Confesso: eu errei sobre o Matheus Bahia em 2025. Achei que o lateral-esquerdo revelado pelo Esquadrão não teria mercado para uma grande do Sul depois de quatro temporadas marcadas por oscilações e até um rebaixamento à Série B. Hoje, ele está escalado como titular do Internacional para enfrentar justamente o clube que o formou — e o Inter, na vice-lanterna do Brasileirão com apenas dois pontos em cinco rodadas, precisa que ele acerte cada cruzamento.
O que três ex-Bahia significam para um Inter sem rumo
O jogo deste sábado, às 18h30, no Beira-Rio, tem um subtexto que vai além da tabela. Juninho, Matheus Bahia e Ronaldo construíram parte de suas carreiras em Salvador e agora são convocados a salvar um clube que demitiu Paulo Pezzolano e entregou o time ao interino Esteban Conde. Há quem argumente que reencontros emocionais atrapalham a concentração. O argumento não se sustenta: jogadores profissionais de alto nível não perdem foco por nostalgia — perdem por má forma física ou por sistema tático ineficiente, que é exatamente o problema do Inter.
Os números de cada um no Bahia ajudam a entender o perfil que o Colorado contratou. Juninho fez 101 jogos, marcou seis gols e conquistou a Copa do Nordeste de 2021 antes de ser vendido à Dinamarca por R$ 10 milhões. Matheus Bahia acumulou 117 partidas, quatro gols e oito assistências — recém-chegado, ainda não estreou pelo Inter. Ronaldo disputou 52 jogos e deu quatro assistências pelo Tricolor entre 2019 e 2020, passando pelo futebol japonês antes de chegar a Porto Alegre.
Músculo técnico existe. A questão é o contexto em que eles operam.
O Bahia fora de casa e a armadilha dos números favoráveis ao Inter
Tem quem veja o aproveitamento do Bahia como visitante e sorria do lado colorado. Em 16 jogos fora da Fonte Nova, o time de Rogério Ceni venceu apenas três, empatou quatro e perdeu nove — sendo as últimas cinco derrotas consecutivas para Ceará, Botafogo, Vitória, São Paulo e Atlético Mineiro. O aproveitamento de 27% fora de casa é real e documentado.
Só que esse dado, isolado, é enganoso. O Bahia perdeu esses cinco jogos para clubes que estão, todos, acima dele na tabela ou em situação de pressão máxima em casa. O Inter, na vice-lanterna, não tem o mesmo poder de imposição que o Atlético Mineiro ou o Botafogo. Há uma diferença estrutural entre jogar contra um time que precisa vencer para sair do Z-4 e jogar contra um time que domina a competição. Como em Moneyball, o erro clássico de análise é usar médias globais sem considerar o contexto de cada amostra.
Segundo apuração do SportNavo, o Bahia chega ao Beira-Rio na quinta colocação e pode alcançar a vice-liderança caso vença — o que transforma esse deslocamento em missão estratégica, não em viagem de rotina.
O que ainda falta resolver antes do apito inicial
A escalação provável do Inter tem Ronaldo como volante ao lado de Paulinho e Alan Patrick, com Matheus Bahia na lateral-esquerda e Juninho no banco de reservas. Esse trio pode ser o diferencial, mas a resposta depende de uma variável que os dados ainda não entregaram: o Inter de Esteban Conde tem identidade tática ou é apenas um time gerenciado para não piorar?

Do lado baiano, Rogério Ceni escalará Erick Pulga e Willian José no ataque, com Rodrigo Nestor e Jean Lucas no meio — estrutura que funcionou na campanha do título estadual e que manteve o Tricolor no G-6 mesmo com a eliminação precoce na Libertadores para o O'Higgins. A comparação entre os momentos dos dois clubes é brutal: enquanto o Bahia é campeão baiano de 2026, o Inter chegou ao jogo vindo de um vice-campeonato gaúcho e zero vitórias no Brasileirão.
O Inter joga neste sábado, às 18h30, no Beira-Rio, com transmissão da Record. Uma derrota deixa o Colorado em situação ainda mais crítica na tabela, com a zona de rebaixamento como vizinha imediata — e os três ex-Bahia carregando o peso de um clube que apostou neles justamente para evitar esse cenário.










