13 anos de PSG, cinco semifinais e agora uma terceira final de Champions League. Marquinhos chega ao dia 30 de maio em Budapeste carregando um número que nenhum outro jogador do clube pode reivindicar: 3 finais — e ele esteve em todas elas com a braçadeira de capitão na manga.

De Lisboa a Budapeste — a jornada de um capitão que viu de tudo

Em agosto de 2020, o PSG perdeu sua primeira final continental para o Bayern de Munique por 1 a 0, em Lisboa, numa bolha criada pela pandemia. Marquinhos era titular, saiu do campo derrotado e guardou aquela dor. Cinco anos depois, em 2025, o clube reverteu a história: venceu a Inter de Milão e levantou a taça pela primeira vez. Agora, na temporada 2025/2026, o zagueiro retorna a uma decisão europeia com a chance de ser bicampeão pelo mesmo clube.

BAYERN 1X1 PSG | COMPACTO DA PARTIDA | SEMIFINAL - VOLTA | CHAMPIONS LEAGUE 2025/26

Quando lidera a saída de bola do PSG, ele organiza uma linha defensiva que terminou a semifinal contra o Bayern com números sólidos de PPDA (passes permitidos por ação defensiva) — métrica que mede a intensidade da pressão adversária. Contra um Bayern que pressionou alto, o PSG sustentou um bloco compacto e explorou o contra-ataque, algo que o SportNavo acompanhou em detalhes ao longo das duas partidas da semifinal.

Quando organiza a marcação posicional, ele reduz os progressive passes adversários na zona central — ou seja, os passes que avançam ao menos 10 metros em direção ao gol. No agregado contra o Bayern (6 a 5), o PSG concedeu poucos desses passes no corredor central justamente porque Marquinhos fechou o espaço entre as linhas com consistência.

O empate em Munique e o que os números dizem sobre aquela noite

No Allianz Arena, o PSG saiu na frente com apenas 3 minutos: Kvaratskhelia lançou Dembélé, que finalizou com precisão. O Bayern pressionou o jogo inteiro, chegou a criar situações perigosas com Musiala — defendidas por Safonov numa intervenção à queima-roupa antes do intervalo — e só conseguiu o empate com Harry Kane nos acréscimos, seu 55º gol em todas as competições na temporada pelo clube alemão. Tarde demais para mudar o placar agregado.

Em termos de xG (expected goals), o Bayern acumulou chances de maior qualidade ao longo do segundo tempo, mas a solidez defensiva parisiense — com Marquinhos liderando as defensive actions no campo próprio — impediu que a pressão se convertesse em gols reais. O resultado final, 1 a 1, garantiu a classificação francesa pelo placar agregado de 6 a 5.

Marquinhos recusa o papel de favorito contra o Arsenal

Logo após o apito final em Munique, o capitão foi direto ao ponto em entrevista à TNT Sports:

"A gente não pode cair nessa armadilha. No ano passado, o Arsenal foi um dos times mais difíceis com quem jogamos. Uma final é 50/50, muita coisa pode acontecer. Temos que chegar com a mentalidade do ano passado, de ganhar, de fazer o que tem que fazer no jogo."

O recado faz sentido quando se olha o histórico recente. Na semifinal da Champions 2024/2025, PSG e Arsenal se enfrentaram em dois jogos — e os franceses venceram os dois, abrindo caminho para o título. Os Gunners, portanto, chegam a Budapeste conhecendo bem o estilo de jogo adversário e com uma motivação extra: a conquista seria inédita para o clube londrino.

O que Marquinhos passa para a nova geração do PSG

Ele próprio reconheceu o peso da experiência acumulada e o papel que tenta exercer dentro do vestiário:

"Essa era a minha quinta semifinal, agora minha terceira final. É muito difícil chegar em 13 anos de PSG. Temos que aproveitar bastante este momento e lutar por este título agora."

Para os mais jovens do elenco — que nunca disputaram uma final europeia — ter um capitão com esse histórico ao lado é um ativo tático e emocional. A experiência de quem já perdeu uma final (2020) e já ganhou outra (2025) vale mais do que qualquer sessão de vídeo.

PSG x Arsenal. 30 de maio. Budapeste. Marquinhos na terceira final — e o bicampeonato como única meta.