R$ 81,2 milhões de lucro em 2025. Esse é o número que o Vasco da Gama esperava desde a criação da SAF — e que finalmente apareceu no balanço financeiro divulgado dentro do prazo estabelecido pela Lei Geral do Esporte. É o primeiro resultado positivo desde que o clube adotou o modelo de sociedade anônima do futebol, encerrando uma sequência de três anos consecutivos no vermelho.

Da virada nos números ao tamanho do buraco

O clube faturou R$ 628 milhões em 2025, considerando receitas operacionais e negociações de atletas. O crescimento foi de 18,7% em relação ao exercício anterior — salto relevante para um clube que vinha acumulando prejuízos desde 2022.

Da virada nos números ao tamanho do buraco Vasco registra primeiro lucro da SAF
Da virada nos números ao tamanho do buraco Vasco registra primeiro lucro da SAF

A linha histórica deixa claro o tamanho da virada. Em 2022, o prejuízo foi de R$ 88 milhões. Em 2023, subiu para R$ 123 milhões. Em 2024, recuou para R$ 114,7 milhões. Agora, em 2025, o sinal inverteu para +R$ 81,2 milhões.

O balanço também é o primeiro relatório que cobre um ano completo sob a gestão de Pedrinho à frente da SAF. A combinação de aumento de receitas com a reestruturação das dívidas foi central para o resultado.

A recuperação judicial fez o trabalho pesado

O lucro de R$ 81,2 milhões não existiria sem o Plano de Recuperação Judicial aprovado em outubro de 2025. O próprio documento contábil é explícito sobre isso:

"No que se refere aos efeitos contábeis, verifica-se que o PRJ exerceu impacto material sobre o resultado do exercício de 2025. Na ausência desses efeitos, o resultado do período apresentaria prejuízo da ordem de R$ 232 milhões, em contraste com o lucro de R$ 81 milhões reportado."

Sem a recuperação judicial, o clube teria encerrado 2025 com prejuízo de R$ 232 milhões — pior resultado da história recente da SAF. O PRJ permitiu reestruturar obrigações e registrar efeitos contábeis positivos que transformaram o balanço.

A análise do SportNavo aponta que o lucro contábil, portanto, reflete menos uma geração orgânica de caixa e mais o impacto técnico da renegociação de passivos. Isso não invalida o avanço, mas condiciona a leitura do número.

Passivo de R$ 1,09 bilhão exige atenção nos próximos exercícios

O endividamento total encerrou 2025 em R$ 1,09 bilhão. Desse montante, R$ 384,5 milhões são classificados como passivo de curto prazo — obrigações com vencimento em até 12 meses — e R$ 711,8 milhões estão no longo prazo.

A concentração de R$ 384,5 milhões no curto prazo é o ponto mais sensível do balanço. Esse volume exige geração de caixa consistente ao longo de 2026 para que o clube honre compromissos sem recorrer a novas reestruturações.

  • Passivo total: R$ 1,09 bilhão
  • Curto prazo: R$ 384,5 milhões
  • Longo prazo: R$ 711,8 milhões
  • Receita total 2025: R$ 628 milhões
  • Lucro líquido 2025: R$ 81,2 milhões

Para reduzir o passivo de forma estrutural, o clube precisará manter o ritmo de crescimento de receitas acima de 15% ao ano e seguir gerando recursos com venda de atletas — linha que já contribuiu para o faturamento de R$ 628 milhões em 2025.

O que vem pela frente na gestão financeira

O balanço positivo dá fôlego político à diretoria de Pedrinho para negociar condições mais favoráveis com credores ao longo de 2026. Um clube com resultado positivo tem mais margem em renegociações do que um com prejuízo recorrente.

Conforme levantamento do SportNavo, o próximo teste real da saúde financeira da SAF será o balanço do primeiro semestre de 2026, quando será possível verificar se a geração de caixa operacional sustenta o pagamento das parcelas de curto prazo sem depender de novos instrumentos contábeis extraordinários.

O Vasco disputa o Brasileirão 2026 a partir de maio, e o desempenho em campo influencia diretamente variáveis financeiras como renda de bilheteria, cotas de TV e bonificações por classificação — itens que compõem a receita operacional que o clube precisará ampliar para reduzir os R$ 384,5 milhões devidos no curto prazo ainda neste ano.