Decidiu. Quando o árbitro validou o segundo gol de Vinicius Junior aos 47 minutos do primeiro tempo, de cabeça, após cruzamento de Bruno Guimarães, o Hard Rock Stadium em Miami Gardens entendeu o que os dados já vinham sinalizando: o camisa 7 da Seleção Brasileira é, neste momento, um dos três melhores atacantes da Copa do Mundo de 2026. Quatro gols na fase de grupos, artilharia empatada com Kylian Mbappé e Erling Haaland, e um jogo anulado pelo VAR que poderia ter elevado esse número para cinco — ou até para um hat-trick individual numa só partida.

O que os quatro gols de Vini Jr revelam sobre seu momento na Copa

Vinicius Junior chegou a esta Copa do Mundo com 25 anos e um histórico de formação que poucos atacantes brasileiros conseguiram replicar. Revelado pelo Flamengo, onde estreou profissionalmente aos 16 anos e 10 meses em 2017, o atacante acumulou 36 jogos e 4 gols no sub-17 e sub-20 do clube antes de ser vendido ao Real Madrid por 45 milhões de euros em 2018. Nos últimos três anos na Europa, consolidou médias de participação em gols superiores a 0,7 por jogo em temporadas regulares de La Liga — contexto que torna sua produção no Mundial estatisticamente coerente, não surpreendente.

Contra a Escócia, na terceira rodada do Grupo C, o atacante abriu o placar aos 6 minutos com finalização dentro da área. Aos 21, marcou novamente, mas o VAR anulou o lance por falta sua em cima do zagueiro escocês — decisão contestada pelo comentarista de arbitragem da Globo, PC Oliveira, que classificou a anulação como incorreta. A polêmica ganhou proporção nas redes sociais, com a expressão "roubaram o Brasil" entre os trending topics do X (antigo Twitter) na noite de quarta-feira, 24 de junho. O detalhe que amplificou a indignação: nem os próprios jogadores escoceses reclamaram de falta no lance.

"Não tinha dúvida de como ele poderia chegar a essa Copa do Mundo", disse Carlo Ancelotti após a vitória por 3 a 0. "Para ele é uma honra jogar com a Seleção, ele está indo muito bem, também fez gol de cabeça, que é muito raro."

A reação de Ancelotti à beira do campo virou meme. O treinador italiano, ainda transtornado com a anulação, caminhou em direção ao quarto árbitro norueguês Espen Eskas, apontando o dedo e falando de forma enfática — e foi contido pelo filho e auxiliar Davide Ancelotti no meio do caminho. A cena, registrada por câmeras de transmissão, acumulou milhões de visualizações nas horas seguintes.

A artilharia que coloca Vini na briga com Messi, Mbappé e Haaland

Com quatro gols, Vinicius Junior divide a vice-artilharia do torneio com Mbappé e Haaland. Lionel Messi lidera isolado, com cinco tentos — e chegou a esta edição como maior artilheiro da história das Copas do Mundo, com 18 gols acumulados, embora tenha desperdiçado um pênalti contra a Áustria que poderia ter ampliado essa marca. Todos os quatro candidatos ainda disputarão pelo menos mais uma partida — o mata-mata começa para o Brasil na segunda-feira, 29 de junho, em Houston, contra o segundo colocado do Grupo F.

Seria injusto chamar de era dourada do futebol brasileiro — mas é uma era em escala doméstica, concentrada num único jogador que carrega o peso coletivo de uma geração inteira nas costas.

O técnico Pedro Bubista, da seleção de Cabo Verde, foi quem mais claramente verbalizou o que os números já indicavam. Questionado na entrevista coletiva no NRG Stadium, em Houston, o treinador colocou Vinicius entre os favoritos ao prêmio de craque da Copa.

"Penso que Vinicius está demonstrando que tem condições de brigar com outros jogadores [de peso], já fez vários gols nesta competição. E pelo fato do Brasil ser um candidato [ao título], penso, sinceramente, que está dentro desta lista", analisou Bubista, em declaração reproduzida pela revista Placar.

O raciocínio de Bubista tem fundamento histórico: dos últimos seis vencedores da Bola de Ouro da Copa do Mundo, cinco pertenciam a seleções que chegaram pelo menos às semifinais. O Brasil terminou a fase de grupos com 7 pontos, na liderança do Grupo C, com Marrocos em segundo e a Escócia praticamente eliminada, com 3 pontos e saldo de -4.

Quanto vale o gol anulado na equação da artilharia

A anulação pelo VAR não é apenas uma polêmica arbitral — ela tem impacto direto na corrida pela artilharia e, por extensão, na discussão sobre o prêmio individual. Se o lance tivesse sido validado, Vinicius teria 5 gols, empatado com Messi na liderança, e teria marcado um hat-trick contra a Escócia. Nos critérios históricos de avaliação do prêmio de craque da Copa, volume de gols combinado com atuações decisivas em jogos eliminatórios pesa de forma determinante.

Quem decide uma Copa do Mundo — o artilheiro da fase de grupos ou o jogador que aparece quando o mata-mata exige?

Essa pergunta orienta a análise do momento. Ronaldo Fenômeno em 2002 marcou 8 gols, com 5 deles no mata-mata. Kylian Mbappé em 2022 chegou a 8 tentos, mas a França foi derrotada na final. A fase de grupos é o ponto de partida, não o destino. Vinicius Junior, que na temporada 2025/2026 pelo Real Madrid registrou 31 gols e 14 assistências em todas as competições, tem os dados de produção para sustentar a candidatura além da fase inicial.

O cenário do mata-mata e o que Vini precisa fazer para ganhar a Bola de Ouro da Copa

No mata-mata, o Brasil enfrenta o segundo colocado do Grupo F, cuja definição depende dos resultados desta quinta-feira, 25 de junho, entre Tunísia x Holanda e Japão x Suécia — com a Holanda liderando provisoriamente com 4 pontos. A campanha de Vinicius até aqui, em matéria do SportNavo analisada com base nos dados da fase de grupos, aponta para um atacante em ritmo de pelo menos 1 gol a cada 45 minutos jogados no torneio.

Para a Bola de Ouro da Copa, o histórico recente indica que o vencedor precisa combinar pelo menos três elementos: artilharia entre os cinco primeiros, participação em pelo menos uma vitória decisiva no mata-mata e pertencer a uma seleção semifinalista. Vinicius já tem o primeiro. Os outros dois dependem do que acontece a partir de 29 de junho, em Houston.