Um torcedor do Estudiantes (ARG) foi filmado imitando um macaco em direção à torcida do Flamengo logo após o empate em 1 a 1, na quarta-feira (29), no Estádio UNO, em La Plata. O ato ocorreu durante a terceira rodada do Grupo A da Copa Libertadores e foi registrado por câmeras de celular, com o vídeo circulando rapidamente nas redes sociais.
O que as imagens mostram
Nas imagens divulgadas pelo canal ge tv no Instagram, o torcedor argentino aponta para o setor ocupado pelos rubro-negros enquanto realiza o gesto. O registro é direto e não deixa margem para interpretação: trata-se de comportamento racista tipificado pelos regulamentos disciplinares da Conmebol.
O incidente ocorreu em um contexto de tensão já elevado dentro de campo. Dois atletas do Flamengo se machucaram com a bola em jogo: Arrascaeta fraturou a clavícula e foi substituído ainda no primeiro tempo por Carrascal, e Emerson Royal sofreu hematoma na perna. A partida terminou com gol de Luiz Araújo para o Flamengo e empate de Guido Carrillo para o Estudiantes, com pelo menos três defesas decisivas do goleiro Rossi.
Punições previstas pelo regulamento da Conmebol
Até o momento da publicação desta análise, nem o Flamengo nem a Conmebol emitiram pronunciamento oficial sobre o episódio. Caso o clube brasileiro formalize a denúncia, o Estudiantes fica sujeito a um conjunto graduado de sanções disciplinares previstas no Código Disciplinar da entidade.
- Multa financeira — penalidade de primeiro grau, aplicada ao clube pelo comportamento de sua torcida
- Perda de mando de campo — o Estudiantes seria obrigado a jogar em estádio neutro ou fora de La Plata
- Partidas com portões fechados — sanção mais severa, que isola o clube de seu público
A análise do SportNavo apurou que a Conmebol já aplicou este protocolo em casos anteriores, incluindo episódios envolvendo clubes argentinos em competições continentais. A combinação das três medidas pode ser imposta de forma cumulativa quando há reincidência documentada.
Contexto do racismo no futebol argentino
O futebol argentino acumula histórico documentado de episódios racistas em arquibancadas. A Federação Internacional de Futebol Association (FIFA) já abriu processos disciplinares contra a Associação do Futebol Argentino (AFA) em diferentes competições, incluindo eliminatórias sul-americanas para Copas do Mundo.
"O racismo não é um problema isolado — é estrutural em muitos estádios da América do Sul, e a Conmebol ainda não criou um sistema eficaz de identificação e punição dos infratores individuais", segundo avaliação recorrente de especialistas em governança esportiva que estudam os regulamentos das confederações.
A ausência de câmeras de reconhecimento facial nos estádios argentinos — tecnologia já adotada em ligas europeias como a Premier League — dificulta a identificação individualizada dos torcedores responsáveis. O mecanismo punitivo da Conmebol recai, assim, sobre o clube, e não sobre o infrator direto.
O que o Flamengo pode fazer agora
O prazo regulamentar para apresentação de denúncias à Conmebol após incidentes em partidas da Libertadores costuma ser de 72 horas a partir do encerramento do jogo. O Flamengo dispõe, portanto, de uma janela estreita para protocolar formalmente o caso, instruindo a denúncia com o vídeo já disponível publicamente como prova documental.
"Casos assim precisam ser reportados imediatamente — a omissão do clube prejudicado enfraquece qualquer processo disciplinar posterior", segundo orientação padrão de departamentos jurídicos esportivos especializados em regulamentos da Conmebol.
Nas próximas horas, a posição oficial do departamento jurídico rubro-negro definirá se o episódio terá desdobramento institucional ou ficará restrito à repercussão nas redes sociais. O Flamengo retorna a campo no domingo (03), contra o Vasco, às 16h (horário de Brasília), no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro — partida que não elimina a necessidade de uma resposta formal ao ocorrido em La Plata.








