Se o Independiente Medellín precisasse calcular hoje o custo total do que aconteceu na noite de quinta-feira (7/5) no Atanasio Girardot, o número já seria assustador antes de qualquer multa da Conmebol entrar na equação. Pois bem: ele já é. Segundo levantamento do canal colombiano RCN — que classificou os eventos como "vergonha mundial" — foram 113 cadeiras quebradas ou queimadas nas arquibancadas, 13 pias, 9 mictórios e 1 vaso sanitário destruídos nos banheiros, além de três câmeras de segurança danificadas, nove grades de alumínio inutilizadas, uma cabine de combate a incêndio violada e uma porta de acesso ao setor Norte arrombada. A conta material já é extensa. A conta institucional pode ser ainda maior.

Uma crise do Medellín que começou antes do apito

Para entender o que aconteceu no Atanasio, é preciso recuar ao domingo anterior. No dia 4 de maio, o Independiente Medellín perdeu por 2 a 1 para o Rionegro Águilas, em casa, resultado que encerrou a participação do clube no Campeonato Colombiano. O que virou gatilho imediato para a crise, porém, não foi o placar — foi o comportamento do principal acionista do clube, Raúl Giraldo, que desceu ao gramado após o apito final e, aparentemente embriagado, levantou os braços em direção às arquibancadas como se celebrasse uma vitória. A reação da torcida foi imediata e furiosa.

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Giraldo publicou um vídeo pedindo desculpas no dia seguinte e anunciou seu afastamento do cargo de representante legal do clube — mas o estrago simbólico já estava feito. Horas antes da partida contra o Flamengo pela quarta rodada da fase de grupos da Copa Libertadores, uma das organizadas do DIM publicou uma imagem com a frase "nem perdão, nem esquecimento", afirmando que a cúpula havia brincado com "as esperanças de um povo". O aviso era explícito. A organização do jogo, aparentemente, não o tratou com a seriedade devida.

O inventário dos danos e as nove detenções

Membros das organizadas chegaram ao estádio vestidos de preto e com os rostos cobertos — sinal inequívoco de intenção de confronto que não foi bloqueado na entrada. Ainda no aquecimento, o time foi recebido sob vaias. Quando a bola ia rolar, começaram os arremessos de bombas e sinalizadores em direção ao gramado, seguidos de um princípio de incêndio nas arquibancadas. A partida foi cancelada.

Segundo o jornal colombiano El Tiempo, nove pessoas foram detidas durante a confusão — entre elas um menor de idade. De acordo com a Rádio Blu, três foram encaminhadas ao Centro de Custódia Protetiva e outros três foram autuados diretamente por policiais da Polícia Metropolitana de Medellín. Para ter uma dimensão do alcance do vandalismo: o número de itens sanitários destruídos nos banheiros do Atanasio — 23 peças no total — supera a quantidade de jogos que o Medellín disputou na fase de grupos da Libertadores até aquela rodada, o que dá a medida da irracionalidade do ato.

A Conmebol abriu expediente e o Medellín responde como mandante

A Comissão Disciplinar da Conmebol abriu um expediente formal para analisar o caso. Como clube mandante, o Independiente Medellín é o responsável direto pela segurança dentro do Atanasio Girardot — e essa responsabilidade, no regulamento da competição, é intransferível. A entidade ainda não notificou os clubes para apresentarem suas defesas, mas as punições possíveis incluem multas financeiras, perda do mando de campo e até exclusão da competição em casos extremos.

"Vergonha mundial" — foi assim que o canal RCN descreveu as cenas registradas no Atanasio Girardot na noite de quinta-feira, em transmissão ao vivo que circulou por toda a América do Sul.

O Flamengo, por sua vez, deve pleitear a vitória por W.O. com base no regulamento da Conmebol, que prevê essa possibilidade quando um jogo é cancelado por falha de segurança imputável ao clube mandante. A equipe carioca — que liderava o Grupo C antes da rodada — pode, portanto, somar três pontos sem entrar em campo, dependendo da decisão disciplinar da entidade.

Quem paga a fatura e o que muda na segurança do torneio

Os danos físicos ao Atanasio Girardot — estrutura que pertence ao município de Medellín, não ao clube — criam uma camada adicional de responsabilidade jurídica. O Independiente Medellín pode ser chamado a ressarcir a prefeitura pelos prejuízos causados por sua torcida dentro de um estádio público, o que adiciona pressão financeira a um clube já abalado pela crise de governança exposta pela conduta de Giraldo.

A Conmebol deve notificar formalmente o Independiente Medellín nos próximos dias para que o clube apresente sua defesa. A decisão disciplinar — que definirá multas, eventuais jogos sem público e a questão do W.O. — precisa sair antes da quinta rodada da fase de grupos, marcada para a semana de 13 de maio, quando o Flamengo recebe o DIM no Maracanã e terá a oportunidade de, em campo, ampliar a vantagem no grupo independentemente do que for decidido nas mesas da Conmebol.