É um relógio suíço com pavio curto.

O Palmeiras feminino acumula, em dez rodadas, 22 gols marcados e apenas nove sofridos — saldo de +13, o melhor da competição. Seis vitórias, três empates e uma derrota. Aproveitamento de 70%. A engrenagem funciona com precisão, mas qualquer oscilação no segundo turno pode custar o título. Por isso, a partida desta segunda-feira (18), às 21h, contra o Botafogo na Arena Crefisa Barueri, tem peso desproporcional ao adversário.

A tabela que o Palmeiras precisa entender antes do apito

O Verdão é vice-líder com 21 pontos. O líder tem 22. A diferença entre as duas equipes é a distância entre São Paulo e Campinas — parece pequena, mas determina quem vai para o intervalo da temporada com vantagem psicológica e matemática.

Em dez jogos, o Palmeiras produziu uma média de 2,2 gols por partida e concedeu 0,9. O único revés foi o 3 a 0 sofrido para o São Paulo em Cotia, em 27 de março. Nos outros nove jogos, nenhuma derrota. Três empates — Flamengo (1 a 1), Santos (0 a 0) e Bahia (0 a 0) — foram os únicos pontos perdidos fora das situações de vitória.

A treinadora Rosana Augusto tem gerenciado carga de trabalho com critério cirúrgico. O Palmeiras disputa simultaneamente o Brasileirão e o Campeonato Paulista Feminino, o que eleva a frequência de jogos para até dois por semana em determinadas datas. A resposta de Rosana é a rotação controlada de elenco.

"A gente tem um elenco muito bom, muito grande, muito qualificado. A ideia é entender a estratégia que a gente vai tratar contra cada adversário, entender também o controle de carga junto à fisiologia e a preparação física para escalar o melhor possível", declarou a técnica.

O desempenho recente e o valor individual do elenco alviverde

Quatro gols em uma vitória por 4 a 1 sobre o Atlético-MG, em 11 de maio, recolocou o Palmeiras nos trilhos após dois empates seguidos. Tainá Maranhão marcou três vezes naquela partida — o terceiro hat-trick da atacante nesta edição do Brasileirão. Lorena Benítez fez o quarto.

Tainá Maranhão aparece como artilheira do time na competição, com participação decisiva em pelo menos quatro dos dez jogos disputados. Bia Zaneratto, uma das jogadoras de maior valor de mercado do futebol feminino brasileiro — avaliada em torno de 800 mil euros pelo Transfermarkt —, marcou em três partidas distintas: contra América-MG, Grêmio e Fluminense.

Brena Carolina foi outro nome recorrente no placar. Gols contra América-MG (dois), Grêmio e Flamengo consolidam sua função como peça de ligação entre o meio e o ataque. O elenco distribui a produção ofensiva entre pelo menos oito jogadoras diferentes que já marcaram nesta temporada — um indicador de profundidade técnica difícil de replicar entre os clubes concorrentes.

O histórico de confrontos entre Palmeiras e Botafogo no futebol feminino é equilibrado: dois jogos, uma vitória para cada lado. O duelo mais recente foi em 24 de março de 2024, no Estádio Jayme Cintra, em Jundiaí, pela terceira rodada daquela edição do Brasileirão.

O Botafogo como adversário e o que os números revelam

O Botafogo ocupa a parte inferior da tabela. A equipe carioca não tem repertório ofensivo nem coesão defensiva para ameaçar o Palmeiras no momento atual. Comparar os saldos de gols das duas equipes nesta fase é como medir a diferença de altitude entre o Pico da Bandeira e o litoral fluminense — a distância é real e os números a comprovam.

Para o Palmeiras, o risco não é perder para o Botafogo. O risco é empatar. Um tropeço em casa, contra um adversário na zona de rebaixamento, interromperia o momentum construído desde a vitória sobre o Fluminense em 21 de abril. Aproveitamento de 100% nos jogos em casa — excetuando o 1 a 1 com o Flamengo — reforça que a Arena Crefisa Barueri funciona como fator de conversão de desempenho em pontos.

A entrada gratuita para o jogo desta segunda-feira, com retirada de ingressos pelo site oficial do clube via reconhecimento facial, tende a ampliar o público. A torcida palmeirense acessa pelo Setor C1, Portão 15 (Rua Santos Dumont, 365). O Botafogo ocupa o Setor D, Portão 9 (Rua Olavo Bilac, 266). Sem bilheteria física no local.

Os cenários para as próximas semanas do Brasileirão Feminino

Uma vitória desta segunda-feira leva o Palmeiras a 24 pontos. A liderança seria assumida, a depender do resultado do líder atual na mesma rodada. O calendário seguinte traz Red Bull Bragantino em 24 de maio, Mixto em 25 de julho e Internacional em 1º de agosto — adversários com perfis distintos que exigirão estratégias específicas de Rosana Augusto.

O quadro financeiro do futebol feminino brasileiro ainda não permite análise de ROI por transferência no modelo do masculino — os direitos econômicos de jogadoras raramente são negociados com valores públicos e cláusulas detalhadas. Mas o Palmeiras tem demonstrado que investimento consistente em elenco e comissão técnica produz retorno competitivo mensurável: melhor saldo de gols, maior número de jogadoras artilheiras e segunda posição na tabela com dez rodadas disputadas.

Se o Verdão vencer o Botafogo nesta segunda-feira e o atual líder não pontuar, o Palmeiras feminino vai dormir no topo do Brasileirão pela primeira vez nesta edição. O próximo teste vem em 24 de maio, às 15h, contra o Red Bull Bragantino, em local ainda a definir.