17 de maio de 2026. Às 19h30 (horário de Brasília), a NBA revela o vencedor do MVP da temporada 2025-26, e pela primeira vez em décadas o nome de um jogador dos San Antonio Spurs está na disputa com peso real. Victor Wembanyama, 22 anos, não chega apenas como coadjuvante nessa conversa: é finalista ao MVP e ao Defensive Player of the Year na mesma temporada — combinação que nenhum rookie ou jogador em seus primeiros anos conseguiu executar com essa consistência na era moderna da liga.

O que Wembanyama fez que Duncan e Robinson não fizeram no começo

Quando Tim Duncan chegou a San Antonio em 1997, foi imediatamente transformador — Rookie do Ano, All-Star, título no segundo ano. David Robinson, draftado em 1987 e estreante em 1989-90, foi Rookie do Ano e levou os Spurs de 21 para 56 vitórias numa única temporada. Números extraordinários. Mas nenhum dos dois foi finalista ao MVP em seus dois primeiros anos e ao mesmo tempo liderou a franquia de volta aos playoffs após um jejum de sete anos. Wembanyama fez exatamente isso: os Spurs não disputavam o pós-temporada desde 2019, e a presença deles neste playoff é construída sobre as costas de um jovem que registrou 25 pontos e 3,1 tocos por jogo — melhor média de bloqueios da liga inteira na temporada regular.

Para ter uma referência de escala, Robinson levou quatro temporadas para alcançar sua primeira indicação séria ao MVP — que veio em 1991-92. Duncan foi finalista pela primeira vez em 1999-2000, seu terceiro ano. Wembanyama está no segundo ano de contrato e já disputa o troféu ao lado de Nikola Jokić — três vezes MVP — e do canadense Shai Gilgeous-Alexander, reigning MVP que liderou o Oklahoma City Thunder ao melhor recorde da liga (64-18) com mais de 30 pontos por jogo.

Nenhum francês jamais ganhou o MVP e a história pesa

Tony Parker esteve perto — foi o rosto dos Spurs durante a era de ouro da franquia, quatro títulos, MVP das Finals em 2007. Joakim Noah ganhou o Defensive Player of the Year em 2014 e foi finalista ao MVP no mesmo ano, mas não chegou à vitória. Nenhum jogador nascido na França jamais ergueu o troféu de MVP da NBA. Wembanyama seria o primeiro, e o impacto disso extrapola o esportivo.

O mercado europeu — especialmente o francês — representa hoje uma das maiores fronteiras de crescimento da NBA. A liga registrou recordes de audiência internacional nas últimas três temporadas, e a Liga LNB (liga francesa de basquete) viu seu engajamento digital crescer mais de 40% desde a estreia de Wembanyama no draft de 2023, segundo dados do Sports Business Journal. Um MVP francês seria o equivalente comercial de Dirk Nowitzki ganhando em 2007 para o mercado alemão — acelerou contratos de patrocínio, crescimento de audiência e expansão de base de fãs em todo o continente europeu de forma mensurável.

"Três talentos de elite, três estilos diferentes, uma decisão difícil. Quem quer que vença, a liga está em boas mãos", comentou um fã nas redes sociais após o anúncio dos finalistas, capturando o sentimento geral da torcida global.

Na avaliação do SportNavo, a candidatura de Wembanyama tem uma dimensão que os números puros não traduzem completamente: ele é finalista ao DPOY — prêmio que anunciou vencê-lo — enquanto concorre ao MVP. Isso cria um argumento de impacto bidirecional que nem Jokić nem Gilgeous-Alexander possuem nesta temporada. O sérvio, que fez história ao liderar a NBA em rebotes e assistências simultaneamente com médias de 27,9 pontos, 12,8 rebotes e 10,8 assistências, é o candidato com o currículo mais robusto. Mas Jokić acumula três MVPs e parte dos eleitores já demonstrou em votações anteriores resistência ao que ficou conhecido como voter fatigue.

Os critérios de MVP e onde cada candidato ganha ou perde pontos

O painel de jornalistas esportivos que vota nos prêmios da NBA historicamente pondera quatro fatores: desempenho estatístico individual, impacto no desempenho da franquia, regularidade ao longo da temporada e contexto competitivo. Gilgeous-Alexander marca alto nos quatro: 30+ pontos por jogo, time com o melhor recorde da liga, presença em 65+ jogos e ambiente competitivo no Oeste. Jokić entrega o triple-double médio — o primeiro na história a liderar rebotes e assistências na mesma temporada — mas o Denver Nuggets terminou abaixo do Thunder no Oeste.

Wembanyama — o único dos três que também concorre ao prêmio defensivo — tem o argumento do impacto transformacional: levou uma franquia que ganhou 22 jogos em 2023-24 de volta aos playoffs. Esse salto é comparável ao que Robinson fez em 1989-90, quando os Spurs passaram de 21 para 56 vitórias. A diferença é que Robinson tinha 24 anos naquela temporada e Wembanyama fez algo semelhante com 22.

"Jokić absolutamente merece ganhar de novo. Os fãs desesperadamente querem um rosto novo como Wemby ou Shai para tomar a coroa porque assistir basquete fundamentalmente sólido é aparentemente chato demais para as audiências modernas de televisão", escreveu um usuário em resposta ao anúncio dos finalistas — sintetizando a tensão entre legado e narrativa que domina o debate.

O dado que mais pesa contra Wembanyama na hora do voto é o total de jogos disputados: tanto ele quanto Jokić ficaram abaixo do número de partidas de Gilgeous-Alexander na temporada regular, e disponibilidade é critério explícito para muitos eleitores. A regra de 65 jogos mínimos para elegibilidade foi flexibilizada para Luka Dončić e Cade Cunningham via recurso, mas nenhum dos dois chegou ao top-3 final — o que indica que os eleitores aplicaram o critério de consistência com rigor.

O anúncio do MVP acontece neste domingo, 17 de maio, às 19h30 (horário de Brasília), transmitido pelo Prime Video. Se Wembanyama vencer, os Spurs terão produzido três MVPs diferentes em três décadas — Robinson, Duncan e agora o francês — consolidando San Antonio como a franquia com o maior índice de desenvolvimento de jogadores transformacionais da história da NBA.