— Remo tá na degola, vai apanhar feio do Athletico.
— Três jogos sem perder, cara. Furacão não ganha há três rodadas. Não é impossível.
— Tá bom, mas é o Athletico...
— Era o Palmeiras também, até o Mangueirão falar diferente.

O diálogo é fictício, mas o argumento não. Quando o Remo recebe o Athletico-PR neste domingo (24), às 16h, pela 17ª rodada do Brasileirão, a distância na tabela — 18º contra 5º, 15 pontos contra 24 — esconde uma realidade mais complexa do que os números sugerem à primeira vista.

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O Remo que chegou ao Mangueirão diferente de três semanas atrás

O argumento mais usado contra o Leão é simples: time na zona de rebaixamento não tem moral para bater em candidato à Libertadores. É um raciocínio conveniente, mas ignora a trajetória recente. O Remo não perde há três partidas, e a vitória mais recente veio num duelo de 3 a 2 sobre a Chapecoense — um jogo que exigiu volume ofensivo, resiliência e capacidade de virada. Não é o perfil de equipe em colapso.

Há ainda o fator Zé Ricardo. O volante cumpria suspensão de cinco jogos imposta pelo STJD, mas teve a pena reduzida e foi liberado pelo tribunal para o confronto. A volta do meio-campista completa o setor mais importante do esquema do técnico Léo Condé, que agora pode alinhar José Welison, Patrick e Zé Ricardo na mesma linha. Com Yago Pikachu aberto pela direita e Alef Manga como referência ofensiva, o Remo tem estrutura para jogar de forma organizada — e não apenas para resistir.

O Remo que chegou ao Mangueirão diferente de três semanas atrás Três jogos sem p
O Remo que chegou ao Mangueirão diferente de três semanas atrás Três jogos sem p

Três jogos sem derrota. Um titular de volta. Mangueirão como palco.

O Athletico que não convence desde o empate com o Flamengo

Quem defende o Furacão como favorito absoluto precisa explicar o que aconteceu nas últimas três rodadas. O time de Odair Hellmann ficou no 1 a 1 com o Flamengo no jogo mais recente — e o dado mais revelador não é o placar, mas o contexto: o Athletico passou boa parte da partida em vantagem no marcador e não conseguiu segurar o resultado. Três jogos sem vencer para um time que mira a Libertadores não é irrelevância estatística; é sintoma de instabilidade.

A única mudança prevista por Odair Hellmann para o duelo é o retorno do volante Portilla, que cumpriu suspensão contra o Mengão. O colombiano volta à equipe e deve ocupar o meio junto a Jadson, numa linha que precisa recuperar o controle que o Furacão perdeu nas últimas semanas. Benavídez e Zapelli completam o setor, com Mendoza e Viveros como referências no ataque. O problema é que esse mesmo conjunto não produziu resultado positivo em três tentativas consecutivas.

O Athletico que não convence desde o empate com o Flamengo Três jogos sem perder
O Athletico que não convence desde o empate com o Flamengo Três jogos sem perder

O que muda no mapa do Brasileirão dependendo do que acontece no Mangueirão

Para o Remo, a matemática é direta: uma vitória leva o clube a 18 pontos e reduz a distância para a zona de não-rebaixamento. Com 15 pontos em 16 rodadas, o Leão ainda não saiu do buraco, mas três pontos contra um adversário do calibre do Athletico valeriam mais do que a pontuação em si — valeriam confiança e moral para a sequência de um campeonato que ainda tem 22 rodadas pela frente.

Para o Furacão, o cenário é diferente, mas igualmente urgente. Com 24 pontos na 5ª colocação, o Athletico está na briga por vaga na Libertadores, mas uma quarta rodada sem vitória começa a aproximar os perseguidores e a questionar a consistência da equipe para disputar o G-4 no segundo turno. Perder no Mangueirão, para um time na zona de rebaixamento, seria o tipo de resultado que muda o humor interno de um vestiário.

Segundo o palpite do analista Celso Ardengh, o placar mais provável é Remo 1 a 2 para o Athletico — uma previsão que reconhece a capacidade do Leão de marcar, mas ainda aposta na qualidade técnica do Furacão para decidir. A arbitragem ficará a cargo de Rodrigo Jose Pereira de Lima, de Pernambuco, com VAR de José Claudio Rocha Filho.

Segundo Odair Hellmann, a volta de Portilla deve ser a única mudança do Athletico em relação ao último jogo — sinal de que o treinador confia no mesmo grupo que não venceu nas últimas três rodadas.

Três pontos no Mangueirão colocariam o Remo de volta à briga pela permanência com moral renovada — falta o apito inicial para descobrir se a sequência invicta resiste ao maior teste da temporada.