Diz-se que a Juventus tem o poder de segurar qualquer jogador que queira. Na prática dos bastidores de Turim, o que se vê é diferente — e o caso Dusan Vlahovic expõe os limites reais do clube. Após cinco reuniões sem acordo, o atacante sérvio caminha para deixar a Velha Senhora de graça em junho de 2026, com o contrato encerrando em menos de um mês. O impasse não é novo, mas chegou a um ponto de não retorno que poucos esperavam.
Cinco reuniões e uma conta que não fecha para nenhum dos lados
As conversas entre a diretoria da Juventus e Milos Vlahovic, pai e representante do atacante, começaram no início do ano. Nenhuma das cinco rodadas de negociação produziu um acordo formal. O clube oferece uma renovação curta — provavelmente de um ou dois anos — com salário em torno de 7 milhões de euros anuais, o que representa uma redução de 42% em relação ao vencimento atual de 12 milhões de euros por temporada. Em reais, a diferença chega a quase R$ 29 milhões por ano.
O ponto de atrito vai além do salário base. Segundo o Gazzetta dello Sport, as partes ainda divergem sobre comissões ao estafe e bônus de assinatura. A Juventus estabeleceu um teto absoluto de gastos — e não pretende ultrapassá-lo. Do outro lado, o clã Vlahovic não demonstra urgência para fechar. Boas atuações nas últimas rodadas da Serie A podem atrair clubes dispostos a assinar o sérvio sem pagar taxa de transferência, um ativo considerável numa janela de verão europeu cada vez mais cara.
Segundo o Gazzetta dello Sport, a Juventus tenta pressionar os representantes de Vlahovic estabelecendo um teto de gastos que não pode ser ultrapassado — enquanto o lado do jogador opera com pressão menor, ciente do valor de mercado que uma saída gratuita representa.
Quem sai ganhando com o fim do contrato de Vlahovic
A saída sem custo de transferência beneficia diretamente qualquer clube da Premier League ou da Bundesliga com folha salarial robusta. Um atacante de 26 anos, com passagem pela Juventus e média de gols consistente na Serie A, disponível gratuitamente é uma anomalia de mercado — do tipo que aparece poucas vezes por janela. Clubes como Arsenal e Bayern de Munique, historicamente atentos a esse tipo de oportunidade, têm estrutura financeira para absorver os 12 milhões de euros anuais que Vlahovic reivindica.
Para o próprio jogador, o cenário é favorável. Aos 26 anos, com contrato expirando, ele detém o controle total da negociação — uma posição rara para um centroavante no auge. A pressão do relógio pesa sobre Turim, não sobre Belgrado.
A Juventus já olha para outros nomes no ataque
Enquanto o impasse com Vlahovic se arrasta como o trânsito da Avenida Paulista num dia de chuva, a Velha Senhora não ficou parada. O clube italiano mapeou alternativas concretas para o setor ofensivo. Robert Lewandowski, cujo contrato com o Barcelona também termina nesta temporada, está na lista — mas a concorrência é direta com o Milan, que também monitora o polonês de 37 anos.
Há ainda o movimento pelo volante Angelo Stiller, do Stuttgart, apelidado de "novo Toni Kroos" pela imprensa alemã. A Juventus quer antecipar a concorrência de Chelsea, Manchester United e Real Madrid para garantir o alemão. As duas movimentações revelam que a diretoria bianconera já opera com o cenário de ausência de Vlahovic na próxima temporada.
Segundo o Tuttosport, a Juventus quer sair na frente da concorrência para assegurar a chegada de Angelo Stiller, chamado de "novo Toni Kroos" pela imprensa local.
O efeito cascata na corrida por vaga na Champions League
O cenário esportivo agrava a urgência financeira do clube. A Juventus ocupa a quarta colocação na Serie A 2025/2026 e precisa confirmar essa posição para garantir vaga na fase de grupos da Champions League 2026/27. Receita de Champions é condição para qualquer planejamento de elenco mais ambicioso — sem ela, a capacidade de contratar Lewandowski ou qualquer centroavante de nível europeu diminui drasticamente.
O técnico Luciano Spalletti conta com Vlahovic e não escondeu a confiança no atacante ao longo da temporada. Mas confiança técnica não resolve impasse financeiro. A Juventus fecha a Serie A 2025/2026 com rodadas decisivas nas próximas semanas — e a indefinição sobre o seu principal centroavante é uma variável que o clube preferiria não carregar para dentro de campo.








