A vitória do Palmeiras por 2 a 1 sobre o Sporting Cristal, na quinta-feira (16), pelo Allianz Parque, trouxe à tona uma discussão fundamental sobre os critérios de aplicação do VAR na Copa Libertadores. O pênalti que definiu o resultado, convertido por Flaco López aos 76 minutos, foi marcado apenas após revisão do árbitro chileno Piero Maza, gerando controvérsia sobre a interpretação do conceito de "clara e evidente" necessário para intervenção da tecnologia.
O lance aconteceu quando Arthur se chocou com Cuenca na área peruana. Inicialmente, Maza não assinalou a infração, mas foi chamado pelo VAR para revisar as imagens. Após análise no monitor, apontou para a marca da cal. Esta sequência ilustra perfeitamente o dilema que a arbitragem moderna enfrenta: quando um toque é suficiente para caracterizar falta e justificar a intervenção tecnológica?
A polêmica na visão dos especialistas
O jornalista Gustavo Zupak, da ESPN, foi categórico em sua crítica à decisão. Durante a programação da emissora, disparou contra a marcação:
"O que derruba o jogador do Palmeiras é o toque do jogador do Cristal? Para mim, não. O Arthur se joga ao sentir o toque por baixo e o leve empurrão por cima. Na hora que o jogador do Cristal toca a perna do Arthur, o Arthur dá mais um passo para depois cair. O toque é claríssimo, mas, para ser pênalti, é preciso que esse toque tenha impactado o jogador a ponto de tirá-lo do lance. E para mim isso não aconteceu."
A análise de Zupak ecoa debates similares que marcaram a arbitragem sul-americana nos últimos anos. Em 2023, durante a semifinal entre Fluminense e Internacional, um lance parecido gerou discussões sobre a intensidade do contato necessário para configurar penalidade máxima.
Palmeiras rebate críticas nas redes sociais
A resposta palmeirense veio através das redes sociais, com uma publicação irônica que parecia mirar nas recentes declarações de José Boto, diretor executivo do Flamengo. O clube alviverde postou o vídeo do lance acompanhado da legenda:
"Muito pênalti. Só não vê quem não quer (ou quem quer engajamento com polêmicas vazias)"
A provocação faz referência aos comentários de Boto, que havia chamado o Palmeiras de "chorão profissional" após reclamações sobre o adiamento do clássico Fla-Flu. Segundo apuração do SportNavo, essa troca de farpas demonstra como questões arbitrárias transcendem o campo e se tornam disputas institucionais entre clubes.
Historicamente, o Palmeiras mantém uma postura combativa em relação à arbitragem. Durante a campanha do título da Libertadores de 2021, o clube registrou 14 reclamações oficiais à Conmebol sobre decisões controversas, número superior aos demais finalistas daquela edição.
O critério regulamentar em xeque
O regulamento da Conmebol estabelece que o VAR deve intervir apenas em "erros claros e evidentes". No entanto, a subjetividade dessa definição gera interpretações distintas entre árbitros e observadores. Confrontos diretos entre Palmeiras e equipes peruanas na Libertadores mostram histórico de decisões polêmicas: em 2019, contra o Alianza Lima, três pênaltis foram marcados na mesma partida, todos confirmados pela tecnologia.
A estatística revela que em 78% dos lances revisados pelo VAR na atual edição da Libertadores, a decisão original do árbitro foi mantida. O caso Arthur versus Cuenca integra os 22% onde houve reversão, percentual que se alinha com competições europeias como a Champions League.
Para o duelo de volta contra o Sporting Cristal, marcado para 23 de abril em Lima, o Palmeiras precisará administrar uma vantagem construída em meio à polêmica. A equipe peruana, que não vence o time brasileiro desde 1999 em jogos oficiais, terá o mando de campo para reverter o placar agregado e buscar classificação inédita às oitavas de final.

