Se os Spurs de San Antonio tivessem apenas um jogador saudável para escalar no Jogo 2 desta quarta-feira (20), no Paycom Center, a resposta seria óbvia para qualquer analista que viu o que aconteceu na sexta-feira passada. Victor Wembanyama, 22 anos, registrou 41 pontos e 24 rebotes — 9 deles ofensivos — em dois overtime, e destruiu o argumento de que Oklahoma City era imbatível em casa na pós-temporada desta NBA. A série está 1 a 0 para os Spurs, e o jovem francês não parece ter chegado perto do seu teto.

O precedente que Wembanyama superou no duplo overtime

Para entender a magnitude do que aconteceu no Jogo 1, é preciso voltar a 1969 — última vez que uma final de conferência da NBA teve um jogo decidido em duplo overtime naquele mesmo estágio da série. Wembanyama se tornou o atleta mais jovem da história a registrar ao menos 40 pontos e 20 rebotes em um único jogo de playoffs, superando marcas que pertenciam a jogadores como Shaquille O'Neal e Kareem Abdul-Jabbar em idades mais avançadas. O quinteto inicial dos Spurs também entrou para os livros: com média de 22 anos e 346 dias, é a escalação mais jovem já registrada em uma final de conferência da liga.

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O contexto torna o feito ainda mais impressionante. O Oklahoma City Thunder terminou a temporada regular com a melhor campanha da NBA em 2025/26 — e havia vencido todos os seus jogos em casa na pós-temporada antes do Jogo 1. Shai Gilgeous-Alexander havia acabado de ser anunciado como MVP da temporada. Era o cenário perfeito para um colapso dos Spurs. O que se viu foi o oposto.

Os números de Wembanyama que o Thunder não conseguiu responder

Wembanyama encerrou o Jogo 1 com um PER estimado acima de 45 para a partida — número absurdo considerando que o limiar histórico para um jogo de elite costuma ficar entre 30 e 35. Seu true shooting percentage na noite ficou acima de 62%, o que é notável para alguém com volume tão alto de arremessos, incluindo tentativas de três pontos e lances livres. A usage rate girou em torno de 38%, o que significa que em mais de um terço das posses dos Spurs, a bola passava pelas mãos ou pelo corpo do ala-pivô.

Do lado do Thunder, a história foi de apagão coletivo dos principais nomes. Gilgeous-Alexander e Chet Holmgren tiveram atuações bem abaixo do padrão que os trouxe até as finais do Oeste. Quem segurou OKC na partida foi Alex Caruso, cujo plus-minus positivo foi o melhor do time. O problema para o Thunder no Jogo 2 é que depender de Caruso para equilibrar uma série contra Wembanyama é uma equação que raramente fecha.

"Quando um pivô de 2,24 metros consegue criar para si mesmo no isolamento, bater marcações duplas com passe e ainda dominar o rebote ofensivo, você não está mais lidando com um problema tático — está lidando com um problema de geração", disse um comentarista técnico da cobertura americana, especialista em métricas avançadas.

Como o Thunder pode tentar conter o francês no Jogo 2

A questão central para Billy Donovan é que Wembanyama é essencialmente indefensável em marcação individual. Holmgren, que seria o candidato natural para o trabalho, não tem o peso nem o alcance de braços para sustentar o contato físico durante 40 minutos. A alternativa seria escalar um defensor menor e mais rápido para tentar antecipar os recebimentos, sacrificando a proteção do garrafão. O SportNavo mapeou que, nos playoffs desta temporada, times que tentaram marcar Wembanyama com dupla na entrada do garrafão sofreram com os passes de saída para arremessadores abertos — os Spurs têm 41,3% de aproveitamento de três pontos coletivo na pós-temporada.

Uma possibilidade concreta para Donovan é aumentar o ritmo da partida logo no primeiro quarto, forçando os Spurs a jogarem em transição antes que Wembanyama possa se posicionar. No Jogo 1, San Antonio controlou o pace e manteve a posse em jogadas de meia quadra — exatamente o ambiente onde o francês é mais devastador. Qualquer alteração tática do Thunder passa por tirar o jogo desse controle.

O precedente que Wembanyama superou no duplo overtime Wembanyama faz 41 e 24 e o
O precedente que Wembanyama superou no duplo overtime Wembanyama faz 41 e 24 e o

O que está em jogo para os Spurs além do Jogo 2

Uma vitória nesta quarta-feira colocaria os Spurs em posição de fechar a série em San Antonio, nos Jogos 3 e 4, no Frost Bank Center. Seria o heptacampeonato da Conferência Oeste para a franquia texana e uma vaga direta nas NBA Finals — com a vantagem de campo. Para Wembanyama, seria a consolidação de uma narrativa que começou a ser escrita com muita cautela em sua primeira temporada e agora ganha contornos de algo historicamente único: um jogador de 22 anos, em apenas sua terceira temporada, liderando um time jovem às finais da maior liga de basquete do mundo.

O Jogo 2 começa às 21h30 (horário de Brasília) desta quarta-feira (20), com transmissão pelo Amazon Prime Video e NBA League Pass. Para quem quer entender em tempo real como Wembanyama responde à pressão de um Thunder que vai entrar em desespero dentro de casa, vale ligar a TV agora.