Uma locomotiva sem trilhos. É isso que Tai Tuivasa virou dentro do octógono nos últimos dois anos — potência bruta sem direção, sem sistema, sem resposta para o que os adversários apresentam.

No sábado, 2 de maio de 2026, no RAC Arena em Perth, o australiano foi superado por Louie Sutherland por decisão unânime, somando sua sétima derrota consecutiva no UFC. Diante da própria torcida, Bam Bam não conseguiu impor nem um round de domínio sequer. Sutherland controlou o grappling desde o primeiro minuto, derrubou Tuivasa repetidamente e ainda conectou combinações duras — uma cotovelada rodada seguida de joelhada que balançou o australiano no segundo round, sem, porém, levá-lo ao chão.

O que dizem os envolvidos

Não há declaração pública de Tuivasa após a luta que mude o diagnóstico. O que circula nos bastidores do UFC, segundo apuração do SportNavo, é que a organização já discute internamente o futuro do peso-pesado no plantel. Sete derrotas seguidas pesam sobre qualquer contrato — e o histórico de Bam Bam não oferece atenuantes recentes.

Sutherland, por sua vez, celebrou a vitória com frieza clínica. O escocês não precisou de grandes recursos: apostou no wrestling, dominou o tempo de luta e neutralizou qualquer tentativa de reação no terceiro round, quando Tuivasa tentou pressionar, mas já demonstrava desgaste físico evidente. A estratégia foi simples porque o adversário permitiu que fosse.

"Ele tentou ser mais agressivo no terceiro, mas eu já sabia que ele estava cansado. Mantive o plano", disse Sutherland em entrevista pós-luta no cage, resumindo em uma frase o que a análise técnica confirma.

O que dizem os números

Sete derrotas seguidas no UFC colocam Tuivasa a apenas uma de igualar o recorde negativo de Tony Ferguson, que acumula oito reveses consecutivos na organização. Ferguson, ao menos, chegou a esse número carregando um legado de ex-campeão interino e uma sequência histórica de 12 vitórias antes da queda. Tuivasa não tem esse capital simbólico para gastar.

A análise de desempenho agrava o quadro. Nas últimas sete lutas, Bam Bam foi derrotado por nocaute ou dominância de grappling em praticamente todos os confrontos — um padrão que expõe duas fragilidades estruturais: wrestling defense abaixo da média para o peso-pesado do UFC e queixo progressivamente mais vulnerável a golpes de média distância. O reach de 193 cm nunca foi explorado com consistência ofensiva, tornando-se irrelevante quando o adversário fecha a distância e vai para o solo.

Na avaliação do SportNavo, a curva de desempenho de Tuivasa entre 2022 e 2026 é uma das quedas mais acentuadas entre pesos-pesados na história recente do UFC — comparável, em termos de velocidade de declínio, ao arco de Rocky no terceiro filme, quando o campeão perde a fome antes mesmo de perder o cinturão.

O que digo eu sobre o quadro

O UFC tem histórico documentado de demitir lutadores com três ou quatro derrotas seguidas quando não há perspectiva de recuperação comercial. Sete derrotas é um número que, em condições normais, já teria encerrado qualquer contrato. Tuivasa sobreviveu até aqui por um motivo: é australiano, luta em casa, arrasta público e tem carisma fora do octógono. Mas esse capital se esgota.

A questão não é se ele vai igualar Ferguson. A questão é se o UFC vai conceder mais uma luta a um atleta que perdeu o wrestling defense, perdeu o timing de striking e perdeu a capacidade de impor ritmo por três rounds. Cada derrota adicional prejudica a marca do evento na Austrália — e isso, para a organização, pesa tanto quanto o desempenho técnico.

Minha leitura é direta: se o corte não vier nos próximos dias, a próxima luta de Tuivasa será a última no UFC independentemente do resultado. A organização não vai permitir que ele entre para a história pelo motivo errado — especialmente quando o recorde em questão pertence a Tony Ferguson, outro caso que o UFC demorou para resolver e hoje admite que deveria ter agido antes.

O prazo para uma decisão oficial do UFC sobre o futuro de Tuivasa no plantel deve se definir nas próximas semanas, antes da divulgação do card do próximo evento australiano, previsto para o segundo semestre de 2026.