3 de maio de 2026, domingo à noite, entorno do Maracanã, Zona Norte do Rio de Janeiro. Arthur Cortines Laxe, estudante de 18 anos, torcedor do Vasco, saía do estádio em direção à estação de metrô quando uma bala de borracha disparada por um policial militar atingiu seu rosto. A perda de visão do olho direito, confirmada pelos médicos como irreversível, transformou um clássico de futebol no pior dia da vida de uma família mineira radicada no Rio.
O que os médicos da Casa de Saúde São José já confirmaram
Arthur está internado na Casa de Saúde São José, no Humaitá, Zona Sul do Rio. A equipe médica prevê ao menos três procedimentos cirúrgicos: uma cirurgia plástica, outra para tratar fratura no nariz e uma terceira ainda em avaliação. O prognóstico para a visão, porém, não deixa margem de dúvida — o dano é permanente. O jovem descreveu o momento do impacto com precisão desconcertante:
"Quando virei pra trás, ouvi os cavalos e já tomei um tiro na cara."Arthur afirmou que não integrava nenhuma torcida organizada e não participava da confusão que motivou a ação policial. Tentou recuar quando foi atingido.
A PM ignorou Arthur sangrando na calçada
O detalhe mais grave do caso não é apenas o disparo — é o que veio depois. Ferido, com o rosto coberto de sangue, Arthur pediu socorro a policiais militares presentes no local. Segundo ele, um dos agentes respondeu:
"Sai daqui, se vira."Um canal do YouTube registrou em vídeo o momento em que o estudante, visivelmente ferido, tenta ser atendido por um PM, que faz um gesto mandando-o embora. Foi um taxista que passava pelo local quem o levou até o hospital. A distância entre a frieza desse gesto e o dever constitucional de proteção é do tamanho da rodovia Transamazônica — quilômetros de omissão que nenhum protocolo de segurança pública consegue justificar.

A família de Arthur e o caminho judicial que se abre
Christiane Cortines, mãe de Arthur, concedeu entrevista ao SBT Rio na noite de terça-feira, 5 de maio, e não poupou palavras:
"O meu filho, quando me ligou, estava lavado de sangue. Quando eu o encontrei no hospital… aquilo pra mim, acabou. Acho que é um trauma que vai ficar."Christiane confirmou que entrará com pedido de indenização contra o Estado do Rio de Janeiro, argumentando ser inadmissível que um jovem saia de casa para assistir a um jogo e retorne sem enxergar. O pai, Paulo Conceição, lamentou ter transmitido a paixão pelo Vasco ao filho — e ter essa herança marcada por uma tragédia evitável. A Polícia Militar confirmou que um homem ficou ferido durante a ação de dispersão, mas não detalhou publicamente as circunstâncias do disparo nem identificou o agente responsável.
O padrão de violência que os clássicos cariocas acumulam
O caso de Arthur não é episódio isolado. Clássicos entre Flamengo e Vasco no Maracanã historicamente concentram os maiores índices de ocorrências policiais no entorno do estádio, com registros de confrontos entre torcidas organizadas que frequentemente resultam em ações de dispersão da PM. O problema estrutural está na ausência de protocolos claros sobre o uso de munição de impacto controlado em ambientes com alta densidade de civis não envolvidos em conflito. Nenhum órgão de segurança pública do Estado do Rio apresentou, até esta quarta-feira, 6 de maio, qualquer posicionamento sobre abertura de inquérito para identificar o policial que efetuou o disparo. A família de Arthur tem provas em vídeo, tem testemunhas e tem um laudo médico irreversível — tem tudo para o processo. O Estado do Rio tem um silêncio que, juridicamente, já começa a custar caro.








