14 jogos sem Neymar em campo pela Seleção Brasileira. Esse é o recorte histórico mais revelador para entender o tamanho do buraco que o camisa 10 deixa cada vez que sua condição física vira notícia — e ela voltou a virar nesta temporada 2025/26, com o atacante em processo de recuperação e classificado como dúvida para os próximos compromissos do Brasil. A imprensa britânica, de olho no mercado e nos jogadores que conhece bem, não perdeu tempo: os jornais ingleses já apontam Willian como o nome mais natural para preencher o espaço deixado por Neymar.

O precedente que a Copa de 2014 deixou como lição

Em julho de 2014, quando Neymar saiu de campo com uma vértebra fraturada após choque com Camilo Zúñiga nas quartas de final contra a Colômbia, a Seleção entrou em colapso técnico e emocional. O 7 a 1 contra a Alemanha não foi apenas um resultado — foi o retrato de um time que havia construído toda a sua identidade ofensiva em torno de um único jogador. Naquele torneio, o então técnico Luiz Felipe Scolari não tinha um substituto com perfil parecido treinado para assumir a função de criador e desequilibrador pela esquerda. O Brasil perdeu o jogo antes de entrar em campo.

Doze anos depois, a lógica do problema permanece a mesma, mas o elenco disponível é diferente — e Carlo Ancelotti trabalha com um leque de opções que Scolari não tinha. A grande diferença, segundo análises da imprensa europeia, é que hoje existem pelo menos três jogadores com capacidade técnica para ocupar o corredor esquerdo ou o espaço de segundo atacante que Neymar normalmente habita.

Por que Willian entra no radar dos ingleses

A indicação britânica não é aleatória. Willian tem histórico consolidado no futebol inglês — foram sete temporadas entre Chelsea e Arsenal, com mais de 300 partidas na Premier League. Aos 36 anos, o extrema surgiu no Corinthians, foi promovido ao profissional aos 17 anos e percorreu uma trajetória que inclui passagens por Shakhtar Donetsk, Chelsea, Arsenal e Fulham antes de retornar ao Brasil. Seu estilo de jogo, com dribles curtos, velocidade de decisão e capacidade de jogar tanto pelo lado direito quanto pelo esquerdo, é apontado pelos analistas ingleses como funcionalmente compatível com o que Neymar oferece em termos de desequilíbrio individual.

"Se depender dos jornais britânicos, Willian entra no lugar do jogador", noticiou o Bom Dia Brasil ao repercutir a especulação internacional em torno da ausência de Neymar.

O problema da comparação é estatístico. Neymar registra médias históricas pela Seleção que superam qualquer outro jogador em atividade no Brasil — mais de 79 gols em 128 jogos, com participação direta em mais de 40% dos tentos do time em fases eliminatórias de Copa. Willian, em toda a sua carreira internacional pelo Brasil, não chegou a 10 gols. Não há tragédia: há contabilidade.

Os outros candidatos e o que os números revelam

A análise tática honesta precisa ir além do nome que os tabloides ingleses jogaram na mesa. Ancelotti tem ao seu dispor pelo menos três perfis distintos para preencher o vazio de Neymar:

  • Raphinha — 21 gols e 7 assistências em 33 jogos pelo Barcelona na temporada 2025/26, líder em dribles completados na La Liga entre os jogadores da posição.
  • Vinicius Jr. — titular absoluto no Real Madrid, com capacidade de atuar pela esquerda e criar superioridade numérica em 1x1, função central no repertório de Neymar.
  • Willian — experiência acumulada de mais de 350 jogos em alto nível europeu, leitura de jogo madura e versatilidade posicional.

O fator formação e maturidade

Willian foi revelado nas categorias de base do Corinthians, onde passou pelas categorias sub-17 e sub-20 antes de ser vendido ao Shakhtar Donetsk em 2007, aos 18 anos. Essa trajetória de formação técnica em clube brasileiro, seguida de adaptação precoce ao futebol europeu, explica parte da solidez que ele demonstra em situações de pressão — exatamente o tipo de contexto que uma substituição de Neymar em jogo de Copa impõe.

O que a comparação histórica projeta para o Brasil

Em 2014, a ausência de Neymar escancarou a fragilidade estrutural de uma Seleção dependente demais de um indivíduo. Em 2026, Ancelotti parece ter construído um time com mais caminhos ofensivos — o que reduz o impacto de qualquer ausência isolada, inclusive a do camisa 10. Raphinha e Vinicius Jr. têm números desta temporada que justificam protagonismo independente de Neymar. Willian, por sua vez, funciona melhor como solução de maturidade e equilíbrio do que como substituto direto de genialidade.

A Seleção Brasileira tem pela frente os preparativos para a Copa do Mundo 2026, com a fase de grupos prevista para começar em junho. Ancelotti deve divulgar a lista definitiva de convocados nas próximas semanas, e a condição física de Neymar será reavaliada pelo departamento médico antes de qualquer decisão oficial sobre sua presença no torneio.