edições mostram que as zebras são mais comuns do que imaginamos. Times das divisões inferiores conseguiram resultados positivos (vitórias ou classificações) em 35% dos confrontos diretos contra equipes da elite nacional.
Dados revelam potencial de surpresa
Entre 2019 e 2023, 47 confrontos colocaram times da Série A contra adversários da Série B ou divisões ainda menores na quinta fase. Destes, 16 terminaram com classificação das equipes consideradas azarãos - um aproveitamento de 34%. O Cuiabá em 2020, ainda na Série B, eliminou o Botafogo. No ano seguinte, o Juazeirense-BA derrubou o Ceará nos pênaltis.
O levantamento do SportNavo identificou três fatores decisivos para essas surpresas: mando de campo (62% das zebras aconteceram em casa), momento na temporada e estilo de jogo mais objetivo das equipes menores. O Athletic Club-MG, em 2022, mostrou essa receita ao eliminar o Fluminense jogando no Horto, aproveitando a compactação defensiva e jogadas de bola parada.

Maurício Barbieri, técnico do Juventude que enfrenta o São Paulo nesta terça-feira, conhece bem essa dinâmica. Segundo apuração, sua equipe da Série B tem aproveitamento de 50,8% na temporada, com média de 11,4 finalizações por jogo - números que indicam capacidade de criar chances mesmo contra adversários teoricamente superiores.
Retrospecto mostra padrões nas eliminações
A análise dos confrontos revela que times da Série A sofrem mais quando enfrentam adversários em boa fase na segunda divisão. O Goiás, atual 12ª colocação da Série B, já eliminou o Cruzeiro em 1990 na Copa do Brasil com goleada por 4 a 0 no Serra Dourada. Agnaldo marcou hat-trick naquela partida histórica.
Nesta quinta fase de 2024, cinco confrontos colocam times da elite contra adversários de divisões inferiores em situação similar: Santos x Curitiba, Bahia x Remo, Paysandu x Vasco, Grêmio x Confiança e Athletic x Internacional. O Paysandu, invicto na Série C, e o Confiança, que eliminou Tombense e Vila Nova, chegam embalados.
"O fator casa é fundamental nestes jogos de mata-mata. A pressão da torcida e o conhecimento do gramado fazem diferença"
Corinthians e pressão do título
O atual campeão Corinthians inicia sua defesa contra o Barra-BA, time da quarta divisão que representa o maior degrau de diferença técnica desta fase. Mesmo assim, o histórico mostra cautela: em 2021, o Alvinegro sofreu contra o Salgueiro-PE antes de se classificar nos pênaltis.
O técnico Ramón Díaz promete mudanças na escalação para o jogo no interior da Bahia. Matheuzinho, lateral-direito do time, pediu humildade: "Temos que manter os pés no chão". A postura reflete aprendizado com eliminações precoces de grandes clubes em edições anteriores.
Times como Flamengo, Palmeiras e Atlético-MG aparecem como favoritos naturais, mas enfrentam Vitória-BA, Jacuipense-BA e Ceará, respectivamente - adversários que conhecem bem a pressão de jogos eliminatórios. O Ceará, segunda divisão, tem tradição em copas nacionais e já eliminou gigantes em outras oportunidades.
Formato favorece surpresas
O sistema de ida e volta da quinta fase amplia as chances de zebra. Times menores podem se defender no primeiro jogo e aproveitar o mando de campo na volta para buscar a classificação. Essa estratégia funcionou para o CRB em 2020, quando eliminou o Palmeiras nos pênaltis após empate no placar agregado.
A programação concentrada em três dias (21 a 23 de maio) também beneficia equipes com elencos menores, que chegam mais descansadas enquanto times da Série A acumulam desgaste do Brasileirão e competições internacionais. O Botafogo, por exemplo, jogou pela Sul-Americana na semana passada antes de enfrentar a Chapecoense nesta terça-feira.
Os jogos de volta da quinta fase acontecem na primeira semana de junho, quando o cenário pode estar completamente diferente. Até lá, a Copa do Brasil promete confirmar se os 35% de aproveitamento das zebras se mantêm ou se aumentam em 2024.









