Confesso: eu errei sobre o Wolverhampton em agosto de 2025. Escrevi aqui mesmo que Rob Edwards tinha material humano suficiente para repetir a campanha de sobrevivência que Gary Megson protagonizou no mesmo Molineux lá em 2003-04, quando os Wolves somaram 33 pontos na volta à elite inglesa. Hoje, com 18 pontos em 36 rodadas da Premier League, vejo que errei feio — e os números me obrigam a admitir isso antes de qualquer análise.
A matemática cruel que persegue o Wolverhampton em Molineux
O Wolverhampton Wanderers recebe o Fulham neste domingo, 17 de maio, às 11h (horário de Brasília), no Molineux, na penúltima rodada da temporada 2025-26. Com 18 pontos, os Wolves ocupam a 20ª posição — a última da tabela — e precisam obrigatoriamente de uma vitória para não serem rebaixados matematicamente ainda hoje. Qualquer resultado inferior a três pontos, combinado com resultados adversos nas outras partidas da zona de rebaixamento, encerra formalmente a luta pela permanência.
Para contextualizar a dimensão do colapso: na temporada 1997-98, o Barnsley — time que ficou marcado como símbolo de fragilidade na Premier League — somou 35 pontos antes de cair. O Wolverhampton de 2025-26 está caminhando para algo ainda mais dramático. Os Wolves marcaram apenas 22 gols em 36 partidas, número que remete ao Bradford City de 2000-01, equipe que ficou na memória inglesa como a mais inofensiva das últimas décadas na elite.
O Fulham de Marco Silva não tem nada a provar — e isso é um problema para os Wolves
Do outro lado, o Fulham chega ao Molineux em posição confortável: 11º lugar, 48 pontos, temporada já encaminhada para um resultado sólido sem pressão de rebaixamento nem corrida por Europa. Marco Silva escalou sua equipe titular — Bernd Leno no gol, Rodrigo Muniz na frente, Emile Smith Rowe como meia-atacante — o que sinaliza respeito pelo adversário, mas também uma postura de time sem urgência existencial.
Equipes sem pressão costumam ser adversárias traiçoeiras justamente por isso. Lembro de um caso clássico: em maio de 1998, o Arsenal de Arsène Wenger — já campeão do título inglês — foi a Middlesbrough sem nada a perder e venceu por 4 a 0, decretando o rebaixamento dos donos da casa. O Fulham não é o Arsenal de 98, mas a lógica é a mesma: time solto, sem tensão, pode jogar com liberdade que um adversário desesperado raramente consegue neutralizar.

Rob Edwards e a escalação que aposta no coração brasileiro
Rob Edwards optou por um 3-4-2-1 com forte presença de jogadores brasileiros — André e João Gomes na faixa central, Rodrigo Gomes como ala, e Mateus Mané como meia-atacante. O coreano Hwang Hee-Chan lidera o ataque. É uma formação que prioriza solidez defensiva com três zagueiros — Mosquera, Santiago Bueno e Krejčí — mas que historicamente tem dificuldade de criar volume ofensivo quando o adversário se fecha.
André — o volante que custou 45 milhões de euros ao clube em 2023 e que deveria ser o coração do projeto — representa a contradição perfeita desta temporada dos Wolves: talento individual inegável, rendimento coletivo insuficiente. Nas palavras que circulam no entorno do clube, segundo a imprensa inglesa, o próprio elenco reconhece que a falta de consistência ao longo da temporada foi o fator determinante para a situação atual.
Brentford e Crystal Palace completam a rodada com outros interesses em jogo
No mesmo domingo, o Brentford recebe o Crystal Palace no Gtech Community Stadium, às 11h (horário de Brasília). Os Bees, 8º colocados com 51 pontos, ainda sonham com a Conference League — Bournemouth e Brighton estão à frente na disputa pelas vagas europeias. O técnico Keith Andrews tem um retrospecto caseiro sólido: apenas três derrotas em casa na temporada, campanha melhor do que a de Manchester United, Chelsea e Leeds no próprio estádio.
O Crystal Palace, 15º com 44 pontos, chega ao confronto — segundo fontes ligadas ao clube — priorizando mentalmente uma grande final continental que se aproxima. A derrota por 3 a 0 para o Manchester City no meio da semana, somada a apenas uma vitória nas últimas sete rodadas da liga, revela uma equipe de Oliver Glasner que já transferiu o foco para outro objetivo. O saldo de gols dos Eagles (38 marcados, 47 sofridos) confirma a fragilidade defensiva de quem não está mais totalmente comprometido com a Premier League.
A rodada fecha no domingo à noite. Se o Wolverhampton não vencer o Fulham no Molineux, o rebaixamento matemático dos Wolves pode ser decretado antes mesmo da última rodada — marcada para 24 de maio. Nesse caso, a última partida da temporada em casa virará apenas uma despedida formal da elite inglesa, com data já marcada para o adeus.









