Não, o Flamengo feminino não é um time em colapso. Mas tampouco é o projeto estruturado que o futebol feminino brasileiro merece enxergar num dos maiores clubes do país — e o empate por 1 a 1 com a Ferroviária, nesta segunda-feira (11), no Estádio Luso-Brasileiro, no Rio de Janeiro, pela 10ª rodada do Brasileirão Feminino de 2026, deixou essa ambiguidade escancarada no placar.
O que aconteceu nos bastidores antes de Vivi ser expulsa
A Ferroviária chegou ao Luso-Brasileiro com uma proposta clara: explorar os espaços em transição e pressionar a saída de bola rubro-negra. A estratégia rendeu um pênalti ainda no primeiro tempo — que foi desperdiçado — e depois outro, convertido por Katiuscia aos 13 minutos da segunda etapa, que abriu o placar para a equipe de Araraquara. Dois pênaltis sofridos no mesmo jogo não é coincidência; é padrão tático a ser corrigido.
A goleira Vivi Hozel, que vinha sendo uma das referências do setor defensivo rubro-negro, foi expulsa aos 47 minutos do segundo tempo, num momento em que o Flamengo já se lançava ao ataque em desespero. Seria injusto chamar aqueles minutos finais de caos organizado — mas era um caos em escala doméstica, com o time jogando sem goleira e ainda assim encontrando forças para empatar.
Kaylane e o gol que manteve o Flamengo no grupo de elite
A jogada do empate saiu dos pés de Djeni, que encontrou Kaylane livre dentro da área nos acréscimos. O gol, marcado já com o Flamengo em inferioridade numérica no gol, fechou o placar em 1 a 1 e garantiu ao clube carioca mais um ponto na tabela. Simples assim — e ao mesmo tempo dramático o suficiente para revelar o quanto esse elenco depende de lampejos individuais para se manter competitivo.
O SportNavo acompanhou os números do Brasileirão Feminino 2026 e o padrão é revelador: equipes que dependem de gols nos acréscimos para não perder pontos tendem a acumular desgaste emocional e físico ao longo da temporada, o que impacta diretamente o rendimento nas rodadas decisivas, geralmente a partir da 15ª semana de competição.
"Djeni achou Kaylane livre na área" — a jogada que resumiu a noite rubro-negra: criatividade individual suprindo lacunas coletivas.
Sétimo lugar e a mesa de decisão que o Flamengo precisa sentar
Com o empate, o Flamengo permanece na sétima colocação do Brasileirão Feminino, dentro do G8 — o grupo que garante vaga nas fases posteriores da competição. A Ferroviária, por sua vez, segue em oitavo. A diferença entre os dois times na tabela é mínima, o que torna cada rodada um exercício de pressão constante para ambos os lados.
O futebol feminino brasileiro movimentou mais de R$ 180 milhões em investimentos diretos em 2025, segundo dados da CBF, e a expectativa para 2026 é de crescimento acima de 12% no volume de contratos patrocinados. Clubes como Corinthians e Palmeiras já consolidaram estruturas profissionais com comissão técnica dedicada, psicólogas de performance e centros de treinamento exclusivos para o feminino. O Flamengo, que tem uma das maiores torcidas do planeta, ainda patina nesse processo — e o empate desta segunda-feira é sintoma disso.

A expulsão de Vivi Hozel levanta uma questão institucional que vai além do lance em si: qual é o plano de contingência do clube para situações de desfalque no gol? Num elenco profissional bem estruturado, a resposta estaria no banco. A resposta rubro-negra, desta vez, veio de Kaylane na área adversária — o que funcionou, mas não pode ser o modelo.
- Placar: Flamengo 1 x 1 Ferroviária
- Gols: Katiuscia (pênalti, 13'/2ºT) e Kaylane (47'/2ºT)
- Expulsão: Vivi Hozel (Flamengo, 2ºT)
- Rodada: 10ª, Brasileirão Feminino 2026
- Local: Estádio Luso-Brasileiro, Rio de Janeiro
A Ferroviária ainda tem compromisso pelo Paulistão Feminino na quinta-feira (14), contra o Mirassol, às 16h (de Brasília), no Campos Maia, em Mirassol. O Flamengo, por sua vez, tem pela frente o clássico carioca contra o Fluminense na sexta-feira (15), às 21h (de Brasília), também no Luso-Brasileiro — jogo que pode redefinir posições no G8 e que exige, acima de tudo, uma resposta coletiva que não dependa de milagres nos acréscimos. Um empate conquistado com uma jogadora a menos no gol é como um prato que chegou frio à mesa: tecnicamente completo, mas servido fora do tempo certo.









