Não é a derrota para o RB Bragantino por 3 a 0, em São Januário, o maior problema do Vasco neste momento. O maior problema é o padrão: três jogos, três derrotas, duas goleadas, e um técnico que preferiu não aparecer diante dos microfones após o apito final da 17ª rodada do Brasileirão. Há contabilidade aqui, não tragédia — e os números são ruins o suficiente para exigir resposta imediata.
O que levou o Vasco a três derrotas seguidas no Brasileirão
Quando Renato Gaúcho chegou ao clube, o Vasco havia iniciado o Campeonato Brasileiro em ritmo de rebaixamento direto. A recuperação inicial justificou a contratação e comprou crédito junto à torcida e à diretoria. O diretor de futebol Admar Lopes reconheceu esse histórico ao sair em defesa pública do técnico após o 3 a 0:
"A pontuação desde que ele chegou é positiva. Começamos o campeonato muito mal, teve uma recuperação boa com o Renato. Precisamos oscilar menos. O impacto e o respeito que ele tem é enorme, por isso acreditamos que ele será capaz de nos dar essa estabilidade."
O problema é que "pontuação positiva desde a chegada" é dado relativo. O Vasco está na 16ª colocação após a rodada 17 — a um passo do Z-4. Em termos de aproveitamento, o clube entra na pausa da Copa do Mundo sob risco real de iniciar o segundo semestre dentro da zona de rebaixamento. Esse é o custo concreto da sequência negativa.
Do ponto de vista tático, o diagnóstico da derrota para o Bragantino é claro: o time apresentou dificuldades físicas no primeiro tempo, ficou abaixo do adversário em todos os setores e dependeu de Léo Jardim para evitar um placar ainda mais elástico antes do intervalo. O gol de Rodriguinho, aos 46 do primeiro tempo — um chute da intermediária após condução individual —, resumiu a fragilidade defensiva do Vasco: sem pressão, sem posicionamento e sem reação.
O ex-jogador Vampeta, hoje comentarista da rádio Jovem Pan, foi direto ao ponto no programa "Bate-Pronto" ao questionar as prioridades do técnico:
"O Renato não pode pegar uma instituição como o Vasco, que não vai ser campeão Brasileiro. O padrão do clube hoje é para brigar por este título? Não. Então, a Sul-Americana tem valor... O torcedor, que comparece e vai a todos os jogos, vê que o time não ganha. Olha para a tabela e a equipe está quase na zona de rebaixamento."
O silêncio de Renato e o custo da gestão de imagem mal calibrada
Renato Gaúcho não compareceu à entrevista coletiva após o jogo contra o Bragantino — obrigação regulamentar da competição. O capitão Thiago Mendes e o próprio Admar Lopes foram ao microfone no lugar do treinador. Do ponto de vista institucional, o movimento tem um preço: transfere o ônus comunicacional para o jogador e para o dirigente, desgastando relações internas que já operam sob pressão.

A situação gerou reação na arquibancada de São Januário. Além das vaias, objetos foram jogados ao gramado durante a partida — o lateral-esquerdo Lucas Piton foi alvo de xingamentos em uníssono da torcida. O ambiente no estádio, que costumava ser ativo de valorização para o clube, virou passivo de pressão em três rodadas.
Vampeta ainda pontuou uma inconsistência estratégica que o SportNavo identificou como central para entender o desgaste: o Vasco abriu mão de viagens e priorizações na Copa Sul-Americana e na Copa do Brasil, dois torneios em que o clube tem condições reais de avançar — chegou a ser vice da Copa do Brasil no ano passado. Com o Brasileirão entregando resultados negativos, a tese de "focar no campeonato nacional" perde sustentação técnica e política.
"A diretoria tem que contestar essas decisões. Aí querem que o torcedor bata palma? Não vai."
O que muda a partir de agora e quais são as apostas do clube
A diretoria vascaína descartou demissão imediata antes da pausa para a Copa do Mundo. O argumento interno é que o período de paralisação do Brasileirão permite trabalho de campo sem pressão de resultado imediato — tempo para ajuste tático e eventual reforço via janela de transferências. O departamento de futebol monitora o mercado, mas sem sinalização pública de contratação confirmada até esta segunda-feira (25).
O clube ainda tem dois objetivos continentais vivos: as oitavas de final da Copa do Brasil e a possibilidade de classificação direta na Copa Sul-Americana pelo Grupo G. A partida contra o Barracas Central-ARG, marcada para quarta-feira (28) às 19h (horário de Brasília), é o teste imediato. Uma derrota nesse contexto tornaria a posição de Renato insustentável mesmo com o respaldo declarado da diretoria.
O Vasco volta ao Brasileirão após a pausa da Copa do Mundo com, no mínimo, três jogos em São Januário. A sequência de resultados nesse bloco — provavelmente entre o final de julho e início de agosto de 2026 — será o verdadeiro termômetro da permanência de Renato Gaúcho. Até lá, o técnico tem exatamente o prazo que a diretoria prometeu: tempo para treinar, ajustar e responder com pontos na tabela.










