Treze nomes, seis clubes brasileiros, um grupo de Copa com Portugal. Veja-se isto: a Colômbia de Néstor Lorenzo apresentou, na quinta-feira 14 de maio de 2026, uma pré-lista de 55 atletas para a Copa do Mundo, e mais de um quinto desse contingente vive e trabalha no futebol brasileiro — uma concentração geográfica que não tem precedente recente na história das convocações colombianas para Mundiais.
Os 13 colombianos que o Brasileirão emprestou à Copa
A lista completa dos pré-convocados que atuam no Brasil reúne nomes de diferentes perfis e momentos de carreira. Pelo Palmeiras, o atacante Jhon Arias, um dos mais regulares da Série A em 2026. Pelo Flamengo, o meia Jorge Carrascal, que chegou ao Rio de Janeiro com a expectativa de ser o camisa 10 que o clube buscava. Pelo Internacional, dois nomes de peso: o centroavante Santos Borré e o ponta Johan Carbonero. O Vasco tem três representantes — Carlos Cuesta, Carlos Andrés Gómez e Johan Rojas. O Athletico-PR contribui com Juan Portilla, Kevin Viveros e Stiven Mendoza. Cruzeiro, Botafogo e Coritiba completam o quadro com, respectivamente, Néiser Villarreal, Jordan Barrera e Sebastián Gómez.

Reparemos no detalhe: entre esses 13, há graus radicalmente distintos de consolidação na seleção colombiana. Portilla esteve com o grupo em convocações de 2024 e 2025, participando das Eliminatórias Sul-Americanas, mas ficou fora dos amistosos de março deste ano contra Croácia e França. Borré estreou pela cafetera ainda em 2015, mas não foi chamado em 2018 — quando a Colômbia chegou às oitavas de final da Copa da Rússia, eliminada pela Inglaterra nos pênaltis — e em 2022 o país sequer se classificou. Johan Rojas, por sua vez, nunca havia sido convocado antes desta pré-lista, tornando sua inclusão a maior surpresa do documento, especialmente após o gol que marcou pelo Vasco no empate contra o Paysandu no Brasileirão 2026.
Jhon Arias e Carrascal, os dois com maior chance de embarcar
Historicamente, o futebol colombiano produziu atacantes de alto rendimento para Copas do Mundo — Faustino Asprilla em 1994 (três jogos, um gol), Carlos Bacca em 2014 (quatro jogos, dois gols na fase de grupos), Radamel Falcao em 2018 (quatro jogos, três gols). Jhon Arias, com sua regularidade pelo Palmeiras no Brasileirão 2026, disputa espaço em uma lista que ainda conta com Lucho Díaz, Jhon Durán e Cucho Hernández — o que torna a concorrência no setor ofensivo brutalmente acirrada. Lorenzo terá de cortar ao menos dois ou três atacantes de peso para chegar aos 26 nomes finais até 1º de junho, prazo imposto pela Fifa.
Carrascal chega a esta disputa com um currículo mais irregular na seleção, mas com o argumento de que Lorenzo não tem muitos meias criadores de nível semelhante fora de James Rodríguez — que, aos 34 anos, também está na pré-lista e deve ser convocado, dado seu peso histórico na Copa de 2014, quando foi artilheiro e melhor jogador do torneio com seis gols e dois gols de letra que ainda circulam nos compilados do YouTube. A questão é se James chegará ao Mundial em condições físicas plenas, considerando o ritmo irregular que tem apresentado.
O Grupo K e o que espera a Colômbia no Mundial
A Colômbia foi sorteada no Grupo K da Copa do Mundo 2026, ao lado de Portugal, República Democrática do Congo e Uzbequistão. Trata-se de um grupo que coloca Lorenzo diante de uma decisão tática central: Portugal, com Cristiano Ronaldo ainda na lista de convocáveis e uma geração intermediária de qualidade (Vitinha, Bruno Fernandes, Bernardo Silva), é favorito à liderança. A Colômbia briga pela segunda vaga, e o histórico recente justifica o otimismo — na Copa América 2024, nos Estados Unidos, a seleção colombiana chegou à final sem perder nenhum jogo, sendo derrotada apenas pela Argentina de Messi na decisão.
Segundo o técnico Néstor Lorenzo, a pré-lista de 55 nomes será reduzida nos próximos dias, com a lista definitiva de 26 jogadores sendo anunciada pela Federação Colombiana no dia 29 de maio de 2026 — dois dias antes do prazo máximo da Fifa. Os clubes brasileiros envolvidos receberão compensação financeira da entidade: o valor base é de US$ 11 mil diários por jogador convocado, calculado desde o período de preparação até a eliminação da seleção na competição.

O que a presença massiva no Brasil diz sobre o futebol colombiano
Há uma leitura estrutural nessa concentração de 13 jogadores no Brasileirão que vai além da convocação em si. A Colômbia exportou, historicamente, seus melhores talentos para a Europa — James e Falcao para o Real Madrid e Atlético de Madrid, Cuadrado para a Juventus, Dávinson Sánchez para o Tottenham. Que agora o Brasil figure como segundo destino mais relevante para atletas na faixa dos 22 aos 30 anos reflete tanto a valorização do mercado brasileiro quanto a dificuldade crescente de colombianos sem passagem por grandes ligas europeias de se firmarem no Velho Continente. Borré, por exemplo, jogou no Eintracht Frankfurt entre 2021 e 2023, foi campeão da Europa League em 2022, e ainda assim retornou à América do Sul. Carbonero construiu sua reputação no Santos antes de chegar ao Internacional. O Brasileirão, com sua visibilidade continental e os recursos dos grandes clubes, tornou-se uma vitrine funcional para quem precisa aparecer antes de uma Copa.
A Colômbia estreia na Copa do Mundo 2026 no Grupo K, com data e adversário ainda a confirmar pela Fifa no calendário oficial do torneio, que tem início em 11 de junho de 2026 nos Estados Unidos, México e Canadá. Lorenzo terá até 29 de maio para comunicar os 26 escolhidos — o que significa que os 13 colombianos do Brasileirão têm menos de duas semanas para convencer o treinador de que merecem uma vaga no avião.










