As pedras já estavam no ar quando o ônibus do Barcelona dobrou a esquina em direção ao estádio. Uma janela estilhaçada, gritos confusos, e a cena absurda que só o futebol ibérico é capaz de produzir: a torcida culé havia acabado de atacar o próprio time. Era domingo, 10 de maio, horas antes do El Clásico que valeria a La Liga.

O erro que virou símbolo da tensão antes do Clásico

Segundo a imprensa espanhola, parte dos torcedores do Barcelona confundiu o ônibus do próprio clube com o veículo do Real Madrid durante a movimentação nas proximidades do estádio. O resultado: uma janela do ônibus barcelonista danificada por pedras arremessadas pelos próprios culés. O veículo merengue também foi atingido, com o vidro da porta quebrado. Nenhum jogador do Barcelona ficou ferido; do lado madridista, não houve confirmação oficial de atingidos.

O erro que virou símbolo da tensão antes do Clásico Torcida do Barcelona acerta
O erro que virou símbolo da tensão antes do Clásico Torcida do Barcelona acerta

Não foi um episódio isolado. Nesta mesma temporada, torcedores do Barcelona já haviam atacado o ônibus do Atlético de Madrid — treinado por Diego Simeone — na chegada ao estádio, tanto pela Copa del Rey quanto pela Champions League. O padrão de comportamento ultras nas chegadas de ônibus é um problema crônico no futebol espanhol, e o SportNavo já havia mapeado ao longo desta temporada a escalada desses incidentes nos grandes clásicos peninsulares.

O que os números do jogo dizem sobre a diferença entre os dois times

Dentro de campo, a confusão ficou do lado de fora. O Barcelona entrou avassalador: aos 8 minutos, Rashford abriu o placar com uma falta no ângulo de Courtois — um golaço que valia mais do que o gol em si. Aos 17, Ferran Torres ampliou após assistência de calcanhar de Dani Olmo, consolidando o 2 a 0 ainda no primeiro tempo. O Real Madrid teve sua melhor chance aos 23 minutos, quando Gonzalo García saiu cara a cara com o goleiro e desperdiçou.

O xG — expected goals, métrica que estima quantos gols uma equipe deveria marcar com base na qualidade das chances criadas — do Barcelona no primeiro tempo superou 2,1, enquanto o Real Madrid não chegou a 0,4. Na prática, isso significa que os culés não apenas venceram: eles dominaram de forma estatisticamente esmagadora, sem depender de golpes de sorte.

"O Real Madrid demonstrou o abatimento físico e psicológico da crise que assola o vestiário de Arbeloa", registrou a imprensa espanhola ao descrever a segunda etapa, em que o Barcelona controlou a posse enquanto os merengues pareciam já ter aceitado o desfecho.

O 29º título espanhol e o bicampeonato de Flick

Com a vitória por 2 a 0 em casa, o Barcelona conquistou o 29º título da La Liga em sua história — e o segundo consecutivo sob o comando de Hansi Flick, que chegou ao clube em 2024 carregando o DNA do gegenpressing alemão e foi moldando um estilo híbrido, com intensidade de pressing alto e a posse de bola que é genética no Camp Nou.

Barcelona, Real Madrid, Villarreal e Atlético de Madrid já garantiram as quatro vagas espanholas para a próxima edição da Champions League. O Real Betis ainda briga por uma vaga em competição europeia nas rodadas finais da temporada 2025/2026.

A imagem que ficou deste domingo não foi a de Rashford comemorando no gramado, nem a de Flick erguendo o troféu. Foi a de um ônibus azul-grená com uma janela quebrada pelos próprios torcedores — e o time dentro dele seguindo para conquistar o título mesmo assim.