Caiu. O Vasco perdeu por 3 a 0 para o Bragantino em São Januário neste domingo (24), pela 17ª rodada do Brasileirão, e agora ocupa a 16ª colocação com 20 pontos — apenas dois à frente do Santos, que abre o Z-4. A torcida vaiou, protestou contra o presidente Pedrinho e o técnico Renato Gaúcho, e o próprio elenco não poupou autocrítica.

A narrativa de que o Vasco está mal por falta de elenco não se sustenta

Circula nos grupos de torcedores e nas redes sociais a ideia de que o problema do Vasco é puramente de plantel — que faltam contratações, que o elenco é curto demais para brigar em duas competições. Os números desta noite desmontam essa tese. O time teve 20 finalizações ao longo do jogo contra apenas quatro do Bragantino em partidas anteriores no mesmo confronto, e ainda assim não converteu o suficiente para competir. Spinelli finalizou para fora duas vezes. Brenner desperdiçou chance clara na pequena área. O problema não é só de elenco — é de execução.

Fisicamente abaixo desde o primeiro tempo, o Vasco cedeu o controle do meio-campo para um Bragantino ágil e bem postado. O Massa Bruta pressionou alto, forçou erros na saída de bola e aproveitou cada vacilo defensivo. Rodriguinho abriu o placar aos 46 minutos do primeiro tempo com um chutaço de fora da área no canto esquerdo de Léo Jardim — gol de jogada construída pela omissão vascaína, não por genialidade isolada.

No segundo tempo, a situação piorou. Mosquera arrancou pela esquerda sem marcação e cruzou para Isidro Pitta marcar o segundo aos 15 minutos. A linha defensiva do Vasco estava desorganizada, sem comunicação e sem intensidade para fechar os espaços. Lucas Piton, alvo de xingamentos uníssono da torcida já no intervalo, simbolizou a noite: lateral que não defendeu e não atacou com eficiência.

"Nosso time não veio para o jogo. Resumindo é isso. Hoje foi um resultado vergonhoso", declarou o volante Thiago Mendes ao SporTV após o apito final.

Os erros individuais que definiram o placar de 3 a 0

Quando o Bragantino pressiona alto, o Vasco trava. Quando o Vasco trava, os erros individuais se multiplicam. Essa equação se repetiu neste domingo de forma ainda mais brutal do que nas rodadas anteriores.

Quando o time precisa de reação, os atacantes desperdiçam. Spinelli e Brenner tiveram chances reais de diminuir o placar após o segundo gol, mas ambos finalizaram mal dentro da área — o tipo de erro que, em um time confiante, não acontece com essa frequência. O Bragantino ainda chegou a bater um pênalti nos minutos finais, mas Eduardo Sasha isolou a cobrança, impedindo um placar ainda mais elástico.

A avaliação do SportNavo aponta um padrão claro: o Vasco de Renato Gaúcho tem dificuldade estrutural para reagir dentro de jogo. Nos últimos confrontos, a equipe acumula expulsões — foram oito na temporada, seis sob o comando do treinador gaúcho — e não consegue manter organização tática quando o placar está contra. Contra o Bragantino, o time teve mais de 45 minutos para tentar ao menos diminuir a desvantagem e não criou nada consistente.

"Estou bastante chateado pelo resultado. Não esperava ter perdido em casa diante do nosso torcedor. Isso é frustrante para mim, pessoalmente, que sempre dou minha vida dentro de campo", completou Thiago Mendes.

Pedrinho na mira e a crise que extrapola o gramado

As vaias não foram só para os jogadores. A torcida direcionou protestos explícitos ao presidente Pedrinho e ao técnico Renato Gaúcho durante e após a partida — tanto nas arquibancadas de São Januário quanto nas redes sociais, onde os trending topics vascaínos dominaram a noite. A pressão sobre a gestão da SAF do clube também cresceu, com torcedores questionando as escolhas de contratação e a linha técnica adotada para a temporada.

O Bragantino, por sua vez, entrou no G5 com a vitória — 26 pontos, quinta colocação, na zona de classificação para a fase preliminar da Libertadores. O contraste entre os dois clubes nesta noite foi total: um time organizado, propositivo e eficiente contra um adversário sem identidade coletiva.

O Vasco tem dois jogos antes da pausa para a Copa do Mundo. Na quarta-feira (27), enfrenta o Barracas Central pela Copa Sul-Americana. No domingo (31), recebe o Atlético Mineiro em São Januário pelo Brasileirão — confronto direto contra um adversário que está na 10ª colocação com 21 pontos. Perder mais uma vez em casa pode colocar o Cruz-Maltino dentro do Z-4 antes da pausa. O calendário não tem piedade.