Número 7. Melhor do mundo. Contrato até 2027 no Real Madrid avaliado em mais de €200 milhões. Três coisas que resumem Vinícius Júnior — e que explicam por que a Copa do Mundo de 2026 já tem dono dentro do vestiário verde-amarelo.
A vitória por 3 a 0 sobre o Haiti, na noite desta sexta-feira (19) no Lincoln Financial Field, em Filadélfia, foi um exercício de eficiência cirúrgica do Brasil. Matheus Cunha marcou dois gols no primeiro tempo — ambos com participação direta de Raphinha, que saiu lesionado, e de Vini Jr, que entrou nas jogadas como catalisador. O camisa 7 fechou a conta ampliando para 3 a 0. Mais do que o placar, o que ficou foi a imagem de um jogador que deixou de ser promessa para ser promessa cumprida.

Como Vini Jr construiu autoridade nos dois primeiros jogos da Copa
Na estreia contra Marrocos, registrada pelo SportNavo, Vini Jr. foi o principal articulador do ataque brasileiro — em um jogo truncado que terminou com a seleção precisando de mais eficiência. Contra o Haiti, ele traduziu essa articulação em números: participou diretamente dos três gols, sendo decisivo nos dois de Cunha antes de marcar o seu. São dois jogos, dois arranques de protagonismo, zero margem para debate sobre quem carrega a faixa de referência técnica.
O que diferencia este Vini de versões anteriores não é apenas a habilidade — sempre esteve lá. É a consistência de decisão. Na Champions League 2024/2025, ele terminou a temporada com 26 gols e 11 assistências em todas as competições pelo Real Madrid. Nenhum atacante sul-americano na Europa teve números comparáveis na mesma janela. Para ter uma referência: o que para o argentino de clube grande é responsabilidade dividida com Messi ou Di María, para o brasileiro virou função solitária — e Vini parece carregar isso sem encolher os ombros.
A lesão de Raphinha muda o peso que Vini terá daqui para frente
O cenário, no entanto, ficou mais pesado aos 38 minutos do primeiro tempo. Raphinha, capitão do Barcelona e líder de assistências da La Liga na temporada 2025/2026, saiu de campo com dores na posterior da coxa direita — a mesma lesão que o tirou por mais de um mês após o amistoso contra a França em março. A CBF confirmou em nota que o jogador "iniciou o tratamento e será reavaliado". Se o tempo de recuperação se repetir, o camisa 11 está fora do restante da Copa.
"Uma pena o Rapha ter saído machucado. Acho que foi a mesma lesão da última vez. A gente fica muito triste por isso. Espero que não seja nada grave e que ele possa seguir com a gente", disse Vini Jr. após o jogo.
É a quarta lesão no músculo posterior da coxa de Raphinha em menos de 12 meses. Só nesta temporada no Barcelona, ele ficou 105 dias afastado, perdendo 23 partidas. O padrão de recorrência levanta uma questão médica séria — e uma questão tática ainda mais urgente para Carlo Ancelotti.
Lucas Paquetá, em zona mista, não escondeu o peso da situação:
"Ele está um pouco abatido, a gente espera que não seja nada demais, que seja o menos pior, porque é um jogador muito importante, e a gente conta muito com ele."
A ausência de Neymar e o que ela revela sobre a nova hierarquia da Seleção
Há uma geração inteira de torcedores brasileiros que cresceu assistindo ao futebol da Seleção pela lente de Neymar. A Copa de 2014, no Maracanã, foi o ápice desse vínculo afetivo — e também o momento em que o país percebeu o risco de depositar tudo em uma figura só. A lesão de Neymar naquele torneio expôs uma dependência estrutural que o Brasil levou anos para começar a desfazer.
Vini Jr. não herdou apenas a camisa simbólica de Neymar. Herdou uma estrutura diferente. Ancelotti montou um sistema em que o camisa 7 não é o único criador — Paquetá opera como segundo construtor, Cunha funciona como pivô móvel, e Rodrygo pode ser acionado como segunda referência. Mas quando o jogo aperta, todos olham para o mesmo lado. E esse lado é o da faixa esquerda, onde Vini arranca.
Sem Neymar por decisão do próprio jogador e sem Raphinha por lesão, o Brasil chega ao duelo decisivo do Grupo C com a hierarquia técnica mais clara que teve em qualquer Copa desde 2002 — para o bem e para o risco que isso representa.
O que o Brasil precisa resolver antes de encarar a Escócia em Miami
Com a vitória sobre o Haiti, o Brasil assumiu a liderança do Grupo C, superando Marrocos no saldo de gols — a seleção africana venceu a Escócia por 1 a 0 na mesma rodada. A classificação final do grupo será definida na próxima quarta-feira (24), com jogos simultâneos às 19h (horário de Brasília). O Brasil enfrenta a Escócia em Miami; Marrocos pega o Haiti em Atlanta.
A equipe chega ao jogo decisivo com uma dúvida médica de grande calibre — o status de Raphinha será confirmado após exames realizados neste sábado — e com a certeza de que Vini Jr. precisará ser ainda mais determinante contra um adversário europeu organizado taticamente. A Escócia, eliminada nas duas rodadas anteriores, vai a campo sem nada a perder. Exatamente o tipo de cenário em que a qualidade individual de Vini Jr. precisa ser acompanhada de eficiência coletiva para que o Brasil avance como líder e evite o cruzamento mais complicado nas oitavas.












