Dez. Esse é o número de técnicos que Florentino Pérez demitiu sem deixar completar sequer uma temporada completa no Real Madrid. O décimo da lista é Xabi Alonso, 44 anos, ídolo do clube como jogador, demitido após a derrota para o Barcelona na final da Supercopa. O placar não precisa ser especificado para entender o peso simbólico da derrota: perder para o rival numa final é, na gramática do Bernabéu, uma ofensa capital.

O que os números dizem sobre a gestão Alonso

Quando Alonso foi demitido, o Real Madrid estava a apenas quatro pontos da liderança da LaLiga 2025/2026, classificado entre os oito primeiros na fase de liga da Champions e ainda vivo na Copa del Rey, com um duelo marcado contra o Albacete. Do ponto de vista estritamente posicional, o time não estava em colapso.

O problema estava na qualidade do jogo produzido. O Madrid de Alonso oscilou entre bom e anódino em momentos-chave: tropeços em casa contra Rayo Vallecano, Elche e Girona, além de duas derrotas consecutivas no Bernabéu — para o Manchester City e para o Celta Vigo. São resultados que comprometem a coerência do sistema e revelam fragilidade na compactação defensiva em blocos médios e altos.

O que os números dizem sobre a gestão Alonso Xabi Alonso demitido pelo Real Madr
O que os números dizem sobre a gestão Alonso Xabi Alonso demitido pelo Real Madr

Na final da Supercopa, a análise técnica mostra que o time teve chances reais de forçar a prorrogação. Álvaro Carreras e Raúl Asencio desperdiçaram oportunidades cara a cara com o goleiro. A eficiência ofensiva, métrica que o SportNavo acompanhou durante toda a temporada, revelou uma equipe que criava volume, mas não convertia em momentos decisivos.

O incidente com Vinícius e o cálculo político de Pérez

A demissão não nasceu na noite da Supercopa. O estopim mais visível foi o episódio do Clásico de outubro de 2025, quando Alonso substituiu Vinícius Júnior durante a partida — uma vitória do Madrid, registre-se — e o atacante reagiu com fúria explícita nas câmeras, gritando:

"Isso é por que vou sair desse clube. É por isso que estou saindo!"

Florentino Pérez tem a renovação contratual de Vinícius como prioridade máxima. O incidente, mesmo que Alonso tenha aparentemente reconstruído a relação com o camisa 7 — que jogou sua melhor partida desde a saída de Carlo Ancelotti justamente na Supercopa —, deixou uma fratura irreparável na confiança do presidente no treinador. A gestão de elenco, especialmente de peças politicamente sensíveis, pesa tanto quanto a performance tática na equação do Bernabéu.

O padrão Pérez e a comparação com demissões anteriores

Antes de Alonso, outros nove técnicos passaram pela mesma trajetória sob Pérez: chegada com credencial elevada, início promissor ou aceitável, e saída abrupta. O padrão estrutural é consistente — a pressão se acumula em camadas: resultado ruim contra rival direto, atrito interno com jogadores de alto valor comercial, e um troféu perdido que serve de gatilho formal.

O incidente com Vinícius e o cálculo político de Pérez Xabi Alonso demitido pelo
O incidente com Vinícius e o cálculo político de Pérez Xabi Alonso demitido pelo

A comparação mais direta é com Carlo Ancelotti na primeira passagem, demitido em 2015 após uma temporada com LaLiga e Champions conquistadas anteriormente, mas sem títulos no ciclo seguinte. A lógica de Pérez não é necessariamente a do técnico que perde, mas a do técnico que perde quando não pode.

Conforme levantamento do SportNavo sobre os dez casos de demissão sob Pérez, seis ocorreram após derrotas ou eliminações para Barcelona ou Atlético de Madrid em confrontos de mata-mata ou finais. O padrão confirma que o critério não é estritamente técnico — é hierárquico e simbólico.

Qual perfil de treinador o Madrid busca agora

A pergunta prática é: quem assume? O histórico do clube indica preferência por nomes com experiência em gestão de elenco estrelado e capacidade de controlar variáveis internas — algo que o perfil de Alonso, ainda em formação como treinador de elite, não havia consolidado. Carlo Ancelotti retorna como nome recorrente nas especulações, embora esteja comprometido com a Seleção Brasileira até a Copa do Mundo de 2026.

O Real Madrid volta a campo na quarta-feira, pela Copa del Rey, contra o Albacete, com um técnico interino ainda a ser confirmado. Na LaLiga, o time precisa manter ritmo para não ampliar a diferença para o líder — quatro pontos numa temporada comprimida podem virar oito em duas rodadas. A Champions, com as oitavas de final pela frente, será o verdadeiro termômetro para o projeto do substituto.