O desejo existiu. Os contatos foram feitos. O sonho esteve a um passo de virar realidade. Mas quando Xavi Hernández abriu as portas do vestiário do Barcelona para Lionel Messi e Neymar, a conta simplesmente não fechava. Em entrevista à Romário TV, o ex-treinador confirmou o que muitos torcedores suspeitavam: a repatriação dos dois maiores ídolos da era recente do clube foi tentada — e barrada pela devastadora crise financeira herdada de gestões anteriores.

A confissão de Xavi na Romário TV

Sentado diante de Romário, um dos maiores ídolos do próprio Barça nas décadas de 1990, Xavi não poupou detalhes sobre o período turbulento que viveu no comando técnico do clube catalão. A conversa tomou um rumo revelador quando o assunto chegou nos dois nomes que movem multidões: Messi e Neymar.

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"Sim, tive essa oportunidade, mas não aconteceu. Vivíamos uma situação econômica muito difícil, muito complicada. Essa é a realidade. O fair play financeiro nos limitava muito, especialmente por uma herança de outra etapa do Barcelona. Isso condicionou completamente o planejamento do elenco", disse Xavi.

Neymar foi o caso mais categórico. O Barcelona, sufocado pelas regras de fair play financeiro impostas pela La Liga, simplesmente não conseguia encaixar o salário do brasileiro dentro dos limites permitidos. Para Xavi, a comparação com outras repatriações bem-sucedidas evidenciava o tamanho da impossibilidade.

"Foi uma fase muito dura para nós. Por isso, Neymar não tinha espaço naquele momento. Eu consegui recuperar o Dani Alves, trazer de volta o Pedro, mas financeiramente não dava para fazer o mesmo com Neymar", explicou o ex-treinador.

Messi quase voltou — e a razão pela qual não voltou surpreende

O capítulo de Messi é o mais cinematográfico de todos. Segundo Xavi, o retorno do argentino ao Camp Nou chegou a estar "praticamente feito". A estrutura do acordo existia. A vontade técnica existia. E então o negócio desmoronou — mas não por causa de dinheiro.

"O caso do Messi foi diferente. Estava praticamente feito, mas ele não quis com o atual presidente. A possibilidade existiu, mas acabou não acontecendo", revelou Xavi.

O "atual presidente" mencionado pelo ex-técnico é Joan Laporta, que voltou ao cargo em março de 2021. A relação entre Messi e Laporta já havia produzido ruídos em 2021, quando o craque deixou o clube após 21 anos alegando impossibilidade financeira de renovação. A frase de Xavi sugere que a cicatriz entre os dois jamais chegou a sarar — e foi exatamente essa fratura que enterrou o sonho de um retorno ao Camp Nou.

A herança maldita que paralisou o Barcelona

Para entender por que o Barcelona chegou a esse ponto, é preciso voltar alguns anos. A gestão de Josep Maria Bartomeu, presidente entre 2014 e 2020, acumulou uma dívida que superava 1,3 bilhão de euros segundo dados tornados públicos pelo próprio clube. Contratos milionários, renovações mal calculadas e a pandemia de Covid-19 criaram uma tempestade perfeita.

A La Liga, responsável por aplicar o sistema de fair play financeiro, determinou o chamado "salary cap" — o teto salarial de cada clube baseado em sua saúde financeira. No começo da gestão Laporta, o Barça chegou a ter um dos limites mais baixos entre os grandes clubes da competição, chegando a números negativos em determinados momentos, o que obrigava o clube a cortar salários para registrar qualquer reforço. Nem mesmo alavancas financeiras, como a venda de ativos e direitos televisivos, foram suficientes para abrir espaço para Messi ou Neymar.

Uma análise do SportNavo sobre o período mostra que o Barcelona precisou acionar quatro "alavancas econômicas" entre 2022 e 2023 para viabilizar contratações como Lewandowski, Raphinha e Jules Koundé — reforços que, individualmente, custavam menos do que qualquer salário que Messi ou Neymar demandariam.

O que poderia ter sido

O trio MSN — Messi, Suárez e Neymar — foi campeão da Champions League em 2015 e dominou o futebol europeu por três temporadas. Uma reunião de Xavi com ao menos dois desses ídolos seria, comercialmente e simbolicamente, um evento histórico. Segundo apuração do SportNavo, fontes próximas ao clube indicavam que o impacto de marketing de uma dupla Messi-Neymar no Camp Nou poderia gerar receitas superiores a 200 milhões de euros em uma única temporada, entre patrocínios, bilheteria e venda de camisas.

Mas o futebol não se faz de projeções. Messi deixou o Inter Miami em janeiro de 2025 e retornou à Argentina para defender o seu clube de coração, o Club Atlético Independiente — confirmando, na prática, que o ciclo catalão ficou mesmo no passado. Neymar, por sua vez, retornou ao Santos em julho de 2024 após passagem apagada pelo Al-Hilal, disputando o Campeonato Brasileiro longe dos holofotes europeus. A janela que Xavi tentou abrir está fechada. O reencontro com a Catalunha que o torcedor blaugrana sonhou nunca saiu do papel.