Rendeu. A aposta do Fluminense em João Pedro — formado em Xerém entre os 12 e os 18 anos — continua gerando dividendos mesmo depois que o atacante deixou o Brasil. Segundo a imprensa europeia, o Barcelona negocia a contratação do centroavante do Chelsea por cerca de 100 milhões de euros, o equivalente a aproximadamente R$ 590 milhões na cotação atual. Se o negócio fechar, o Tricolor das Laranjeiras recebe mais uma fatia da operação.

O mecanismo que garante dinheiro ao Fluminense sem vender nada

O clube carioca não detém qualquer percentual de João Pedro. Ainda assim, a regulamentação da Fifa prevê o chamado mecanismo de solidariedade — obrigação que reparte 5% do valor bruto de toda transferência entre os clubes formadores do atleta, proporcionalmente ao período em que ele esteve em cada categoria de base. O Fluminense, responsável pela formação do atacante dos 12 aos 18 anos, tem direito a 2,5% da negociação.

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Com a venda estimada em 100 milhões de euros, o repasse seria de 2,5 milhões de euros — cerca de R$ 14,7 milhões. O pagamento é obrigatório e independe da vontade dos clubes envolvidos na transferência principal. Chelsea e Barcelona apenas repassam a parcela à Fifa, que distribui aos formadores.

Segundo apuração do SportNavo, o histórico de João Pedro já demonstra como esse mecanismo funciona na prática: quando o atacante saiu do Watford para o Brighton, o Fluminense recebeu cerca de R$ 10 milhões, combinando mecanismo de solidariedade e cláusula de mais-valia prevista no contrato original de venda ao clube inglês. Na sequência, na transferência para o Chelsea — concluída em 2025 — o Tricolor embolsou mais R$ 9,4 milhões.

João Pedro já rendeu R$ 151,7 milhões ao clube carioca

A conta total impressiona. Somando a venda direta ao Watford em 2019 — fechada por 11,5 milhões de euros — e todos os repasses subsequentes, João Pedro já gerou R$ 151,7 milhões aos cofres do Fluminense. Para ter dimensão do que esse número representa: na temporada 1994/1995, o maior negócio envolvendo um jogador formado no Brasil girava em torno de 3 milhões de dólares — o patamar que hoje representa apenas a parcela de solidariedade de uma única operação.

Se a venda ao Barcelona for confirmada nos valores divulgados, o acumulado ultrapassa R$ 166 milhões — tudo gerado por um jogador que o clube não possui mais desde os 18 anos.

"Revelado em Xerém, João Pedro passou pelas categorias de base do Fluminense entre os 12 e os 18 anos antes de ser vendido ao Watford, da Inglaterra, em 2019", conforme registrado pela imprensa especializada ao detalhar o histórico da negociação.

Como o Fluminense pode usar os R$ 14,7 milhões

O Tricolor atravessa 2026 com necessidade de reforços pontuais — o clube disputa Brasileirão e Copa do Brasil simultaneamente, com elenco que ainda sente a sangria de saídas recentes. Uma entrada de R$ 14,7 milhões representa, por exemplo, o equivalente a quatro meses de salário de um reforço de médio porte no mercado nacional, ou a totalidade de uma contratação de jogador da Série A sem grande apelo comercial.

O valor também pode reforçar o caixa destinado à própria base de Xerém — investimento que, historicamente, é o que garante ao Fluminense receitas como essa. O centro de formação já revelou André — vendido ao Wolverhampton — e continua sendo a principal fonte de receita indireta do clube no mercado internacional. A próxima janela de transferências europeia abre em julho, e é nesse período que uma eventual negociação entre Barcelona e Chelsea deve ser formalizada.