É um relógio suíço com pavio curto.

A imagem serve ao Fluminense desta terça-feira, 19 de maio, contra o Bolívar, pela quinta rodada do Grupo C da Libertadores: um mecanismo de precisão que acumula tensão interna enquanto o tempo disponível para detonar o problema se estreita. Três ausências confirmadas — o volante Alisson, o meia Martinelli e o próprio técnico Luis Zubeldía, suspenso por acúmulo de cartões — transformaram o que já era um jogo decisivo em algo próximo de uma cirurgia de emergência feita com instrumentos incompletos. A partida começa às 19h, no Maracanã, e o clube carioca chega a ela na lanterna do grupo.

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O acúmulo de danos que antecede o jogo mais importante do momento tricolor

Nem sempre uma crise se anuncia com estrondo. No caso do Fluminense, ela chegou em camadas. Martinelli já estava fora, em recuperação de lesão no músculo reto femoral — uma estrutura muscular cuja cicatrização exige semanas, não dias. Zubeldía levou o terceiro cartão amarelo no empate em 1 a 1 com o Independiente Rivadavia, pela rodada anterior, e cumpre suspensão automática. A esses dois nomes somou-se, de última hora, o de Alisson: o volante de 32 anos sentiu dores na panturrilha durante a preparação para o jogo e foi retirado da lista de relacionados.

Alisson chegou ao clube por empréstimo junto ao São Paulo e acumula 11 partidas desde então, com uma assistência e quatro aparições como titular. Não seria o escolhido para começar jogando nesta terça — a dupla Hércules e Nonato estava prevista para o meio-campo —, mas sua ausência elimina uma alternativa tática relevante para situações de jogo que exigem substituição e reequilíbrio posicional. Em futebol de alta competição, o banco de reservas não é decoração: é gestão de risco.

Segundo apuração do SportNavo, o auxiliar Maxi Cuberas assume o comando técnico da equipe no Maracanã. Cuberas conhece o modelo de jogo proposto por Zubeldía, mas a diferença entre executar um plano ao lado do arquiteto e executá-lo sem ele é substancial — especialmente quando o adversário é um time boliviano que, em altitude, impõe um estilo físico difícil de replicar em condições normais, mas que no Rio de Janeiro joga em igualdade de condições atmosféricas com o Fluminense.

O acúmulo de danos que antecede o jogo mais importante do momento tricolor Três
O acúmulo de danos que antecede o jogo mais importante do momento tricolor Três

O que Hércules e Nonato precisam entregar para o Flu seguir vivo

A dupla de volantes titular carrega agora responsabilidade dupla: a de jogar bem e a de não precisar ser substituída por alguém que pudesse exercer a mesma função. Hércules, formado nas categorias de base do próprio Fluminense, tem características mais físicas; Nonato, mais técnico e com capacidade de transição. A lógica da montagem é coerente com o modelo de Zubeldía, que privilegia controle posicional e saída de bola organizada.

O problema não está na titularidade — está na profundidade. Com Martinelli fora, o clube perde também um perfil de jogador capaz de aparecer entre linhas e criar desequilíbrio pelo lado. A lista de relacionados divulgada pelo Fluminense nas redes sociais antes da partida já sinalizava um elenco enxuto para o setor intermediário. Nas palavras que circularam na imprensa esportiva antes do jogo, a comissão técnica teria optado por não alterar o sistema tático — um 4-2-3-1 ou variante próxima —, preservando a identidade coletiva mesmo diante das baixas individuais.

  • Alisson — fora por dores na panturrilha; não seria titular, mas cobria o meio-campo
  • Martinelli — recuperação de lesão no músculo reto femoral; prazo indefinido
  • Luis Zubeldía — suspenso após terceiro cartão amarelo no empate com o Rivadavia

A questão da liderança técnica em campo

A ausência de um treinador não é apenas operacional — é simbólica e comunicacional. Zubeldía, desde que assumiu o clube, construiu uma identidade baseada em pressão alta e saída rápida de bola. Esse tipo de sistema exige ajustes em tempo real, leituras de jogo que o técnico transmite da beira do campo. Cuberas pode manter a estrutura, mas a capacidade de leitura e intervenção imediata pertence a quem tem a visão global da partida — e quem tem essa visão mais apurada está proibido de estar no banco.

O que uma vitória ou derrota muda na equação da Libertadores tricolor

O Fluminense ocupa a última posição do Grupo C após quatro rodadas. Uma vitória sobre o Bolívar nesta terça-feira não garante classificação, mas mantém o clube matematicamente vivo e com capacidade de se recuperar na última rodada. Uma derrota, a depender dos outros resultados do grupo, pode encerrar qualquer possibilidade de avanço antes mesmo da fase final da chave.

Do ponto de vista econômico, a eliminação precoce da Libertadores representa perda de receita expressiva: clubes brasileiros que avançam às oitavas de final recebem cotas da Conmebol significativamente maiores do que os que caem na fase de grupos. Para um clube como o Fluminense, que em 2023 faturou o título continental e desde então enfrenta reequilíbrio financeiro e pressão por resultados, cada fase eliminada cedo tem impacto direto no orçamento da temporada — e, por consequência, na capacidade de manter ou reforçar o elenco.

O Bolívar, por sua vez, chega ao Rio de Janeiro em posição confortável no grupo. Jogar fora de altitude retira do clube boliviano sua principal vantagem geográfica — o Estádio Hernando Siles, em La Paz, fica a 3.600 metros acima do nível do mar —, mas não elimina a qualidade técnica do adversário. O jogo começa às 19h, no Maracanã, e o Fluminense precisa de uma vitória para reabrir sua equação continental.

Há uma receita que, quando lhe faltam três ingredientes centrais, ainda pode sair do forno — mas exige que o cozinheiro que sobrou conheça profundamente cada etapa do preparo, improvise com o que tem na despensa e não queime o que já estava pronto. É isso que Maxi Cuberas, Hércules, Nonato e os demais disponíveis precisam fazer nesta noite no Maracanã.