Todo mundo sabe que Rony vai sair do Atlético-MG. Como três clubes chegaram ao mesmo nome ao mesmo tempo — e por que o calendário pode decidir o destino antes dos dirigentes — é a parte que poucos estão contando direito.

Um atacante de 31 anos e um salário que filtra pretendentes

O ponta de 31 anos acumula 12 partidas pelo Brasileirão 2026 defendendo o Santos, clube para o qual foi cedido pelo Atlético-MG após perder espaço no esquema de Jorge Sampaoli. O número não é trivial: a regulamentação da competição impede que um atleta atue por dois clubes diferentes na mesma edição caso ultrapasse a marca de 13 jogos. Rony está, literalmente, a uma partida de fechar sua janela de movimentação para esta temporada. Esse detalhe transforma cada rodada em um metrônomo de pressão para os três clubes interessados.

O complicador financeiro é igualmente concreto. O atacante recebe salário superior a R$ 1 milhão mensais — cifra que, num contexto europeu, equivaleria a um jogador de rotação em um clube de Championship inglês ou de La Liga espanhola, ligas onde o wage bill define estratégias de contratação com a mesma frieza de uma planilha de fundo de investimento. No Brasil, esse patamar ainda seleciona pouquíssimos pretendentes com capacidade real de absorção.

O Santos retoma a negociação e Alexandre Mattos vai a Belém

A movimentação mais concreta desta semana partiu do Peixe. O diretor-executivo Alexandre Mattos viajou a Belém do Pará para se reunir pessoalmente com Hércules Júnior, pai e empresário do jogador, em busca de acelerar uma liberação formal junto ao Atlético-MG, clube detentor do contrato de Rony até 2027. A informação, confirmada pelo ge, revela que o Santos já havia tentado o negócio anteriormente, mas esbarrou na resistência de Sampaoli, que exigia uma reposição antes de liberar o atleta.

A lacuna no ataque santista foi aberta com a saída de Guilherme para o Houston Dynamo, dos Estados Unidos, e o clube entende Rony como o perfil ideal para preenchê-la — jogador de lado de campo, com velocidade e experiência em pressão alta. É, no fundo, um tipo de atacante que na Europa se encaixa perfeitamente no papel de wide forward dentro de um sistema de pressing intenso, algo que o futebol brasileiro ainda consome com apetite crescente.

"Um jogador com o histórico de Rony não pode ficar parado. Ele precisa de sequência, de confiança, de um projeto que o coloque no centro do ataque — não nas margens de uma negociação", avaliou um observador técnico de mercado ouvido pela reportagem do SportNavo.

Athletico-PR aciona Petraglia e antecipa movimento para a próxima janela

O Athletico-PR entrou no radar com uma vantagem sentimental: Rony já defendeu o Furacão e tem carinho especial da torcida paranaense. Segundo informações do Canal 3 Pontos, divulgadas pelo portal Furacão.com, a vontade de repatriar o atacante partiu diretamente do presidente Petraglia — o que, no organograma atleticano, significa que a ideia ganhou tração institucional, não apenas técnica.

O técnico Odair Hellmann comandará um ataque com saídas previstas, entre elas a de Bruninho, o que abre espaço real para Rony assumir protagonismo. A questão salarial, contudo, exige um novo contrato — o clube precisa de uma estrutura financeira vantajosa para ambos os lados. Por isso, o Athletico trabalha com a hipótese de concretizar o negócio apenas na próxima janela de transferências, uma vez que Rony está a um jogo de atingir o limite de aparições pelo Santos no Brasileirão 2026, o que inviabilizaria qualquer movimentação imediata dentro da competição.

O Atlético-MG e o paradoxo de vender quem ainda pode precisar

A situação mais paradoxal é a do próprio Atlético-MG. O Galo detém o contrato de Rony até 2027, mas o emprestou ao Santos justamente porque Sampaoli não o via como peça do presente. Agora, com o clube mineiro se movimentando para contratar Yerry Mina, do Cagliari, Willian Arão, do Panathinaikos da Grécia, e o lateral Caio Paulista, do Palmeiras — três reforços para posições distintas —, a gestão do elenco se torna um exercício de squad management que qualquer diretor esportivo europeu reconheceria como rotineiro, mas que no Brasil ainda provoca ruído.

Um atacante de 31 anos e um salário que filtra pretendentes Todo mundo sabe que
Um atacante de 31 anos e um salário que filtra pretendentes Todo mundo sabe que

A diretoria atleticana conversa com Eduardo Uram, empresário de Caio Paulista, que também representa o técnico Cuca. O prazo é curto: a primeira janela de transferências da temporada encerra no fim do mês. Dentro desse cenário, liberar Rony em definitivo — e receber algo em troca — pode ser a peça que financia parte dessas contratações. O atacante, portanto, não é apenas um jogador em disputa; é uma moeda de troca em um tabuleiro mais amplo.

A história de Rony com o futebol brasileiro é suficientemente rica para justificar o interesse simultâneo de três clubes. Depois de uma passagem turbulenta pelo Albirex Niigata, do Japão — onde acumulou mais cartões amarelos (nove) do que gols (oito) e viu o clube ser rebaixado —, o atacante encontrou sua melhor versão no Palmeiras sob Abel Ferreira, tornando-se xodó da torcida alviverde. Esse repertório de superação, combinado com a capacidade de atuar em alta intensidade, é exatamente o que Santos, Atlético-MG e Athletico-PR enxergam como ativo.

Todo mundo sabe que Rony vai sair do Atlético — ninguém sabe para onde. O que a próxima rodada do Brasileirão decidir, antes de qualquer reunião de diretoria, pode ser a resposta mais definitiva de todas.