"Eu ficava preocupada dele não conseguir tudo aquilo que almejava. Ele sempre sonhou muito alto. Teve puberdade tardia, demorou para crescer. Eu pensava: 'será que ele vai crescer? Será que vai realizar tudo isso?'" A frase é de Vera Mossa — ex-atleta da seleção brasileira, tricampeã olímpica e, acima de qualquer currículo, mãe de Bruninho. Ela disse isso ao Lance! em entrevista publicada às vésperas da final da Superliga Masculina, marcada para este domingo (10/5), às 10h, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo — justamente no Dia das Mães.
O menino que demorou para crescer e nunca parou de treinar
Aos 12 anos, Bruninho já declarava com convicção que seria profissional de algum esporte. Para quem observava de fora, o destino parecia óbvio: filho de Vera Mossa e do técnico multicampeão Bernardinho, o DNA do vôlei corria nas veias. Mas o corpo não acompanhava a ambição. A puberdade tardia tornava o projeto atlético uma incógnita real — num esporte em que o saque viagem, o bloqueio duplo e o posicionamento em zona de conflito exigem alcance, envergadura e potência muscular desenvolvida. Crescer tarde, no vôlei masculino de alto rendimento, não é detalhe. É variável decisiva.
Segundo Vera, o filho "correu muito atrás, treinou muito, deixou muita coisa para trás nesse período da adolescência e juventude buscando esse sonho". Esse sacrifício silencioso — que raramente aparece nas estatísticas de aces por set ou na eficiência de bloqueio — é o que diferencia atletas de alto rendimento dos que ficam pelo caminho. Bruninho escolheu o caminho mais longo. Decidiu.
Críticas de carreira e o peso de ser filho de dois ícones
Superar a barreira física foi apenas o primeiro obstáculo. Ao estrear no circuito profissional como filho de dois expoentes do vôlei brasileiro, Bruninho passou a carregar um escrutínio que poucos atletas enfrentam na mesma intensidade. Vera Mossa admitiu que as críticas ao filho no início da carreira a machucavam — e esse dado humaniza uma trajetória que, vista de fora, parece uma linha reta de conquistas. A analogia mais precisa é a de um maestro que precisa provar, a cada concerto, que a batuta está na mão certa — não herdada, mas conquistada nota por nota.
Com o tempo, os títulos construíram o escudo que Vera descreve. O currículo de Bruninho hoje inclui múltiplos campeonatos da Superliga, títulos mundiais com a seleção brasileira e a condição de referência técnica entre os levantadores do país — um atleta capaz de administrar o tempo de bola com precisão milimétrica, alternando pipe, levantamento de tempo e primeiro tempo para desorganizar qualquer sistema defensivo adversário.
Campinas x Cruzeiro — o contexto técnico de uma decisão equilibrada
A final deste domingo coloca frente a frente dois times que terminaram a fase classificatória com campanhas idênticas: 17 vitórias e 5 derrotas. O Sada Cruzeiro, líder com 54 pontos, chegou à decisão após eliminar o Goiás com dois 3 a 0 nas quartas e superar o Minas apenas no terceiro jogo da semifinal — sequência que expôs a variabilidade da equipe celeste sob pressão máxima. O Campinas, por sua vez, chega com 14 vitórias consecutivas, três títulos já na temporada 2025/26 (Paulista, Sul-Americano e Copa Brasil) e sem ter precisado de terceiro jogo em nenhum confronto dos playoffs.
O levantador Brasília, do Cruzeiro, que conquistou seu primeiro título da Superliga em 2025, sintetizou o momento com precisão:
"Tivemos uma evolução importante após o Sul-Americano e a Copa Brasil, e agora é colocar tudo isso em prática dentro de quadra. É o último jogo da temporada, o momento de deixar tudo em quadra, e o resultado será consequência daquilo que apresentarmos."
Do lado campineiro, o central Judson destacou a familiaridade com o adversário como fator estratégico:
"Estamos seguros, já enfrentamos eles em outras duas finais esse ano, sabemos como eles jogam e da qualidade da equipe deles."Essa leitura é tecnicamente relevante — quando dois times se enfrentam repetidamente na mesma temporada, o volume de dados sobre padrões de levantamento, zonas de saque preferencial e posicionamento de bloqueio tende a anular vantagens individuais e transferir o peso da decisão para a execução sob pressão.
O presente que Vera espera receber no Ibirapuera
Para o Cruzeiro, esta é a 12ª final de Superliga da história — e a busca pelo décimo título, feito que consolidaria ainda mais a hegemonia celeste num torneio em que já acumula conquistas nas temporadas 2011/12, 2013/14, 2014/15, 2015/16, 2016/17, 2017/18, 2021/22, 2022/23 e 2024/25. Para o Campinas, é a terceira final consecutiva e a chance de converter a temporada mais vitoriosa do projeto em título inédito da Superliga.
No meio de toda essa equação técnica e histórica, há uma mulher que jogou grávida até o fim de um Campeonato Brasileiro, voltou às quadras um mês após o parto e passou anos torcendo para que o filho crescesse — no sentido mais literal da palavra. Vera Mossa disse ao Lance! o que espera deste domingo:
"Eu espero que eles consigam esse título, porque merecem muito. E, de brinde, eu ganho um presente de Dia das Mães."A bola sobe às 10h, com transmissão ao vivo pela TV Globo, SporTV 2, GE TV e VBTV.








