Valeu. O número é simples e brutal ao mesmo tempo: €978,7 milhões distribuídos entre 26 jogadores, média de €37,6 milhões por cabeça. A Copa do Mundo de 2026 recebe a Seleção Brasileira mais cara da história — e essa delegação pousou em Nova Jersey na manhã desta terça-feira, 2 de junho, após dez horas de voo inteiramente em primeira classe, com o ritual do batismo de água no aeroporto americano e dois horas de ônibus até Basking Ridge, onde o grupo se instala no The Ridge Hotel até o final da primeira fase.

Nos bastidores do valor que dobrou em quatro anos

Vinicius Junior chegou ao Qatar 2022 avaliado em €100 milhões. Quatro anos depois, o atacante do Real Madrid figura com €200 milhões nas planilhas do mercado — a maior valorização individual do ciclo e o maior valor já atribuído a um jogador brasileiro em toda a história das convocações. Seria injusto chamar esse salto de evolução normal de carreira, mas é uma era completa de amadurecimento comprimida em quatro anos de calendário. Bruno Guimarães saiu de €30 milhões para €80 milhões, crescimento de €50 milhões que reflete exatamente o que o volante do Newcastle construiu na Premier League nesse intervalo. Raphinha também dobrou: de €40 milhões para €80 milhões, impulsionado pela temporada 2025/2026 no Barcelona, onde liderou a La Liga em assistências.

Gabriel Martinelli registrou salto de €28 milhões para €55 milhões — e foi justamente ele um dos três jogadores que não embarcaram com o grupo principal, pois disputou a final da Champions League em Budapeste no fim de semana e vai se apresentar diretamente nos Estados Unidos, ao lado de Marquinhos e Gabriel Magalhães. O zagueiro do Arsenal, aliás, é o defensor mais valioso do elenco: €75 milhões, âncora dos €177 milhões que o setor defensivo representa no total.

O lado B da planilha que a CBF prefere não ampliar

A fotografia financeira tem verso. Neymar, que em 2022 valia €90 milhões, chega a esta Copa avaliado em €10 milhões — redução de €80 milhões em quatro anos. O atacante sequer integra a lista dos 26 convocados por Carlo Ancelotti, ainda em processo de recuperação física, mas acompanhou o embarque da delegação e publicou uma imagem do grupo no avião com a mensagem "Todos juntos". Casemiro, capitão e voz pública da equipe — foi ele quem disse que

"esse jogo no Maracanã será uma conexão muito legal com o povo brasileiro. Quando a gente fala de Brasil, o Maracanã é uma casa da seleção brasileira"
na véspera do amistoso contra o Panamá —, perdeu €48 milhões em valor de mercado desde 2022, caindo de €60 milhões para €12 milhões. Fabinho recuou de €60 milhões para €18 milhões; Alisson, de €60 milhões para €25 milhões.

Essa queda dos veteranos não é acidente estatístico. É a fotografia de um ciclo que virou a página de forma acelerada. O setor ofensivo responde por €547 milhões dos €978,7 milhões totais — 55,9% do valor do elenco —, com Vinicius Junior (€200M) liderando uma linha que inclui Raphinha (€80M), Gabriel Martinelli (€55M), Matheus Cunha (€50M), Igor Thiago (€50M), Endrick (€40M) e Rayan (€40M). O meio-campo soma €174 milhões, puxado por Bruno Guimarães (€80M) e Lucas Paquetá (€40M).

Da mesa de valores ao MetLife Stadium

A escolha do The Ridge Hotel em Basking Ridge seguiu critérios objetivos definidos pela CBF: privacidade, conforto, segurança e proximidade logística. O hotel corporativo — mantido majoritariamente pela operadora Verizon, que tem sede vizinha — fica a 15 minutos do centro de treinamento e a 30 minutos do MetLife Stadium, palco da estreia contra Marrocos, no dia 13 de junho, às 19h (horário de Brasília), pelo Grupo C. Antes disso, o Brasil enfrenta o Egito no amistoso de sábado, 6 de junho, às 19h, no Huntington Bank Field, em Cleveland, Ohio. O primeiro treino em solo americano estava previsto para as 18h desta terça, no Columbia Park Training, centro do New York Red Bulls, sem presença da imprensa.

Nos bastidores do valor que dobrou em quatro anos Vini Jr. dobra para €200M e o
Nos bastidores do valor que dobrou em quatro anos Vini Jr. dobra para €200M e o

Um detalhe passou quase despercebido na foto da delegação dentro do avião: no canto superior esquerdo, um rosto jovem que gerou dúvidas nas redes sociais. Era Léo Nannetti, goleiro de 18 anos do Flamengo, convocado para reforçar os treinos tanto na Granja Comary quanto nos Estados Unidos. O jogador não está na lista dos 55 nomes enviados à Fifa e não pode entrar em campo, mas revelou ao site do clube:

"Quando recebi a notícia, fiquei muito feliz e grato por poder estar novamente com a Seleção Brasileira, só que, desta vez, na Copa do Mundo."
Nannetti já havia acompanhado a delegação nos amistosos de 2026 contra França e Croácia, também em solo americano.

Quase €1 bilhão em valor de mercado é uma partitura de orquestra sinfônica: cada instrumento tem seu preço, seu timbre e sua responsabilidade dentro do conjunto. A questão que o MetLife Stadium vai responder a partir do dia 13 é se Ancelotti consegue reger essa orquestra cara e afinada — ou se o Brasil vai repetir o erro histórico de ter o melhor elenco do papel e um resultado amargo no campo.